quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DISCOS: SLEATER-KINNEY (NO CITIES TO LOVE)

SLEATER-KINNEY

No Cities To Love

Sub Pop; 2015

Por Luciano Cirne

Curto e grosso: 2015 está só começando, mas desde já, temos um seríssimo candidato a melhor CD do ano. Certamente uma das bandas mais injustiçadas e subestimadas de todos os tempos, o Sleater-Kinney paralisou suas atividades em 2006, um ano após o maravilhoso álbum The Woods - o primeiro lançado pela Sub Pop. Desde então, uma das vocalistas (e também guitarristas - a banda é notória pela ausência do baixo), a bela ruiva Corin Tucker gravou interessantes discos solo com uma pegada mais voltada para o folk mas que, por azar ou ignorância, também passaram em brancas nuvens; enquanto a outra vocalista e guitarrista Carrie Brownstein, a princípio tentou seguir em frente com a baterista Janet Weiss (sem dúvida a melhor baterista do sexo feminino na música atual) montando a banda Wild Flag que lançou um belo disco em 2011 mas que (advinhem só?) foi solenemente ignorado, levando-a a arriscar-se na televisão como atriz e roteirista, onde conseguiu resultados muito superiores (sua série humorística "Portlandia", inédita no Brasil, está atualmente na quarta temporada nos EUA, onde é sucesso de público e crítica). 

Contudo, mesmo com tantos percalços e com tantas bolas na trave, o prazer de tocar juntas acabou falando mais alto, o que fez elas finalmente resolverem se reunir para recomeçar de onde pararam (elas nunca terminaram oficialmente o conjunto; desde o primeiro instante deixaram claro que estavam apenas "dando um tempo") e agora, finalmente, um novo CD vê a luz do dia.

Que impressionante é No Cities To Love! Muito mais enérgico (com exceção da última faixa "Fade", todas as demais músicas são rápidas e nervosas), urgente (nenhuma canção chega a ter 4 minutos de duração e o disco em si mal chega a casa dos 30 minutos) e alto astral que o bonito mas melancólico trabalho anterior The Woods, o que sai das caixas de som é típico Sleater-Kinney: As melodias sincopadas, a sonoridade característica mesclando surf music, punk rock e new wave com letras engajadas e os arranjos onde as duas guitarras se contrapõem para preencher o vácuo deixado pela ausência do baixo (acreditem, mal dá para sentir a falta do mesmo de tão bem boladas que as linhas de guitarra são), que sempre foram marca registrada delas ainda estão lá, firmes e fortes em músicas maravilhosas como "Hey Darling", "Price Tag", "A New Wave" e a faixa título. 

Em um tempo onde atitude, autenticidade e criatividade parecem cada vez mais artigos escassos, a volta de uma banda como o Sleater-Kinney é uma alegria inenarrável. Se você nunca ouviu, "No Cities to Love" é um excelente cartão de visitas, e se você já conhece, não tem o que temer. Sejam bem-vindas de volta, meninas, o rock agradece! Ah, e melhor sorte de agora em diante, vocês merecem!

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