sábado, 3 de setembro de 2016

Há 25 anos, o U2 disse adeus aos anos oitenta com o evolutivo 'Achtung Baby'

Em 1991 o U2 introduziu um novo conceito em sua obra com Achtung Baby
Por Rosangela Comunale

"Se nossos antigos fãs não aceitarem nossas mudanças é porque não evoluíram e o U2 não precisa deles mais. Os anos 80 morreram, estamos olhando pra frente". E foi assim que Bono Vox rebatia às críticas sobre a mudança drástica no som da banda logo no início dos anos 90. Afinal de contas, tratava-se de uma surpresa non grata para quem, na década anterior, curtia aquele som rebelde e contundente que arrebatava multidões  com gritos politizados como em “Sunday Bloody Sunday” ou “Pride (in the name of love)”, ambas representativas de momentos políticos impactantes mundialmente.

Mas estamos no ano de 1991, pouco depois da queda do muro de Berlim. Um marco que acabou não sendo histórico só para o mundo das relações políticas. Tudo isso porque foi nesta mesma época que o planeta recebe uma “boa” nova da banda mas que não foi exatamente boa assim para quem era fã das antigas. Surge o álbum Achtung Baby com uma proposta conceitual totalmente diversa.

Com letras mais introspectivas, densas e, por que não, poético-filosóficas (“Love is a temple, Love the higher Law”) como em “One”, a banda ainda perpassa por um viés experimental típico da época, a onda eletrônica Dance. E a mistura, convenhamos, deu certo o suficiente para surpreender quem deu de ombros ao perceber que tinha saído da linha rock blueseira do álbum anterior Rattle´n Hum.  

Taí a prova de que  Bono estava certo. O mundo passou a conhecer faixas como “Mysterious Ways” e “Even Better than the Real Thing”. E a mudança acabou rendendo frutos.  Aliás, depois de Achtung Baby, o futuro criativo da banda continuou com Zooropa (1993) e Pop (1997). Para muitos, os caras não acertaram em deixar as raízes musicais, o que, provavelmente, provocou a perda de fãs. Por outro lado, ganharam outros. Fato.

Aí você pode perguntar: e a veia politizada dos caras neste álbum? Foi pro ralo? Nada...

O trabalho conta com a faixa “Zoo Station” que remete a um episódio ocorrido na Segunda Guerra Mundial em Berlin quando um Zoológico foi bombardeado e os animais acabaram fugindo (“I´m ready to take it to the street, ready for the shuffle”). E ainda tem essa: Sabe o que quer dizer o nome do álbum? “Achtung” em alemão significa “Atenção”. E o “Baby” foi para remeter à influência ocidental que a Berlin oriental estava experimentando na época da queda do muro. Conceitualmente, o trabalho foi para ressignificar de uma forma musical o momento de transição por qual Berlin estava passando, saindo do Comunismo. Daí a razão de eles terem, inclusive, gravado o álbum lá. Sinal de que mudaram, “ma non troppo”.

Mas... Lembra da declaração lá no início? Achtung Baby foi mais uma lição de moral desses irlandeses - bem no estilo ativista, do qual levantam tantas bandeiras. Parafraseando Bono, mudar pode significar evoluir. Parece ser esta a lição que o álbum deixou aos seus seguidores. E talvez por isso, acabou se tornando o segundo disco mais vendido da banda, com 18 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro e um Grammy na coleção.

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