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Número #1 no mundo, novo álbum do AC/DC preserva legado e memória de Malcolm Young

Formação do AC/DC em 'Power Up', novo álbum do grupo
 

AC/DC

Power Up
⭐⭐⭐⭐ 4/5

Por  Lucas Scaliza 

Power Up é o primeiro disco da longeva história e discografia do AC/DC em que seu guitarrista e cofundador, Malcolm Young, não está presente para ouvir. De acordo com o irmão e carismático guitarrista Angus Young, o novo trabalho é um tributo à Malcolm. E não devemos errar se apostarmos que o falecido músico deve estar em paz, ouvindo como o legado de sua banda segue preservado e, mais do que isso, funcionando como nunca. Não é a toa que o álbum chegou ao número um das paradas em 22 países quando foi lançado no final de novembro.


Dos primeiros acordes, acompanhados de um rugido rasgado de Brian Johnson, até o último solo, tudo em Power Up remete aos melhores anos e momentos do AC/DC, com uma gravação impecável e timbres extremamente cativantes que preservam o som tão característico da banda.


O AC/DC sempre foi uma banda que seguiu seus instintos e se manteve fiel ao mesmo tipo de hard rock durante 16 álbuns. Não seria na 17ª obra da carreira, em homenagem a um falecido amigo e músico, que iriam seguir alguma outra direção. Dessa forma, o grupo continua usando os mesmos elementos e a mesma receita para atingir o mesmo objetivo. Há quem possa argumentar que a banda não inova, não "evolui", não se desafia. É um argumento válido, até certo ponto. Mas poucas bandas conseguem reordenar os mesmos elementos durante tantos anos e atingir tão bem o objetivo principal: entreter. Rock Or Burst, de 2014, já havia mostrado como os australianos eram mestres de seu próprio estilo e Power Up demonstra isso mais uma vez.


O AC/DC é como o Motörhead. Sempre fazendo o mesmo som, mas sempre entregando algo divertido e que não soa deslocado. São riffs e refrãos que mantêm uma certa juventude no som. Não é por acaso que diversas faixas novas - como "Shot In The Dark", "Kick When You're Down", "Demon Fire" - poderiam estar em discos de qualquer outra década da banda. Simplesmente não há o peso da idade para Angus, Brian, Phil Rudd, Cliff Williams e Stevie Young, sobrinho de Angus e Malcolm, que preenche a vaga deixada pelo tio desde 2014.


Questões de criatividade à parte, o único senão fica por conta da empolgação que o disco traz durante sua primeira metade que parece não manter a mesma força a partir de "Wild Reputation". As músicas parecem mais arrastadas, mas nada que estrague a experiência de ouvir o álbum. Pode até descer um degrau, mas nunca rola ladeira abaixo.


Desde a ascensão do Spotify no mercado, eu escolho uma faixa de cada álbum que ouço para integrar uma playlist anual. Minha regra é que só posso escolher uma de cada disco ouvido. Confesso que tive dificuldade em escolher qual música eu separaria de Power Up. A boa energia que emana dele é contagiante.


Malcolm Young não está aqui para ouvir e nem para tocar, mas suas ideias continuam sendo combustível para a banda: todas as faixas de Power Up foram compostas por Angus e Malcolm, resquícios do que os músicos já tinham produzido juntos mas não gravado ainda. Um disco inteirinho composto pelos dois irmãos de sangue e instrumento é algo que tem se repetido ininterruptamente na discografia do AC/DC desde The Razors Edge (1990). Pode ser que o legado de Malcolm seja ainda mais longevo do que se pensava.

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