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Metallica surpreende mais uma vez em álbum totalmente acústico e empolgante

Metallica abandona guitarras e apresenta repertório acústico de toda carreira
Por Ricardo Alfredo Flávio

Um show do Metallica é algo que dispensa maiores comentários, quem teve o prazer de vê-los no palco, pode atestar: é matador! Sempre foi e se mantém assim, mesmo multiplatinado e no conforto de quem não precisa provar mais nada a ninguém. Um show do Metallica é para ir e voltar com a alma lavada, literalmente!

Seda devidamente rasgada, vem a pergunta: mas, ao vivo e ACÚSTICO, é mesmo necessário? A banda que forjou seu lugar na história como ícone do thrash metal, completando 38 anos de orgulho, paixão e glória, onde conquistou tudo o que é possível para uma banda de rock, precisa mesmo de um disco acústico, nessa altura do campeonato?

Pergunta para ser respondida com outra: e por que não?

Pois bem... Em 3 de novembro de 2018, o Metallica realizou em San Francisco, Califórnia, um show acústico beneficente em prol de sua Fundação All Within My Hands, que tem por objetivo o combate à fome, ajudando na criação de comunidades sustentáveis através da educação da força de trabalho. Este evento arrecadou 1,3 milhão de dólares, e a renda do álbum Helping Hands… Live & Acoustic At The Masonic, que foi gravado neste show, também será revertida para a instituição. O álbum teve pré-venda de uma edição limitada em vinil esgotada em poucas horas, e está disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 01 de fevereiro.

Sobre o conteúdo... minha primeira impressão foi de susto! O disco abre com “Disposable Heroes”, faixa do clássico álbum Masters of Puppets, e ganhou uma roupagem totalmente nova! O susto se transformou em grata surpresa, afinal, qual seria a vantagem de tocar a música exatamente igual a versão original? Já mostrou que a experiência acústica valeu a pena.

Neste trabalho, o quarteto formado por James Hetfield, violão e voz, Kirk Hammet, violão elétrico, Robert Trujillo, baixo e Lars Ülrich, bateria, contam com a companhia de Avi Vinocur, no bandolim e backing vocals, David Phillips, no pedal steel, Henri Salvia, nos teclados e Cody Rhodes, na percussão.

A sequência vem com um cover maravilhoso do Deep Purple, em “When A Blind Man Cries”, faixa que ficou de fora do talvez melhor álbum do Deep Purple, o fantástico Machine Head, de 1971, sendo lançada como lado B do single “Never Before”, e que a banda dificilmente tocava ao vivo, porque o mala do guitarrista Ritchie Blackmore não gostava dela (eis o possível motivo de ter ficado de fora do disco), mas que passou a fazer parte do repertório quando o guitarrista abandonou a banda.

O disco / show continua com o mega hit “The Unforgiven”, faixa do álbum Metallica (ou “Black Album”), desta vez sem invenções ou mudanças radicais no arranjo, sem sustos, hora de ligar o celular na plateia – eu, particularmente, preferia quando se acendiam isqueiros. Outro cover - prática que o Metallica traz desde os tempos de garagem - é “Please Don’t Judas Me”, que os escoceses do Nazareth gravaram no disco Hair of the Dog, de 1975. Mais um cover vem em seguida, mas este já é velho conhecido dos fãs, “Turn the Page”, de Bob Seger, regravado pelo Metallica no álbum Garage Inc., de 1998. “Bleeding Me”, do questionado Load é a faixa da vez, que ganha uma versão correta, bonita, com Kirk Hammet caprichando em todos os solos.



Outra banda que ganha uma homenagem do Metallica neste show é o velho Blue Öyster Cult, que a banda havia regravado no já citado disco Garage Inc., com a faixa “Astronomy”, do terceiro disco do BOC, o excelente Secret Treaties, de 1974. Aqui neste show, tocam “Veteran of the Psychic Wars”, música que faz parte originalmente do disco Fire of Unknown Origin, de 1981, oitavo disco da banda, gravado no ano em que o Metallica nascia.

O disco continua com outro megahit do Black Album, “Nothing Else Matters”, música excelente para o formato, sem novidades. “All Within My Hands”, música que dá nome à fundação do Metallica, gravada no álbum St. Anger, de 2003 [leia um artigo que escrevi sobre este mesmo álbum AQUI], aquele que boa parte dos fãs ama odiar, é o que tocam agora e precede outro megahit, também do homônimo Metallica, álbum que mais aparece neste acústico, vem uma boa versão de “Enter Sandman”, desta vez com arranjos bem diferentes em relação ao original, que é bem pesado. Aqui uns climas criados com o pedal steel dão uma roupagem nova e especial à música, além dos, mais uma vez, caprichados solos de Kirk Hammet.

Caminhando para o final do disco, veio a maior surpresa, do primeiro álbum, o petardo Kill’Em All lançado em 1983, vem a faixa “The Four Horsemen”, numa versão inimaginável para quem cresceu ouvindo a banda desde os primórdios, e que ficou excelente. Empolga!

O disco encerra com uma faixa do último lançamento de estúdio deles, Hardwired... To Self-Destruct, de 2016. Esqueçam os celulares acesos, os climas calminhos e tranquilos, mesmo no violão, “Hardwire” é pau puro!

Eles são a maior banda de rock do planeta há muito tempo. É a banda que só toca com ingressos ‘sold out’ em qualquer lugar do mundo; é a banda que, depois da polêmica guerra contra o Napster, mais fatura com conteúdo na internet, vende milhões e milhões de discos, de arquivos digitais de áudio e vídeo, DVD’s, mesmo com downloads não autorizados existindo e matando muita gente no mercado fonográfico. Não devem satisfações a ninguém e, surpreenderam velhos fãs que torceram o nariz com a ideia de um disco acústico, como eu. Estão de parabéns, e que continuem empolgando, por muito tempo.
Cotação: 

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