O aguardado setlist do Sepultura, focado na fase de Derrick Green no Rock in Rio 2026 coloca em evidência uma discografia marcada por ousadia temática, literatura, peso e resiliência. Entre a virada do milênio e os anos 2000, cada lançamento consolidou a identidade do "novo" Sepultura pós-1996.
A entrada de Derrick Green em 1997 para a gravação de Against (1998) deu início a uma das transições mais desafiadoras da história do heavy metal. Substituir o vocalista e fundador Max Cavalera exigiu não apenas um alcance vocal brutal, mas a reconstrução da dinâmica interna da banda ao lado dos membros remanescentes na época Andreas Kisser, Paulo Xisto e Iggor Cavalera.
Após mais de quatro décadas na linha de frente do metal mundial, o Sepultura se prepara agora para o encerramento definitivo de suas atividades com a turnê Celebrating Life Through Death com os capítulos finais no Rio de Janeiro e São Paulo, nos shows do Rock in Rio e o grande finale da turnê na Arena Pacaembu, respectivamente. Definitivamente, é o fim de uma das trajetórias mais vitoriosas e influentes da música pesada brasileira e mundial. Tudo foi planejado meticulosamente para se transformar em um ato de celebração, culminando nos dois momentos históricos.
A influência e inspiração do Sepultura é notável em lugares tão distantes como Índia, Bangadlesh, China, Mongólia, Argentina, Finlândia, Eslováquia, Grécia, Colômbia e claro, toda a cena nu metal norte-americana. Do Slipknot ao Faith No More e tantos outros nomes como Korn, A.N.I.M.A.L. admitem a influência e respeito pelo Sepultura.
O show final da turnê mundial, já com a integração completa do baterista substituto Greyson Nekrutmam (que teve a complicada tarefa de assumir as baquetas com a saída repentina do Eloy Casagrande), cerca de dois meses após o Rock in Rio, será um mini-festival com convidados como Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich.
Em entrevista ao jornal O Globo durante a edição portuguesa do festival Rock in Rio, o guitarrista Andreas Kisser resumiu a consciência madura do quarteto diante do adeus:
"Não adianta agora a gente falar, ‘ah, tá legal, eu vou continuar’, porque a gente estaria se enganando também. Planejamos durante muito tempo fazer essa despedida pra gente curtir, pra gente celebrar (...). Foram dois anos de preparo, antes do anúncio, de falar com todo mundo, para ter certeza de que esse era o caminho mesmo. E assim foi feito. Acho que tá sendo muito melhor do que eu imaginava."
Evolução, Conceito e Experimentação:
Ao longo de quase três décadas, a era Derrick Green provou sua relevância através de trabalhos conceituais ousados, literários e sonoramente agressivos:
Against (1998): focado no álbum de estreia de Derrick Green, ressaltando o contexto de transição, a parceria com Iggor Cavalera na bateria, as influências tribais/Taiko e faixas de destaque como "Choke" e "Against".
Nation (2001): Obra utópica sobre uma nação sem fronteiras unida pela música, com participações de Jello Biafra (Politiks), Jam Master Jay e Apocalyptica.
Revolusongs (EP - 2002/2003): Lançado no Brasil e no Japão em novembro de 2002 (e relançado em 2003 no álbum Roorback), trouxe releituras de nomes como Massive Attack, Devo e o grande destaque foi a versão groove metal de "Bullet the Blue Sky" (do U2). A interpretação vocal de Derrick Green — alternando entre passagens faladas e vocais guturais rasgados no refrão — potencializou o tom de denúncia política sobre o militarismo e a intervenção estrangeira na América Latina, tema central da letra original de Bono Vox. Foi promovida com um videoclipe de forte engajamento social dirigido por Ricardo Della Rosa.
Roorback (2003), destacando o contexto do disco, a formação da banda, o estilo sonoro mais direto e focado no thrash/hardcore, além de faixas de destaque como "Mind War" e "Apes of God".
Dante XXI (2006): Inspirado na Divina Comédia de Dante Alighieri, fundiu thrash metal com arranjos orquestrais, sendo o último disco gravado com Iggor Cavalera.
A-Lex (2009): Baseado no romance Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, trouxe uma estrutura dividida em atos e forte influência erudita.
The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013): Inspirado no filme Metrópolis (1927) e produzido por Ross Robinson, marcou a estreia do baterista Eloy Casagrande com uma sonoridade crua e agressiva.
Machine Messiah (2017): álbum conceitual inspirado na ideia de um salvador biomecânico e a robotização da sociedade.
Quadra (2020): focado no conceito do número quatro, dividindo os temas e estilos musicais do álbum (thrash, groove/percussivo, progressivo/instrumental e orquestral), além de destacar faixas como "Isolation" e "Guardians of Earth".
Celebrar a fase Derrick Green no Palco Mundo reafirma a coerência de uma formação que manteve a banda relevante por 28 anos. Sem depender exclusivamente do repertório dos anos 1980 e 1990, o Sepultura sai de cena no topo, honrando a própria trajetória com orgulho e respeito aos seus fãs.
Sepultura abre o Palco Mundo do Rock in Rio no dia 5 de setembro às 16:40 antes do Machine Gun Kelly, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold).
O sábado do primeiro final de semana do festival carioca está mais para um Knotfest ou Ozzfest com um line-up que ainda tem nos outros palcos Russell Allen - vocalista do Symphony X - como convidado do Noturnall, além da presença de Malvada, Bad Omens, Korzus, MC Taya, Poppy, Quantum, Nervosa com o Black Pantera, Canto Cego e Supercombo.
A maratona de rock pesado é exaustiva e dinâmica no dia 5 de setembro.
Palco Supernova
14h30 - Zerobadass
16h00 - Mc Taya
18h00 - Lvcas
20h10 - Supercombo
Palco Global Village
15h00 - Rhegia
16h50 - Noturnall + Russell Allen
19h10 - Korzus
Espaço Favela
15h00 - Quantum
16h50 - Canto Cego
19h10 - Major RD
Palco Sunset
15h30 - Malvada convida Day Limns
17h50 - Black Pantera convida Nervosa
20h10 - Poppy
22h50 - Bad Omens
Palco Mundo
16h40 - Sepultura
19h00 - MGK
21h20 - Bring Me The Horizon
00h05 - Avenged Sevenfold
