domingo, 10 de agosto de 2014

DISCOS: PENNYWISE (YESTERDAYS)

Foto: Pennywise / Yesterdays

PENNYWISE

Yesterdays

Epitaph; 2014

Por Luciano Cirne





Existem duas formas de analisarmos este disco. Uma por um ângulo mais positivo e saudosista e outra de um modo não tão legal assim. Como eu sou um eterno otimista, vamos primeiro ver as coisas pelo lado bom: Yesterdays soa como um retorno às origens do Pennywise. Primeiramente porque marca o retorno do vocalista Jim Lindberg à banda (o álbum anterior All Or Nothing contava com Zoli Teglas, que também é vocal do Ignite no gogó); e segundo porque apesar de ser um disco novo em folha, as músicas aqui presentes não são exatamente novas. Todos os sons do álbum na verdade foram compostos pelo antigo baixista Jason Thirsk antes do seu trágico suicídio em 1996, tornando Yesterdays uma espécie de disco-tributo (segundo na verdade, uma vez que Full Circle, lançado em 1997, também era dedicado a ele). 

Consequentemente, as músicas são mais alto-astral e enérgicas que as dos seus últimos trabalhos, que tinham uma verve mais séria e politizada. Ao todo temos 11 faixas que mal chegam aos 30 minutos no total (descontando a faixa-bônus gravada originalmente em 1989). Nestas, podemos sentir de perto a energia e a pegada típica que os fãs gostam em canções como “What You Deserve” e “Restless Time”.

Agora, se olharmos pelo outro lado, teremos a impressão de estar ouvindo uma banda acomodada, que soa quase como cover de si mesma. De todas as músicas de Yesterdays, duas são regravações: “No Way Out”, que originalmente era do EP Wildcard / A Word From The Wise e “Slowdown”, que, pasmem, já está na sua segunda (!!) regravação (apareceu pela primeira vez na coletânea “Punk Sucks”e algum tempo depois, numa versão quase idêntica no CD Unknown Road); ambas soando bastante burocráticas. 


Sendo assim, após uma audição crítica, fica uma incômoda sensação de que eles provavelmente atravessavam uma fase de entressafra criativa e resolveram a questão da maneira mais fácil e cômoda. Não é ruim, mas é um álbum que, na sua extensa discografia, não acrescenta praticamente nada. Fãs ferrenhos vão adorar, como sempre, mas ouvintes esporádicos o acharão apenas um disco razoável - o que é muito pouco para esta, que é uma das bandas mais importantes do cenário punk / hardcore atual.

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