Após sete longos anos de espera — e uma incômoda sequência de turnês internacionais pulando a capital fluminense —, Zakk Wylde e seus asseclas finalmente voltaram ao Rio de Janeiro. O local escolhido para esse reencontro foi a Sacadura 154, casa na região central da cidade que recebeu o Black Label Society e a banda Dark Chapel para uma noite de puro peso e nostalgia
Dark Chapel: A Faceta Autoral de Dario Lorina
O Dark Chapel nada mais é do que a banda paralela do guitarrista Dario Lorina do Black Label Society que iria fazer uma jornada dupla essa noite. Sendo sincero, não tinha muitas informações a respeito da banda e fui de peito e ouvidos abertos para assistir o que o Sr. Lorina tinha para nos mostrar.
Ainda com um reduzido público, o quarteto entrou no palco com "Afterglow" e de cara, apesar de ser uma boa canção, o vocal de Dario Lorina careceu de mais potência. Um pouco tímido, talvez, mas o fato é que a voz não estava acompanhando a qualidade instrumental. Um riff bem clichê trouxe "Hollow Life" a vida, mas ninguém pareceu e importar, curtindo muito o show.
A primeira vez que o nome de Dario Lorina apareceu no meu radar foi quando ele tocou com o falecido Jani Lane (Warrant) com um som bem comercial, mas o Dark Chapel é outra coisa, o que pode ser comprovado com "Hit Of Your Love", que apesar desse nome foi uma das mais pesadas do set-list.
Com Lorina nos teclados e uma voz super encaixada, "All That Remains" foi o melhor momento do show. Com uma pegada mais bluesy e melódica, foi a música que obteve mais repercussão junto aos presentes.
O cover de Bill Withers, "Ain't No Sunshine", e a ultrapesada "Burns The Flame" foram as derradeiras em um show curto, mas que serviu para mostrar as habilidades de Dario Lorina nas seis cordas, mas acho que o Dark Chapel soou um pouco parecido com o Black Label Society, fato que pode e deve ser observado para uma evolução melhor da banda e sair da sombra da banda principal do seu líder.
Black Label Society: Riffs Criativos, Caos e Homenagens Épicas
Com a Sacadura 154 um pouco melhor de público, mas ainda sim abaixo do que era esperado, Zakk Wylde e seu Black Label Society entraram de forma arrasadora com a já clássica "Funeral Bell" - provocando uma reação insana e tradicional dos cariocas. A catarse ficou ainda maior com "Name In Bood", do mais recente álbum do Black Label Society, Engines Of Demolition (2026).
Zakk continua o mesmo de sempre com a indumentária tradicional, ou seja, aquele kilt escocês e o jeito troglodita batendo no peito em meio aos tradicionais harmônicos artificiais da sua guitarra. Falando em guitarra, ainda mão me acostumei com ele usando super stratos e alavancas ao invés da sua Gibson Les Paul habitual. Mas seu talento continua intacto. Thanks God!
As músicas da banda evoluíram muito também! "Heart Of Darkness" é a prova disso, com Zakk e Dario Lorina se esmerando numa sequência de riffs muito criativos ao invés de somente ficarem solando sem parar, como tradicionalmente fazem. Isso mostra um amadurecimento que o tempo se encarrega de trazer. Mas o que veio em seguida tratou de colocar a casa abaixo. Zakk entrou ao fim da música no solo de "No More Tears" do Ozzy Osbourne e aí foi loucura! Êxtase total! Gerando inclusive o inesquecível coro de “OZZY, OZZY, OZZY”, em uma merecida homenagem a um dos criadores do Heavy Metal.
Outra homenagem veio em seguida com “In This River” que foi composta em homenagem ao saudoso guitarrista do Pantera, Dimebag Darrell. Com Zakk nos teclados, Dario Lorina tomou o protagonismo e replicou o solo original com maestria, mostrando que é mais do que mero figurante ao lado do seu patrão - que fez questão de dividir os solos na ótima “The Blessed Hellride”, e seu tempero Southern Rock. Em “Set You Free”, direito a uma saraivada de solos insanos, com a dupla debulhando com as guitarras. Memorável!
Um momento marcante foi na clássica dobradinha do álbum Máfia (2005). “Fire It Up” continua sendo uma música incrível ao vivo. No meio dela, inclusive, várias bolas de plástico foram arremessadas pelo público, com uma delas atingindo em cheio a cabeça de Zakk Wylde, que tomou um susto no palco.
Depois foi a vez do hit “Suicide Messiah” e o jogo que já estava ganho virou goleada! O público cantando alto, os fãs enlouquecendo e eis que de repente os PAs apagaram e o som desapareceu. A galera continuou cantando mesmo assim, mas ficou inviável continuar. A banda toda saiu do palco para que os problemas técnicos fossem resolvidos, e após tudo acertado, eles voltaram exatamente de onde pararam. Outro nível, meus amigos!
Todos sabem a importância do Ozzy Osbourne na carreira de Zakk e a homenagem definitiva ao seu eterno mentor veio em “Ozzy’s Song”, canção presente no mais recente álbum do BLS. Muito gente se emocionou neste momento. Não dava para ser diferente e foi inesquecível.
O show chegou ao seu fim com mais uma favorita dos fãs, “Stillborn”, que saciou a expectativa dos fãs. Foi um ótimo show, mas uma hora e vinte de apresentação deixou muita gente com um gostinho de quero mais.






