domingo, 22 de junho de 2014

Discos: Bob Mould (Beauty And Ruin)

Imagem: Bob Mould / Beauty And Ruin

BOB MOULD
"Beauty And Ruin"
Merge Records; 2014
Por Luciano Cirne


Fato: todo roqueiro que se preza deveria, antes de dormir, fazer uma oração para o senhor Bob Mould (para o Ozzy também, mas isso já é outro papo). Afinal, poucos artistas foram tão influentes no cenário alternativo como ele. Se duvida, pergunte como sua seminal banda punk Hüsker Dü  foi importante para o Nirvana, Pixies, Sonic Youth, Green Day e Cia. Como se isso não fosse suficiente, nos anos 1990 ele esteve a frente do Sugar, que durou apenas dois discos e um EP, mas que rendeu inúmeros hits e até hoje possui um séquito de fãs apaixonados. Ainda assim, com um currículo acima de qualquer suspeita, este cinquentão não se aquietou (quem testemunhou seus shows no Brasil ano passado sabe bem disso); e seguiu em carreira solo lançando ótimos e relevantes trabalhos.

Beauty And Ruin”, o décimo de sua extensa discografia  (descontando os álbuns ao vivo) não foge à regra. Como foi composto e gravado durante um período complicado em sua vida (seu pai estava doente e veio a falecer), isso acabou se refletindo no clima das canções, um pouco mais pesadas  em termos musicais e nas letras, mais reflexivas e pessoais que em seu ensolarado álbum anterior “Silver Age” (que lembrava bastante o pop punk que fazia nos tempos do Sugar). A faixa de abertura “Low Season” pode causar uma primeira impressão errada com sua melancolia latente, mas o que dá o tom à bolachinha na maior parte dos seus 38 minutos são sons como “Hey Mr. Grey”, “Tomorrow Morning”, “I Don’t Know You Anymore” e “Little Glass Pill” que combinam fúria e melodia com perfeição, característica marcante de sua obra. 

Ao final da audição, uma certeza: as gerações mais novas precisam urgentemente conhecê-lo e dar a ele o devido reconhecimento - a música agradece. Ainda que não seja seu melhor trabalho, é um belo disco e é altamente recomendado.

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