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Greta Van Fleet mostra ousadia louvável em 'The Battle at Garden's Gate'

Greta Van Fleet mantém influências em seu novo trabalho de estúdio

 

Greta Van Fleet

The Battle At Garden's Gate
⭐⭐⭐⭐ 5/5

Por  Ricardo Cachorrão Flávio 


Eis que os meninos do Michigan, Josh Kiszka, Jake Kiszka, Sam Kiszka e o intruso na família Danny Wagner, recrutaram o experiente produtor Greg Kurstin – que já trabalhou com gente do quilate de Paul McCartney, Foo Fighters e Adele – e atacam novamente, com o lançamento de The Battle at Garden's Gate, o novo e esperado álbum do GRETA VAN FLEET.


Em minha opinião, chegam a ser ridícula toda a pressão e toda a sorte de preconceito com o qual tratam esses quatro meninos de 20 e poucos anos, capazes de produzir um som com tanta qualidade técnica e tantas boas referências. Tratá-los com o pejorativo argumento de quem são uma mera cópia de Led Zeppelin, é raso e rasteiro. Ainda assim, tratam como se fosse simples e fácil ser essa suposta cópia de uma das maiores bandas de todos os tempos.


Os meninos têm talento, mostram um amadurecimento natural desde o último trabalho e trilham cada vez mais firmes em busca de seu próprio som, obtido através da mistura de inúmeras influências e não se limitando.


O álbum abre com “Heat Above”, trazendo um climão progressivo, com teclados viajantes, violões folk se entrelaçando com as guitarras, a voz de Josh me remetendo a Geddy Lee, do Rush (como sempre achei, e não como Robert Plant) e dando boa impressão já na largada.

 

A continuação vem com “My Way, Soon”, abrindo com um riffão pesado, uma linha agradável do baixo de Sam, batida seca da bateria de Danny Wagner e potencial de hit na voz que alterna climas de Josh, cantando calmamente de início e abusando dos agudos quando a música pede. “Broken Bells” é a calmaria chegando, numa baladinha suave, com orquestração que dá um tom épico a canção, mostrando que a banda não fica limitada a se repetir ad infinitum, e ainda trás um solo de guitarra caprichadíssimo de Jake Kiszka.

 

Mudança geral no clima calmo anterior e chega a urgente “Built by Nations”, a preferida até o momento, com outro riff forte, numa canção mais curta, pesada e que me fez suspirar de tristeza ao lembrar que a pandemia me privou de ver esses meninos abrindo ao show do Metallica, programado inicialmente para um ano atrás aqui no Brasil. Já “Age of Machine”, chega longa – quase 7 minutos – cheia de climas e nuances, com teclados se misturando com as guitarras, numa canção poderosa, com bonito refrão, que poderia estar em muitos álbuns de grandes bandas durante a década de 70.


O dedilhado no violão de “Tears of Rain” e a potência vocal de Josh dão o tom na abertura da canção, que vai crescendo, mas sem chegar a explodir, quando o som de um piano dá o novo tom e volta à calmaria, nesta curta canção, inspirada pela impressionante passagem, e o choque com a realidade, dos meninos por uma favela no Rio de Janeiro, quando de sua passagem por essas terras durante o festival Lollapalooza de 2019 [leia a nossa cobertura do show AQUI].


“Stardust Chords” começa com um climão de teclado, batida firme, vocal chamando um “ohh-ohh-ohh”, que deve funcionar muito bem ao vivo, e de repente mais um riff forte, como muitos que Jake nos brinda em todo o álbum. Durante a canção, aparecem backing vocals muito bem vindos e uma orquestração muito boa.

 

Chega “Light My Love”, com um piano bonito, que junto com violões e a voz que mantém o bom nível de todo o disco, nos trás uma linda canção. A pesada “Caravel” trás um contraste e vem na sequência, sem toda a produção que ouvimos até o momento, aqui temos uma banda indo direto ao ponto, guitarra, baixo, bateria e um vocal muito foda! Sem mais delongas.


Em “The Barbarians”, temos outro som com clima épico, camadas de teclados e uma guitarra certeira se misturam numa canção que o Rush poderia ter gravado na década de 70. O disco vai chegando ao seu final e “Trip the Light Fantastic” é um rockão básico e forte, que, apesar da nítida influência do classic rock da década de 70, tem algo com identidade própria, que a gente ouve e diz, isso é GRETA VAN FLEET. Vale destacar os backing vocals que conferem um clima grandioso à música.


E chegamos ao encerramento do álbum, com a grandiosa “The Weight of Dreams”, que mostra em quase 9 minutos um resumo do que esses brilhantes meninos aprenderam em sua ainda curta trajetória.

 

É um disco muito bom, que mostra que a banda vem em evolução, agregando sonoridades, mostrando inquietação e nada de comodismo. Poderiam manter a já bem sucedida vibe do disco anterior, mas, preferiram ousar, e isso é louvável.

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