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Histórico! Em São Paulo, Iron Maiden faz um de seus melhores shows no Brasil

Bruce Dickinson em grande forma no show do Maiden em SP [Foto: Léo Coutinho]
Por  Ricardo Alfredo Flávio 

A noite de domingo, com frio e garoa, depois de um sábado a 34°C, começou com a (boa) banda do “filho do chefe”, falo do The Raven Age, onde um dos guitarristas é George Harris, filho do baixista do Iron Maiden, Steve Harris. Lançando seu novo álbum Conspiracy, a banda foi muito bem recebida pela plateia e fez um bom show, nada que impressionou, mas os meninos são bons instrumentistas, com destaque para o baterista Jai Patel.

Seguindo religiosamente o script da turnê mundial, o IRON MAIDEN vem precedido primeiro do teaser de seu novo game, que dá nome à turnê Legacy of the Beast, quando imagens do personagem central Eddie aparece no telão em cenas do jogo, embalado pela faixa “Transylvania”, do primeiro disco da banda, gravado em 1980. Na sequência, entra a gravação de “Doctor Doctor”, clássico do UFO, usado há anos pela banda no início de seus shows, como uma homenagem a grande influência que receberam da banda de Phil Mogg.

Luzes apagadas, cenário de guerra e nova gravação para delírio do público, o fragmento do discurso de Winston Churchill, em 1940: “We Shall Fight on the Beaches” (“nós atacaremos pelas praias”), quando o então primeiro ministro britânico fala à Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, sobre uma possível invasão nazista e a pretensão da vitória por parte dos Aliados, que sabe se tratar da introdução do clássico “Aces High”, faixa de abertura do disco Powerslave, de 1984.

Cenário incrível e uma réplica de um avião caça Spitifire, usado na 2ª Guerra pelo Exército Britânico, surge voando no palco, com Bruce Dickinson aparecendo fantasiado de piloto e demonstrando que do alto de seus 61 anos, e recentes problemas com um câncer na garganta, não o fizeram perder a voz. Sem muito tempo para respirar, uma rápida mudança de cenário e a canção da vez vem do disco Piece of Mind, de 1983 e ouvimos ”Where Eagles Dare”.

“2 Minutes to Midnight” vem em seguida e mantém o público em alta, enquanto no palco a banda mostra um entrosamento impressionante, e, além de Bruce, que troca de figurinos constantemente, o guitarrista Janick Gers merece menção, pois, além de ser o responsável por muitos solos sensacionais, é um verdadeiro atleta-dançarino, que não para um minuto de agitar, dançar e interagir com seu instrumento.

Bruce Dickinson resolve conversar com o público e lembra que dois dias antes, a banda fez o que foi considerado o melhor show deles no Rock in Rio [saiba como foi AQUI], em sua quarta participação no festival, ao que recebeu em troca uma vaia do público bairrista presente. Parecendo saber desta ‘rivalidade’ entre São Paulo e Rio de Janeiro, o vocalista desdenhou da apresentação carioca, dizendo que foi apenas um showzinho ‘melhor do Rock in Rio’, mas, a apresentação desta noite será a ‘melhor do Brasil’! Ovacionado, partiu para “The Clansman”, faixa presente no álbum Virtual XI, lançado em 1998, e que tinha Blaze Bayley nos vocais.

Steve Harris e Adrian Smith na linha de frente do grupo [Foto: Léo Coutinho]
Com o mega clássico “The Trooper” a banda continua o show, e, agora, conta com a companhia da mascote Eddie, de uns 3 metros de altura, que duela com Bruce Dickinson empunhando espadas. Para os fãs que acompanham o andar da turnê, que começou em maio de 2018 na Estônia, o repertório não apresenta nenhuma novidade, e segue na mesma ordem, tudo muito bem ensaiado, com “Revelations”, outra faixa do ótimo Piece of Mind e “For the Greater Good of God”, do bom disco A Matter of Life and Death, que parece recente aos velhos fãs presentes, mas, já foi lançado há 13 anos, em 2006.

“The Wicker Man”, do excelente disco Brave New World, lançado em 2000 e que marcou o retorno de Bruce Dickinson a banda, depois de um período onde se dedicou apenas a carreira solo, e foi o primeiro disco da banda como um sexteto, que além de Dickinson, passou a contar com três guitarristas, Dave Murray, Janick Gers, Adrian Smith, que retorna a banda depois de um período fora, onde trabalhou nos discos solo de Bruce, o baixista e “poderoso chefão” Steve Harris e o baterista Nicko McBrain, é a música da vez, e, como TODAS as outras, é cantada em uníssono.

Mudança de cenário e Dickinson mais uma vez canta uma faixa da época em que Blaze Bayley era o vocalista da banda, e vem a bela “Sign of the Cross”, música de Steve Harris, que faz parte do álbum The X-Factor, de 1995, baseada no livro “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, e que inspirou o filme de mesmo nome, com Sean Connery, o velho e melhor 007, no papel principal. Lindo momento do show, que por instantes lembrou uma missa um tanto quanto obscura.

Sequencia arrasa-quarteirão: “Flight of Icarus”, faixa que não era tocada há muitos anos e apresenta um boneco gigante lembrando a história mitológica do voo de Ícaro foi sensacional, seguida do mega e grudento hit ”Fear of the Dark”, ”The Number of the Beast”, que nunca pode faltar e o hino ”Iron Maiden”, quando novamente a mascote Eddie se faz presente, desta vez numa encarnação demoníaca e gigantesca surgindo atrás da bateria de Nicko McBrain.

Breve saída de palco e a banda retorna para o bis, com “The Evil That Men Do”, presente no disco Seventh Son of a Seventh Son, de 1988, seguida por dois clássicos presentes no disco The Number of the Beast, a estreia de Bruce Dickinson na banda, em 1982, ”Hallowed Be Thy Name” e ”Run to the Hills”.

Um jogo de cartas marcadas, onde nada é novidade e a maioria presente sabia o que esperar. Ninguém se importou! Todos foram para casa de alma lavada, caminhando sob o tema de Monty Phyton que começa tocar com a saída da banda, em mais um excelente show do Iron Maiden no Brasil, talvez, o melhor deles.

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