segunda-feira, 14 de julho de 2014

DISCOS: PITTY (SETEVIDAS)

PITTY

Setevidas

Deck; 2014

Por Bruno Eduardo






O disco Chiaroscuro (lançado em 2009) foi uma rasteira óbvia e necessária nos fãs. Naquela ocasião, a roqueira rebelde dava adeus ao seu fã clube púbere - evidenciando assim, um processo de transformação que salvaria sua carreira artística para sempre. Levando esse aspecto de desprendimento como um fator positivo, SETEVIDAS pode ser considerado uma extensão de algo que ganhou sequência em Agridoce

Com a decisão de voltar a fazer rock, a cantora passou  por alguns problemas particulares e também sofreu com alguma baixas em sua vida profissional. O fato, é que tudo isso auxiliou no processo de composição do álbum - já que a ela conseguiu de forma sagaz se expressar artisticamente e dar algum sentido verdadeiro ao disco. Como já se tornou uma característica na carreira, suas letras parecem vir de um diário particular. Na maior parte de SETEVIDAS, Pitty tenta dizer que se encontra em fase  de recuperação. "Sigo tentando sair do fundo, nado, não quero morrer", diz no rock sombrio de "Pouco" - que abre o disco. 

Um resquício da véia Pitty ainda pode ser encontrado em "Deixa ela entrar" e no primeiro hit "Sete Vidas" - a mais comercial do álbum. Mas não importa. A coisa parece realmente fazer sentido na proposta exótica e sinuosa de "Serpente" e nas introspectivas "Pequena Morte" e "Lado de Lá". O rock vem forte no ritmo de marcha em "A Massa" e nas guitarras à QOTSA da excelente "Boca Aberta".

Em SETEVIDAS, Pitty abre suas asas e se joga firme em um voo livre, quase independente. O resultado não poderia ser melhor. Afinal, como tudo hoje acaba sendo possível através do mundo virtual, uma aventura é sempre bem vinda.


Ouça: "A Massa" 


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