Greta Van Fleet no Rio: um ótimo show de rock para quem gosta de... Rock!

Os irmãos Josh e Jake Kiszka em ação [Foto: Adriana Vieira]
 
Por  Bruno Eduardo 
 
O Qualistage recebeu um bom público para assistir o único show solo do Greta Van Fleet no Brasil. A banda chega no país na carona do Metallica, e pela segunda vez em três anos, dá ao público carioca a oportunidade de conferir uma apresentação mais intimista, direcionada apenas aos seus seguidores. Mas o que ficou provado logo de cara, é que a plateia não estava lá apenas para ouvir os hits do grupo. A maioria estava lá para assistir um show de rock. E certamente, ninguém teve o que reclamar. 

A maior crítica dos detratores do Greta Van Fleet é que eles se baseiam num decalque sonoro do Led Zeppelin, acusação que muitas outras bandas sofreram no decorrer das décadas, principalmente após o fim da lendária banda. Mas esse tipo de discussão perde a força quando se tem a oportunidade de assistir um show do grupo. Primeiro, porque o som deles é feito exatamente para quem ama bandas de rock clássicas dos anos setenta. E segundo - e mais importante - porque eles são ótimos ao vivo.
 
Josh Kiszka em show no Rio de Janeiro [Foto: Adriana Vieira]
 
Quem esteve presente no show do Greta Van Fleet, na noite desta terça-feira (04), no Rio de Janeiro, teve um testemunho da qualidade precoce desses garotos, tanto individualmente, quanto na desenvoltura crescente de um espetáculo que mostra acima de tudo, paixão ao gênero consagrado há meio século. 

É impossível não se hipnotizar com as palhetadas do excepcional Jake Kiszka. E também não é exagero incluí-lo numa lista dos grandes guitarristas de rock dessa nova geração. Nesse caso, pouco importa se as influências deste menino prodígio são Jimmy Page, Tony Iommi ou Keith Richards. Ele é acima da média e ponto final. Não muito diferente está Josh. Impressiona o compromisso que ele tem com a entrega do seu resultado. É um cantor disciplinado, que tenta o tempo inteiro manter o nível de sua voz, nem que para isso, precise ficar mais estático no meio do palco para não interferir na respiração e entregar as notas certas, que aliás são fidedignas ao que ouvimos nos discos. Jake e Josh são apenas um exemplo de que o Greta Van Fleet é uma banda comprometida com o palco. Eles querem dar o melhor para um público que se importa apenas em ter um bom show de rock.

O repertório também surpreende. Todas as músicas funcionam melhor ao vivo. Principalmente as composições do último álbum, que mostram um grupo menos espalhafatoso, musicalmente falando. Tanto que "My Way Soon", que fecha a apresentação desta noite, é uma prova disso. Tem um quê do Rush mais comercial, com vocal cadenciado de Josh e instrumental mais comportado.
 
Jake Kiszka e a icônica guitarra SG [Foto: Adriana Vieira]
 
A banda iniciou seu show às 21h40. Logo de cara, dois sucessos para ganhar o público: "Heat Above" e a ótima "When The Curtain Falls". Isso sem contar, que o grupo te chama pra dançar na guitarra de "Safari Song", do vencedor do GRAMMY, From The Fires. Nem mesmo um solo de bateria já após a terceira música foi capaz de fazer a coisa esfriar. Canções como "Built By Nations", o hit "Age Of Machine" e a epopeia instrumental "The Weight Of Dreams", todas do último disco (The Battle At Garden's Gate), comprovaram o crescimento sonoro do álbum no contexto do show que o grupo apresenta. Afinal, isso aqui é um show de rock para quem gosta de... ROCK!

Na volta para o bis, o grupo veio com "Light My Love", uma quase balada, onde o irmão mais novo dos três Kiszka, o baixista Sam, assume um órgão retrô para dar o tom épico ao número. O ato final veio no ritmo levanta-defunto da mais famosa do Greta Van Fleet nos streamings, "Highway Tune" - que só no spotify possui mais de 150 milhões de reproduções. A execução contou com uma citação ao clássico de Big Boy, "That's All Right", encerrando a apresentação com um clima lá no alto.

Na saída do Qualistage, foi possível notar uma atmosfera parecida com a dos grandes estádios de futebol: fãs de todas as idade (incluindo pais e filhos de mãos dadas), uniformizados com suas camisas de bandas (não só do Greta Van Fleet), completamente felizes por uma noite de solos de guitarra magníficos, luzes perfeitas e uma banda apaixonada pelo palco e comprometida com seu público. Afinal, é disso que se trata o Rock And Roll: energia, engajamento e paixão.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Como crítico cultural, foi Editor-chefe e colaborador do Portal Rock Press, e colunista do blog "Discoteca" da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Abril Pro Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Legião Urbana e Titãs.

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