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Far From Alaska - Quando o segundo disco é ainda mais legal que o primeiro

Cris Botarelli e Emmily Barreto formam o dueto vocal do FFA (Foto: Adriana Vieira)
Por Bruno Eduardo

Poucas bandas de rock no nosso atual cenário possuem a mesma vibe descolada e incrivelmente espontânea como os potiguares do Far From Alaska. Eles realmente fazem o que estão a fim e boa! E mesmo assim acabam soando honestos tanto no som quanto em suas performances. Embora possuam um engajamento notório, que já rendeu frutos até então inesperados para uma banda que saiu das garagens do Rio Grande do Norte (como um prêmio na Europa e participação em grandes festivais gringos), o FFA segue seu caminho na maciota, sem fazer alarde com o lançamento de seu segundo disco, o ótimo 'Unlikely'.

Poucas semanas após terem chegado da sessão de gravação do disco nos EUA, tive a oportunidade de ser um dos primeiros a conversar com eles - mais precisamente com a simpática Cris Botarelli - sobre o que seria o sucessor do irretocável 'Mode Human', lançado em 2014. E a única constatação que tive após a conversa, era de que o disco seguiria o instinto da banda, que parecia realmente despreocupada em demarcar qualquer território. O fato de terem trabalhado com a conceituada Sylvia Massy - que já carimbou medalhões como Red Hot Chili Peppers e System Of a Down - dava ainda mais confiança de que eles tinham realmente acertado o alvo.

O disco, para quem não sabe, já está há alguns meses em todas as plataformas digitais, inclusive no Youtube, onde todas as faixas foram divulgadas separadamente e com arte gráfica própria para cada uma delas - além de um clipe animadíssimo para o single "Cobra", que chegou a quase 90 mil visualizações nesses primeiros meses. Confesso que não tinha ouvido o álbum muitas vezes antes do show de lançamento no Rio de Janeiro, mas mantive o radar atento às opiniões que pipocavam ao meu redor. A única coisa que eu realmente tinha me ligado eram os nomes das canções (quase todas com nomes de animais).
 
Essa foi a segunda vez do Far From Alaska no Circo Voador (Foto: Adriana Vieira)
A decisão de esperar por um show da banda ao invés de tecer qualquer comentário público referente ao trabalho foi uma opção arriscada, porém acertada, pois acabou me dando a exata noção da evolução do grupo. Ainda mais, quando a banda ajuda e decide enfiar todas as músicas do novo disco no repertório. De 'Mode Human', apenas três foram lembradas.

O que eu posso dizer, é que numa noite que ainda prometia Scalene, o Circo Voador recebeu um Far From Alaska mais up, com roupas fluorescentes, atmosfera muito mais viva e músicas de melodias incrivelmente pop. Como já era de se esperar, há todas as referências possíveis nesse novo trabalho, mas tudo é untado por uma rara sagacidade. Há blues, jazz, metal, baião (?) e o rock segue soando fresco na mão do quinteto. Emmily Barreto, que continua cantando divinamente bem, definiu o disco numa frase: "eu me toquei que esse disco é cheio de músicas para bater a cabeçar e mexer a raba". Não duvide! Ouça "Flamingo", que entre riffs de guitarra, entrega uma levada regional para balançar quadris de qualquer headbanger perdido numa roda de pogo. Outras duas que também funcionam muito bem ao vivo e demonstram a versatilidade de 'Unlikely', são "Pizza" e "Pig" (um rockão de guitarra blueseira e vocal que remete Alanis Morissette).

O Vozeirão de Emmily Barreto continua surpreendendo (Foto: Adriana Vieira)
Não se pode desprezar também o fato deles serem muito bons de palco, o que aumenta ainda mais a força das novas músicas. A energia que a banda passa ao vivo é de descontração, felicidade, feeling e camaradagem. É uma banda que cresce aos poucos mas continua com a mesma atmosfera de garagem, de underground. Cris Botarelli, que divide microfone com Emmily é uma parte do front do grupo - ela bate cabeça, canta, se comunica, e mesmo machucada (torceu o tornozelo numa investida de palco) mantém a inquietude apoiada numa perna só. E o que é mais legal ainda, é que eles estão apenas preocupados em tocar suas músicas. É uma banda que soa livre, liberta de amarras e paradigmas, e tudo isso soa lindamente em 'Unlikely', que é ainda mais legal que Mode Human, pelo simples motivo de representar bem o que eles são hoje: uma das bandas de rock mais legais da atualidade.

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