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The Struts faz festa rock and roll na quarentena com vários convidados especiais

The Struts chegam ao terceiro álbum em meio à pandemia mundial
 
The Struts
Strange Days
⭐⭐⭐⭐ 4/5

Por  Loquillo Panama 

 

Assim que o toda a turnê 2020 dos The Struts foi cancelada e alguns dos shows adiados para 2021, os quatro integrantes da banda de Derbyshire (Inglaterra) se viram forçados a fazer "Lockdown" em Los Angeles. O vocalista Luke Spiller, tinha se mudado no final de 2019 para a Califórnia e em conversas com o produtor, o manager e o resto da banda decidiram que entrariam em estúdio para aproveitar o tempo de quarentena produzindo um novo disco.


Seria algo inédito para o quarteto fazer um álbum com os quatro integrantes juntos, sem distrações nem pausas - assim como as bandas clássicas fizeram nos anos 70's em álbuns igualmente seminais. Logo, os caminhões com equipamentos e instrumentos foram chegando, e sendo descarregados no homestudio do produtor, Jon Levine (famoso pelo trabalho com Dua Lipa, Drake e Bebe Rexha). Detalhe: Todos os envolvidos fizeram testes para verificar se eram portadores assintomáticos do vírus antes de começar os trabalhos de composição e gravação de 10 dias em isolamento social coletivo.


Assim que as canções foram aparecendo foi decidido que de lá sairiam 10 faixas em 10 dias, que se tornariam a trilha sonora para dias muito esquisitos - por isso o título Strange Days. Toda essa reflexão dos tempos atuais fica evidente em algumas letras, como por exemplo, na meio Stones / Foreigner, com pitadas festivas a lá Rod Stewart, "All Dressed Up With Nowhere To Go", que traz o seguinte verso: "quero sair com você, é sexta-feira à noite más neste Lockdown não tem para onde ir". Ou então no refrão da faixa título: "são dias esquisitos com coisas diferentes. Acredito que a ciência ficção virou realidade. Estes são tempos difíceis perdidos na nossa mente, não sabemos nem temos certeza onde estaremos no próximo ano".


A ideia original era que Strange Days fosse um EP, uma experimentação em tempos de incerteza, porém ele deixa claro que a banda continua aumentando o leque de atuação, fugindo exatamente do claustrofóbico selo "Classic Rock". Rótulo que joga as novas bandas em nichos comparativos, que geralmente aniquilam o esforço de jovens músicos. Talvez esse seja o motivo do The Struts estar mais "radiofônico" em Strange Days, seja nas parcerias com o guitarrista dos The Strokes, Albert Hammond Jr na animada "Another Hit of Showmanship" ou na balada que dá título ao projeto com o amigo, Robbie Williams.


Experimentação e reinvenção estão na ordem do dia para 2020. Os frutos já foram visíveis, assim que a canção "Strange Days" e seu clipe saíram, o single estourou na Itália e pela primeira vez o The Struts entrou na playlist da BBC 2 (rádio direcionada aos jovens) na Inglaterra. As parcerias com artistas Pop não são novidades em território Struts, no album anterior, Young & Dangerous de 2018, o dueto com a cantora Kesha em "Body Talks" abriu muitas portas no mercado norteamericano. Também é visível a popularidade no YouTube do cover na voz do Luke Spiller para 'Royals" da  cantora neozelandesa, Lorde.


Porém "o rock vai rolar" de qualquer forma no mundo pandêmico dos Struts como aconteceu na parceria com Tom Morello do R.A.T.M. na canção "Wild Child". O guitarrista já tinha feito uma participação numa versão ao vivo para "Dancing in the Dark" de Bruce Springsteen e com isso, não teve dificuldades em ficar confortável, transformando a canção num Led Zeppelin à lá Machine (Sim, isso é possível). Só o solo de guitarra já vale a presença de Morello no disco.


Já os integrantes do Def Leppard, Joe Elliot e Phil Collen, fazem uma verdadeira festa glam em "I Hate How Much I Want You", que inclui até a ligação telefônica entre ambos os vocalistas acertando a parceria na introdução. Outro dos tantos lembretes do "lockdown" que ficaram registrados no álbum. Para o guitarrista Phil Collen, foi pensada a gravação do cover para "Do you Love Me" do Kiss, que era parte do repertório da sua antiga banda, GIRL, porém preferiram a canção inédita. Como Luke tinha gravado uma demo para o cover do Kiss nas sessões antes de acertar a parceria com os Def Lep, a ideia foi levada à frente pelo resto da banda e incluída no repertório do álbum.


O The STRUTS está na luta desde 2013 e mantém a fama de serem excelentes no palco. Para quem não sabe, eles trabalham arduamente desde 2014 em intermináveis turnês, com aparição nos principais festivais de rock do mundo - inclusive apareceram aqui no Lollapalooza Brasil 2019. Já foram banda de abertura para Foo FightersGreta Van FleetMotley Crue e até The Rolling StonesNo entanto, aparecem muitas comparações injustas com os gigantes do passado em detrimento de uma turma que vive o "rock and roll dream" em tempos de algoritmos e canções que chegam ao refrão em 1 segundo. Uma nova geração tem o direito de experimentar e ser feliz criando um novo rock and roll que flerta com o pop sem ter vergonha em fazê-lo. Mesmo porquê, no palco terão como cardápio uma verdadeira festa para adicionar ao repertório das já consagradas ao vivo, "Kiss This", "Fire" , "One Night Only" e "Could have been me".


Strange Days não é o álbum do ano, não é puramente Hard Rock ou Glam Rock porém apresenta energia suficiente para o deleite de ouvidos em busca de qualidade e diversão, numa alquimia coerente entre Indie pop, Brit Pop e o mais puro Rock and Roll.

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