segunda-feira, 20 de julho de 2015

Matanza provoca catarse coletiva no Circo Voador e homenageia Tim Maia

Foto: Adriana Vieira
Jimmy homenageou Tim Maia em ótimo show do Matanza no Circo
Por Bruno Eduardo

O Circo Voador ficou pequeno para receber o lançamento do sétimo disco de estúdio do Matanza, Pior Cenário Possível. De acordo com a produção, mais de duas mil pessoas compareceram ao local para testemunhar um dos melhores shows do grupo nos últimos tempos. Com um repertório que se consolida a cada ano como um dos mais robustos do rock nacional, o Matanza entrou no palco com a rajada de um minuto "Pane nos Quatro Motores", do disco anterior, Thunder Dope, seguida pela primeira do novo disco na noite, "Matadouro 18". Segundo declarou o guitarrista Maurício Nogueira ao Rock On Board, um dia antes do show [leia a entrevista AQUI], o grupo ainda está testando as músicas novas para saber quais realmente podem se manter no set. Talvez por isso, eles escolheram as cinco primeiras do álbum e ainda anunciaram uma inédita ao vivo: "Sob a Mira". Deste, ainda rolaram "O Que Está Feito, Está Feito" - que inclui também o primeiro vídeo clipe do novo trabalho - e "A Sua Assinatura". 

Com quase vinte anos de estrada, o Matanza coleciona clássicos fundidos em uma fórmula que parece nunca perder a validade. Hinos absolutos como "Bom É Quando Faz Mal", "Pé na Porta, Soco na Cara" e "A Arte do Insulto" são exemplos de como o grupo conseguiu se consolidar no cena com seu country-rock-core-metal-cervejeiro. Por falar em cerveja, os barris de chopp do Matanza não foram suficientes para saciar a sede dos fãs - o tal "Clube dos Canalhas", de qual Jimmy disse estar prestes a perder sua carteirinha. Aliás, o Matanza conta com uma legião de seguidores das mais fiéis que se tem notícia. É praticamente uma reunião de fã-clube - daquelas dos tempos antigos mesmo. Todos estão lá. É gente uniformizada por todo canto; é menina de chifres luminosos (em alusão a música "Mulher Diabo); é banquinha vendendo todos os tipos de produtos possíveis com a marca da banda; é reunião de fã-clube sim! E a banda retribuiu essa devoção com um show pontual, totalmente fiel ao seu legado. 

O Matanza também prestou algumas homenagens. Falou da galera do Zumbi do Espaço (que subiu no palco antes), de Johnny Cash, e tratou de homenagear Tim Maia com a música "A Casa em Frente Ao Cemitério" - que também está presente em 'Pior Cenário Possível'. No canto esquerdo do palco, o baixista Dony Escobar estreava na casa, já Maurício Nogueira continua firme como único guitarrista do grupo, já que Donida não vem excursionando mais com a banda. Porém, Maurício segura a onda na boa, com riffs pesadíssimo, solos ultra-rápidos e grande desenvoltura em músicas de pegada country - como a ótima "Rio de Whisky". O pogo, que comeu solto durante quase duas horas de apresentação, chegou ao ápice em "Conforme Disseram as Vozes". Mas foi em "Ela Roubou Meu Caminhão", do melhor disco da carreira do grupo (Música Para Beber e Brigar), que o Circo Voador quase veio abaixo. 

"Estamos Todos Bêbados" - que mais parece uma cantoria digna de pub irlandês - e o trash crú de "O Chamado do Bar" encerraram a apresentação com um Dony Escobar de joelhos maltratando seu instrumento. Completamente emocionado e com um trapo ensopado de camisa nas mãos - que seria doado a uma fã colada ao palco -, Jimmy retribuiu a presença dos fãs com o último "Puta que Pariu Circo Voador" da noite - frase que soa como poesia pura aos ouvidos de seus fiéis seguidores.

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