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'Diamond Eyes', considerado o álbum de reinício dos Deftones, completa 10 anos

Deftones comemorou os dez anos de 'Diamond Eyes' com transmissão na internet
Por  Bruno Eduardo 

Tragédias no mundo do rock. Não são raras as histórias de bandas implodidas por perdas trágicas ou de obras clássicas que nascem logo após tudo parecer estar perdido. O término de uma banda gigante como Led Zeppelin pode ser o maior exemplo de como uma fatalidade pode realmente dar fim a uma biografia lendária. Já o AC/DC com seu magnífico Back in Black, mostrou o lado oposto dessa moeda com uma recuperação em alto nível. Bem, o Deftones passou por esse teste, e ao contrário do que muita gente pensou na época, eles conseguiram sobreviver e fazer uma bela homenagem.

Para explicar: o Deftones estavam no processo de gravação de um sucessor do álbum Saturday Night Wrist de 2006. Este tal novo álbum, que estava praticamente fechado, foi originalmente intitulado Eros, mas depois que o baixista Chi Cheng entrou em coma por causa de um acidente de carro, os planos para o lançamento desse trabalho foram engavetados até que eles decidissem voltar ao ritmo outra vez. Com Cheng ainda vivo, mas em estado limitado [ele viria a falecer em 2013], o grupo decidiu começar um novo processo de criação, do zero, e soltou aquele que sonoramente seria, o que de mais próximo eles poderiam chegar de seu álbum fundamental da carreira (White Pony). Assim nasceu Diamond Eyes, que tinha como intenção principal testemunhar a beleza e celebrar a vida.

Diamond Eyes é um retorno genuíno e espiritual do Deftones. É um álbum que surpreende pelo entusiasmo rock nos riffs do subestimado Stephen Carpenter - seja na quebradeira "Rocket Skates" ou no resquício nu-metal de "You've Seen The Butcher" - e que soa deliciosamente nostálgico aos melhores momentos de criatividade que o grupo teve um dia. Ninguém está aqui para discutir a qualidade de um Saturday Night Wrist ou a energia ainda jovial do seu homônimo, de 2003, mas basta ouvir canções como "Prince" ou a própria faixa-título, que abre este Diamond Eyes, para voltar a ter aquela velha sensação de que o Deftones pode sim, te emocionar de novo.


 
Quando escutamos canções como "Sextape" e "Beauty School", temos a certeza de que a decisão do grupo em parar tudo o que estava fazendo no momento do infortúnio vivido por Cheng foi a melhor coisa que poderiam ter feito. Afinal, eles deixaram o tempo transformar aquele sentimento de fundo do poço que ficou acumulado - e estava ainda - por alguns anos para expressar isso de um modo quase que terápico em Diamond Eyes. E aí temos melodias densas, letras que possuem frases típicas de um livro auto-ajuda e uma sonoridade atmosférica. Vale ressaltar também a segurança do baixista Sergio Vega, que teve a tarefa de substituir Cheng e permanece na banda até hoje.

O fato, é que ao completar uma década após seu lançamento, Diamond Eyes continua sendo um dos melhores trabalhos de Deftones até hoje. É realmente lamentável que uma tragédia tão grande tenha mudado os planos do grupo, mas esses caras enfrentaram todos os problemas e conseguiram criar um álbum que não soa como uma lembrança amarga. Pelo contrário. Ele traz uma nova vibração e entusiasmo, colocando o grupo de volta ao caminho que eles estavam seguindo. Pegando como referência algumas entrevistas da banda, onde diziam que Diamond Eyes foi um álbum feito e inspirado em seu irmão de banda Chi Cheng, podemos afirmar que essa foi definitivamente a melhor e mais bela homenagem que o grupo poderia ter feito ao seu amigo.

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