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Black Flag traz parte da história do hardcore mundial ao Brasil em grande noite

Black Flag em ótima apresentação no Carioca Club [Foto: Drico Galdino]
Por  Ricardo A. Flávio 

Uma torrencial chuva surpresa, no final da tarde do domingo, assustou, mas não afastou o público do Carioca Club, casa escolhida para receber, finalmente, a estreia do BLACK FLAG em palcos brasileiros. Originalmente este show estava marcado para julho passado, mas, em virtude de problema particular de um dos membros da banda, foi adiado para este Dia Internacional da Mulher.

Chegando próximo à casa, apesar da chuva, as calçadas e bares no entorno já estão cheios de gente no aquecimento e, lá dentro, boas surpresas aguardam. Para quem gosta, saborosa comida vegana, uma banquinha fazendo tatuagens com desenhos relacionados à banda, venda, com bom desconto, do livro “Nossa Banda Podia Ser Sua Vida”, de Michael Azerrad, que disseca a cena underground norte-americana, entre 1981 até 1991, com espaço garantido ao Black Flag, é óbvio.

E, a parte mais legal, é o merchandising oficial da banda, com preços acessíveis ao público. Esta última, uma vantagem de ter o guitarrista da banda, Greg Ginn, que estava andando tranquilamente pela pista antes do show, tirando fotos com fãs, como proprietário da gravadora deles, que, além do próprio Black Flag, já lançou gente como Bad BrainsAllSoundgardenScreaming TressDescendentsHüsker Dü, dentre tantos outros.

Show programado para iniciar às 20:00, mas, sem atração de abertura e, com a já mencionada chuva atrapalhando o acesso ao local, a banda atrasou a entrada, e, ninguém reclamou. Uns 40 minutos de espera e o Black Flag, liderado por Greg Ginn, nas guitarras, único membro original e que participou de todas as formações da banda, Mike Vallely, skatista profissional que assumiu os vocais em 2014 e tem a difícil missão de substituir caras como Keith Morris e Henry Rollins, além do mexicano Isaias Gil, na bateria e Joe Noval, no baixo, abriram o show com “Depression”, do álbum Damaged, de 1981. Suficiente para inflamar o público e manter o êxtase por mais de uma hora, até o final da apresentação.

“No Values”, do EP Jealous Again, de 1980, foi a sequência de um repertório que privilegiou os álbuns e EP’s antigos e deixou de lado o último trabalho da banda, o fraco What the..., de 2013. Clássicos como “Gimmie Gimmie Gimmie”, “Six Pack”, “Damaged II”, “Nervous Breakdown” ou “TV Party”, por razões óbvias, foram o ponto alto da noite, mas, em geral, o show manteve o nível do início ao fim, e, como não poderia deixar de acontecer, “Rise Above”, talvez o maior clássico da banda, fez a casa vir abaixo.

“Louie, Louie”, numa versão bem estendida, do original The Kingsmen, famosa com um monte de gente, mas, principalmente com o Motörhead, e que faz parte do repertório do Black Flag desde o início da carreira, foi a despedida da banda. Pelo nível da apresentação, esperamos que seja apenas um “até breve”. Encerrando a epopeia dominical, todos os integrantes da banda desceram até a pista e atenderam a todos que queriam uma foto ou autógrafo. Ponto para eles.

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