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Revigorado após Grammy, The Baggios mostra erupção de influências em "Vulcão"

Após ser indicado ao Grammy latino, The Baggios volta com novo disco de inéditas
Por Bruno Eduardo

Quando pedem indicações de bandas brasileiras da atualidade que merecem destaque, o The Baggios é nome fácil nesse filtro. Os caras expandiram sua arte de forma impressionante em Brutown, disco obrigatório numa lista de melhores lançamentos da década, e que inclusive, foi indicado ao último Grammy latino. 

Após um disco tão impecável, a banda não quis sentar na vantagem, e decidiu levantar acampamento para ir em busca de novos ares. Vulcão, quarto álbum de inéditas dos sergipanos, é o que você pode chamar de uma erupção de referências. O pandeiro que samba no início de "Caldeirão das Bruxas" é apenas um sinal do derramamento sonoro que o Baggios representa neste cenário atual.

No trabalho anterior, a expansão criativa da banda veio acompanhada do teclado quase progressivo de Rafael Ramos, que deu cama ao rock setentista lapidado por Julio e Gabriel. Dessa vez, quem abre o ponto de fuga da banda é a percussão. Mais da metade do álbum conta com o trabalho de Rodrigo "Pacato" Silva, que ajuda na expansão da proposta, e, aproxima o Baggios a outros sopros de musicalidade, como por exemplo, à latinidade do mestre Carlos Santana em "Deserto" - com a participação especial do Bayana System

Outra que segue essa linha percussiva - e desponta no álbum - é "Limaia" - com adicional generoso de metais. Já "Fera" e a introspectiva "Bem-Te-Vi" (que conta com o vocal de Céu), são as maiores provas da tentativa do Baggios em seguir em frente. O fato, é que Vulcão não transpira como Brutown. Ele inspira e é inspirado por novas sensações.



Sendo assim, é bom avisar logo: o rock setentista, baseado nos riffs quentes que permearam a carreira do The Baggios, ficou lá atrás e aparece raramente aqui em Vulcão (talvez na faixa-título do disco ou na ótima "Louva-a-Deus"). De resto, a banda seguiu confiante no seu instinto e escreveu novas páginas do que seria o retrato das experiências que viveram na última turnê. 

Violões benjorianos e vocais particulares de Julio Andrade dão o tom numa das melhores do disco: "Espada de São Jorge". E para aumentar ainda mais a lista de novas inclusões, há também o amparo de violinos em "Si Menor" (para criação de um momento mais melancólico) e mudança de ritmo interessante na ótima, "Samsara" - que traz o melhor interlúdio melódico do álbum. E o que dizer de "Fera"? Canção grandiosa (em todos sentidos) e que ressalta o movimento orquestral do Baggios em relação ao seu passado mais recente. 

Em Vulcão, o The Baggios percorre o interior de sua alma para expôr todos os seus contatos com a musicalidade e suas novas perspectivas. Por isso há brasilidade, simplicidade, virtuose, introspecção e esperança nas canções. Com tantas rotações ao redor de suas influências e tentativas de novos pulos, a melhor coisa deste álbum é saber que eles continuam empastados de maneira fixa no que de melhor você ainda pode encontrar no rock nacional da atualidade.
Cotação:

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