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Consciente dos novos tempos, Evanescence aponta para frente em 'The Bitter Truth'

Evanescence lança o seu quarto álbum de inéditas, 'The Bitter Truth'

Evanescence

The Bitter Truth
⭐⭐⭐⭐ 4/5

Por  Bruno Eduardo 


Quando o single "Bring Me To Life", acompanhado de um vídeo clipe dramático ganhou rotação exaustiva no mundo inteiro no ano de 2003, o Evanescence tornou-se uma febre entre os adolescentes da época. O sucesso de seu primeiro hit, que misturava gótico com vocais rap, arrebatou também uma fatia do público nu-metal, que era sensação entre a molecada. Com isso, o álbum de estreia, Fallen, tornou-se um dos mais vendidos do século 21 e a banda ficou grandona. Foram quase 20 milhões de cópias e presença em tudo que era festival, estação de rádio ou programas musicais de TV. Estavam totalmente na moda.


O crescimento musical do grupo veio no ótimo The Open Door (2006), e nessa época, Amy Lee já era uma rock star influente entre a nova geração. No entanto, a partir daí a banda desacelerou e a biografia ficou meio confusa. Tanto que o seu terceiro álbum, homônimo, só saiu em 2011, e não chamou muito a atenção.


O longo período de inatividade criativa, deixou muitas dúvidas sobre a expectativa a ser criada nesse novo trabalho. No entanto, alguns singles apresentados desde o anúncio do álbum, despertaram a curiosidade até daqueles que tinham se afastado da banda. Afinal, o Evanescence começava enfim a apontar para caminhos até então nunca abordados.


Mesmo longe dos tempos áureos, The Bitter Truth surge como uma golfada de ar fresco ao som do Evanescence. Tudo isso funciona principalmente pela combinação temática do álbum. Como o título e a obra de arte sugerem, "a verdade" é uma pílula amarga que alguns podem querer torcer, alguns podem não querer engolir e alguns podem querer "se afogar em um oceano de mentiras". É um álbum que visa separar as duas visões, e aproxima a banda de uma realidade mais contemporânea. E tudo isso escancarado pelo vocal emotivo de Amy Lee, que brilha na maioria das canções.


Impossível não ouvir "Broken Pieces Shine" e não pensar, que isso é a exposição completa, sonoramente falando, do que a banda mostrou nos seus melhores momentos. Guitarra forte, bom desempenho do baterista Will Hunt e aquele coro angustiado, que marca Amy Lee. Quer você goste ou não, mas você sabe quando ela está cantando e isso é uma rara virtude. Outro detalhe interessante são os singles. Como esse álbum foi quase que metade dele antecipado nos streamings, canções como "The Game is Over", por exemplo, parecem soar muito mais encaixadas agora. Aliás, essa é mais uma das várias faixas conduzidas pela brilhante interpretação da Amy Lee em The Bitter Truth.


Falando nisso, a frontwoman aparece em várias versões personificadas, onde deixa evidente o amadurecimento particular nesses anos de hiato. O lado confessional dela está exposto em doses dramáticas na única balada do álbum, "Far From Heaven", que expõe uma crise de fé após a morte de seu irmão. A consciência de sua representatividade vem no já hit, "Use Your Voice", faixa política, que defende mudanças em nossas atitudes e na sociedade, e que conta com as participações de outras cantoras importantes da nova geração rock: Sharon Den Adel do Within Temptation, Lzzy Hale do Halestorm, Taylor Momsen do The Pretty Reckless, e Lindsey Stirling.


A opção da banda em utilizar ingredientes que saem de sua estética sonora caraterística é mais um ponto positivo no álbum. Há a influência, mesmo que moderada do rock industrial, conforme podemos conferir em "Feeding the Dark", ou mesmo a tentativa de evidenciar o eletrônico. Esse abandono de alguns protocolos básicos de sua obra, que é aquele som denso, nublado e depressivo, é representado principalmente na ótima "Yeah Right", que é certamente o mais próximo das melodias pop que a banda poderia chegar.


Na verdade, The Bitter Truth reflete não só o amadurecimento da banda nesses quase vinte anos de jornada. Mas acompanha também a jornada dos fãs. Os adolescentes góticos que estavam seguindo o grupo após os clipes de "Going Under" e "My Immortal", se tornaram parte desse novo mundo, politicamente, socialmente e emocionalmente conscientes de sua existência. A sensação que o álbum deixa no fim das contas, é de uma banda com espirito renovado e que quer apenas seguir em frente. Tomara!  

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