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Saiba como foi o Maximus Festival 2016


Imagem do público chegando no Maximus Festival 2016
Por Bruno Eduardo

A primeira edição do Maximus Festival foi um verdadeiro sucesso. A começar pela escolha das bandas, fugindo da obviedade que assola a maioria dos festivais brasileiros. Ficou provado que não precisamos repetir os mesmos medalhões de sempre para que tenhamos um bom público presente. Também foi legal ver o gigante autódromo de Interlagos bem utilizado, com espaço reduzido, e todas as atrações destacadas. Como a próxima edição já foi confirmada para o dia 20 de maio de 2017, a produção poderia dar uma atenção especial a quantidade de banheiros químicos disponíveis - principalmente femininos, pois as filas eram intermináveis. Outra questão que pode ser levada em consideração, é a criação de uma nova saída para o público, de preferência perto ao local dos shows. De resto, foi tudo lindo e funcional. Mas vamos aos onze shows que conseguimos acompanhar nessa maratona de doze horas ininterruptas de muita música! 

Foto: Rom Jom
O country-rock do Steve 'N' Seagulls agradou o público que chegava em Interlagos
O grupo Steve 'N' Seagulls ficou conhecido na internet por fazer versões country para clássicos do rock e do metal. O sucesso foi tão grande que eles decidiram seguir em frente na empreitada e passaram a rodar o mundo apresentando esse formato. Com isso, a posição de abrir o festival acabou sendo perfeita para os caras, que mesmo não tocando músicas autorais, foram conquistando o público com versões rearranjadas de vários hinos do rock, com destaque para algumas já viralizadas na internet, como "The Trooper" do Iron Maiden e "Thunderstruck" do AC/DC.

Foto: Rom Jom
A cartilha rap-metal do Hollywood Undead passou batida no Maximus
Com mais de dois milhões de discos vendidos nos Estados Unidos, o Hollywood Undead apareceu como a nova revelação no cenário rap metal mundial. No entanto, em cima do palco, o que se viu foi um roteiro clonado de bandas como Limp Bizkit e - principalmente - Linkin Park. Talvez o maior problema do show é que sonoramente o grupo soa muito artificial ao vivo, e dá a impressão de que tudo ali não passa de bases sampleadas. O início até que foi instigante ao som da forte "Usual Suspects", que contou com muita energia de seus três (!!!) vocalistas - que se revezavam entre berros, vocais rap e falsetes. Só que com mais de quinze minutos de repetição deste mesmo roteiro, muita gente não pensou duas vezes em ir conferir o show do Far From Alaska, que tocava em um palco secundário.

Foto: Rom Jom
Far From Alaska mantém presença destacada em grandes festivais
Somos redundantes quando falamos dessa banda. É chover no molhado dizer que o Far From Alaska faz um dos melhores shows de rock disponíveis no Brasil. No entanto, vamos continuar batendo nessa tecla, já que eles teimam em nunca nos decepcionar. Contando com o mesmo repertório há quase dois anos, a banda potiguar reuniu um grande público no palco Thunder Dome, que ficava localizado ao lado da área de alimentação do festival. O show, lógico, contou com as indispensáveis "Politiks", "Thievery" e com as caretas e peripécias vocais de Emmily Barreto. Banda linda do meu Brasil.

Foto: Ricardo Matswaka / Veja
Brent Smith se joga no público mas Shinedown sofre com problemas no som
É até uma injustiça avaliar o show do grupo americano Shinedown. Desde os primeiros minutos a banda sofreu com diversos problemas técnicos do palco Rockatansky. Por mais de duas canções, o carismático Brent Smith teve que conviver com seu microfone praticamente mudo e com vários fãs fazendo sinal de negativo para ele, avisando que o som não estava bom. Quando a voz voltou a funcionar, ele perguntou: "E agora, vocês estão me ouvindo?". Uma pena que foi por pouco tempo. Restou ao vocalista apelar para o seu lado punch, e se jogou no meio da galera, ganhando de vez a simpatia do público. Mas a paciência da banda com o som do palco não foi a mesma e eles acabaram saindo de cena antes da hora.

Foto: Rom Jom
Chad Grey: sangue, suor e metal na veia durante show do Hellyeah
Já o Hellyeah contou com um som de palco tinindo para fazer um dos melhores shows do dia. A banda é uma verdadeira locomotiva dos infernos. Contando com o bumbo pesado do ex-Pantera Vinnie Paul e a voz monstruosa de Chad Gray (Mudvayne), eles maltrataram os tímpanos com uma ensurdecedora orquestra demoníaca. Tá certo que o nome da banda é uma piada de péssimo gosto, mas a proposta funciona de forma exata. Pancadas como "X", "Demons in The Dirt" e "Sangre Por Sangre" mantiveram os ouvidos zumbindo, tamanha era a violência sonora. Na tentativa de definir a banda, Chad Gray - que tomou uma cusparada de sangue (fake, lógico) no rosto - disse que embora ele não saiba falar português e nem muitos fãs entendam o seu inglês, todos falam a língua do metal, e essa, segundo ele, é a mais importante. O show do grupo no Maximus não deixou pó sobre pó. 

Foto: Rom Jom
Cartilha rock blues do BSC funcionou legal no Maximus
Muita gente estava na expectativa do Black Stone Cherry, já que eles lançaram três discos bastante comentados na década passada. A mistura do rock com blues, segue a mesma linha do ótimo grupo Rival Sons (que estarão no Brasil este ano abrindo para o Black Sabbath). E do mesmo jeito que acontece com o Rival, o som do BSC cresce muito ao vivo e funciona perfeitamente em grandes arenas. Quem resolveu assistir o show dos caras não se decepcionou. Embora o palco Rockatansky ainda demonstrasse alguns problemas técnicos, a apresentação não foi comprometida. Destaque para o baterista John Fred Young, que deu um show em canções como "Blind Man" e "Soul Machine".

Foto: Rom Jom
Sempre carismática, Lzzy Hale garante bom show do Halestorm
Pelo segundo ano consecutivo no Brasil, o Halestorm, da loiraça Lzzy Hale, seguiu a mesma linha de sua última passagem pelo país. Quem assistiu a banda na última edição do Rock in Rio, já sabia de cór e salteado que Lzzy iria chamar a responsabilidade que lhe cabe e levar sua banda nas costas - com um vozeirão que continua em dia e presença de palco imponente. Mais à vontade, ela conversou mais com o público, arriscou algumas piadas e declarou amor aos fãs brasileiros. Entre os destaques do repertório, os hards padrões "Love Bites", "Apocalyptic", e a preferida da casa, "I Miss The Misery".

Foto: Rom Jom
Matthew Tuck do Bullet For My Valentine arrastou uma legião de fãs a Interlagos
A primeira banda a contar de verdade com o apoio da galera foi o Bullet For My Valentine. Não é por menos que eles são considerados um dos principais nomes do novo metal mundial. O show do grupo no Maximus Festival foi o que melhor cumpriu a promessa de apresentar as novas tendências do gênero, já que além de possuir um repertório consistente, eles também evidenciam uma bela renovação no público - com muitos fãs uniformizados e participativos. "No Way Out", "You Want A Battle?" e "Venom" mantiveram a molecada batendo cabeça e pogando até o fim. 

Foto: Rom Jom
Disturbed faz boa apresentação mais exagera um pouco nas versões
O Disturbed é um grande exemplo de banda respeitada na Europa mas que - injustamente - não chega a alcançar a mesma força popular no Brasil. Para se ter uma noção dessa moral que o Disturbed tem lá fora, seus últimos cinco discos estrearam "apenas" na primeira colocação da Billboard. De qualquer forma, a banda do vocalista Drainman veio disposta a fazer de tudo para mudar isso. Além de mostrar algumas músicas mais recentes, o grupo decidiu apostar também em um conjunto de canções covers, que começou em Simon & Garfunkel (que não é surpresa para os fãs da banda) e terminou numa sequência de U2, The Who e Rage Against The Machine (tentativa de jogar para a plateia?). Não precisava, já que o grande momento do show aconteceu logo em seguida, quando eles tocaram as ótimas "Indestructible", "Voices" e "Down With The Sickness". 

Foto: Rom Jom
Marilyn Manson retorna com novo visual e abandona efeitos cenográficos
Marilyn Manson realmente não é mais aquela criatura bizarra que causava arrepios na espinha da molecada. Seus shows também não são mais os teatros do absurdo, que impactavam fãs em todos os cantos do planeta (quem testemunhou algum sabe do que estou falando). A apresentação no Maximus Festival está longe de ser um show ruim, mas reafirma a falta de interesse do artista em manter a sua imagem de "Anti-Cristo", que tanto o consagrou. No palco, são pouquíssimas as referências ao tema e não há quase nenhum grande efeito cenográfico. Até quando queima a bíblia durante o show desta noite, o faz de forma quase despretensiosa. No entanto, o grande problema desse novo Marilyn Manson está em assumir de vez a sua nova faceta - o que fica comprovado na escolha do repertório, que inclui apenas duas músicas de seu último - e ótimo - disco, The Pale Emperor. Afinal, todo mundo sabe que Manson está muito mais interessado nas levadas classudas de músicas como "Deep Six" - que funciona de forma magistral no show - do que na berraria desesperada de seu maior sucesso, "The Beautiful People". Então, para a coisa ficar boa de verdade, basta apenas ele entender que a mudança não tem que ser apenas nos figurinos, e sim no formato como um todo. Mesmo assim, teve muita gente que curtiu e dançou ao som de "mObscene", "Tourniquet", e "Sweet Dreams" - esta com direito a pernas mecânicas e muletas gigantes.

Foto: Bruno Eduardo
Till Lindermann num dos momentos mais esperados da noite
Massacre. O show do Rammstein no Maximus Festival foi impecável em todos os sentidos. Músicas como "Hallellujah", "Feuer Frei!" e o hit "Du Hast" serviram como trilha sonora para um espetáculo visual memorável e rico em detalhes. Entre fogos de artifício e labaredas gigantes, o vocalista Till Lindemann interpretou diversos personagens - o que ajudou a criar uma atmosfera teatral ao show. Já o repertório da banda foi baseado principalmente em seu terceiro disco, Mutter (lançado em 2001). No final, um dos momentos mais esperados da noite: a faixa "Engel", que reserva o voo de Till com sua asa gigante (veja na foto acima). Após esse show apoteótico do Rammstein no Maximus Festival, o que veio antes corre o risco de ser esquecido rapidamente pelo público. 

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