A lona do Circo Voador, tradicional palco da boemia e da vanguarda cultural carioca, prepara-se para receber um dos eventos mais simbólicos e potentes do calendário musical do país. Um momento histórico.
No próximo dia 26 de setembro, sábado, a partir das 20h, o templo da Lapa será cenário do encontro entre o rock psicodélico histórico da pernambucana Ave Sangria e a inovação prog rock da paraibana Papangu. A noite ainda conta com a abertura da banda Zepelim e o Sopro do Cão, completando um cardápio 100% nordestino, focado na celebração da música sem fronteiras.
A Vanguarda do Som: Papangu Apresenta "Celestial"
Um dos grandes destaques do evento é a apresentação oficial e em primeira mão de Celestial, o terceiro álbum de estúdio do grupo paraibano Papangu. Lançado em 7 de agosto pela Deckdisc, o trabalho consolida a reputação da banda na criação do autointitulado "rock troncho" — uma mistura audaciosa e sem amarras que une rock progressivo clássico, MPB, metal extremo, zeuhl, ciranda e forró.
O disco traz uma experiência puramente orgânica, tendo sido gravado inteiramente de forma analógica em Berlim, na Alemanha, utilizando fita magnética de duas polegadas, sem a intervenção de computadores ou plugins.
Dividido conceitualmente em 10 partes — com faixas como "Mau-Olhado", "Colosso", "Calado (de Olho)" e "Celeste" —, o álbum explora narrativas sobre a era da inteligência artificial e rituais de proteção do corpo e do espírito.
O público do Circo Voador presenciará a estreia ao vivo dessa verdadeira suíte sonora, executada com a fúria e o rigor técnico característicos da banda.
A Resistência e o Reconhecimento: A Trajetória de Ave Sangria
Com mais de meio século de existência, o Ave Sangria sobe ao palco trazendo consigo não apenas o peso de sua discografia marcante, mas também uma vitória histórica da liberdade artística.
Representante absoluto da psicodelia nordestina nos anos 1970, ao lado de nomes contemporâneos como Novos Baianos, a banda teve sua trajetória bruscamente interrompida durante a ditadura militar.
Em 1974, após o lançamento de seu primeiro LP, a faixa "Seu Waldir" foi banida pelos censores sob a alegação de teor homossexual, por ser cantada por um homem.
O recolhimento forçado dos discos e a pressão política levaram à dissolução precoce do grupo. O reconhecimento completo do Estado veio apenas em 26 de março de 2026, quando a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos julgou o caso em Brasília, concedendo anistia, indenização e um pedido formal de desculpas aos integrantes pela perseguição política sofrida.
Hoje, reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife (título concedido em 2023), os veteranos continuam na ativa.
O repertório para a lona vai passear pelo icônico álbum homônimo de 1974 e pelas faixas de Vendavais (2019), disco de inéditas lançado 45 anos após a estreia e aclamado pela crítica.
Abertura com Zepelim e o Sopro do Cão
A responsabilidade de abrir os trabalhos da noite fica por conta do projeto Zepelim e o Sopro do Cão.
O grupo traz para o palco uma fusão energética que cruza as influências do rock brasileiro da década de 1990, a agressividade do hardcore e a métrica do rap, preparando o terreno e aquecendo o público para as atrações principais.
Noite de Rock and Roll completa, de talento extraordinário, feito totalmente no Brasil.
PAPANGU + AVE SANGRIA NO RIO DE JANEIRO
Data: sábado, 26 de setembro de 2026
Local: Circo Voador (Lapa, Rio de Janeiro)
Horário: abertura dos portões às 20h
Ingressos: Eventim
Lote 1: R$ 70 (meia) / R$ 140 (inteira)
Lote 2: R$ 80 (meia) / R$ 160 (inteira)
Lote 3: R$ 90 (meia) / R$ 180 (inteira)
Lote 4: R$ 100 (meia) / R$ 200 (inteira)

