Uma das figuras mais emblemáticas e influentes da história do heavy metal mundial está de volta aos holofotes com um novo projeto autoral. O guitarrista e vocalista Kai Hansen — cofundador do Helloween e líder do Gamma Ray — acaba de colocar nas plataformas de streaming seu mais novo álbum solo, intitulado Born With A Hammer, editado mundialmente via earMUSIC.
Reconhecido historicamente como um dos grandes arquitetos e pioneiros do power metal europeu, Hansen aproveitou uma brecha em sua concorrida agenda com o Helloween e o Gamma Ray para dar vida a um trabalho que explora novas facetas de sua musicalidade.
Em Born With A Hammer, o músico apresenta dez faixas inéditas que expandem suas raízes pesadas em direção a uma sonoridade calcada no hard rock clássico, na urgência do heavy metal tradicional e na energia crua e direta do punk rock.
Um exemplo claro disso está em “I.D.G.A.F.” — “não estou nem aí” —, um híbrido entre Alice Cooper e Iggy Pop, com uma bateria eletrônica propositalmente irritante. Ao longo das dez faixas, Born With A Hammer permite que Kai Hansen transite por diferentes influências sem perder a coesão.
Para a construção do disco, Kai reuniu uma escalação de peso, formada por amigos e músicos consagrados do cenário internacional. A produção do álbum foi assinada por Eike Freese (Dark Age), que também contribuiu com as guitarras ao lado de Tim Hansen, guitarrista do Induction e filho de Kai.
A turma que gravou o disco é completada pelo guitarrista Alexander Dietz (Heaven Shall Burn), que aqui assume a responsabilidade pelo baixo, e pelo baterista Dan Wilding (Carcass), garantindo uma cozinha agressiva e precisa.
Como mencionei antes, um dos grandes momentos do disco fica por conta da empolgante “I.D.G.A.F.”, que resgata o espírito festivo do hard rock dos anos 1970. Com dinâmicas marcantes de “gritos e respostas” nos vocais e arranjos diretos, a faixa parece feita para agitar o salão na hora do show e levantar os punhos.
Para os admiradores do peso e da velocidade que consagraram o músico, o álbum reserva faixas como “End Of The Road” e a agressiva “Wonderland”. Esta última se destaca especialmente por resgatar os agudos rasgados e o vocal característico da primeira fase da carreira de Kai no Helloween dos anos 1980, mostrando que sua assinatura vocal permanece viva.
Antes da chegada do álbum completo, o público conheceu parte da diversidade proposta pelo trabalho por meio de três singles antecipados: “Feeding The Beast”, “Welcome To Life” e “Wait And See”.
As composições antecipavam uma atmosfera festiva, vibrante e descompromissada que permeia toda a audição, pensada para resgatar a essência do rock clássico sem perder o peso característico do guitarrista alemão.
O grande ápice do trabalho talvez esteja na monumental faixa-título, “Born With A Hammer”. Com mais de oito minutos de duração, a canção é realmente épica, começando em uma atmosfera serena de balada até desdobrar-se em arranjos bombásticos.
Sem esquecer de incluir, no meio do caminho, corais imponentes que lembram o Queen, além de solos de guitarra cujas melodias remetem diretamente ao estilo de Brian May. A faixa termina criando uma dinâmica desenhada propositalmente para grandes festivais.
Um tributo? Por que não?
Se é um álbum para fugir do campo mais óbvio das bandas oficiais de Kai, então é válido fazer tudo aquilo que seria menos esperado de um dos líderes do Helloween.
Em suma, Born With A Hammer reafirma a vitalidade artística de Kai Hansen ao unir tradição, versatilidade e a pura celebração do rock 'n' roll.
O álbum já está disponível nas principais plataformas de streaming, além de formatos físicos em CD Digipak, vinil 180g e edição especial em Picture Disc LP.

