| Foto David Oliveira |
O chamado “Legends Day” do Rock in Rio Lisboa pode não ter sido um esperado sucesso de público, uma vez que os ingressos do dia não esgotaram, mas também não dá para dizer que não foi um acerto da organização do festival. Com um elenco de artistas de diferentes estilos e décadas da história da música, o dia dedicado aos clássicos revelou-se um dos mais divertidos do festival. E como o Parque Tejo não estava superlotado, foi também um dia em que o público presente pôde se espalhar um pouco mais, se sentir mais confortável no espaço e se divertir e dançar melhor do que nas noites anteriores com lotação esgotada.
Principal atração da noite, o cantor britânico Rod Stewart era a garantia de um desfecho apoteótico. Há uma semana, porém, o cantor despertou uma preocupação uma vez que havia passado mal durante um concerto em West Valley City, nos Estados Unidos. Somando isso às dificuldades de saúde que o cantor de 81 anos vinha enfrentando nos últimos meses, havia uma certa apreensão sobre como seria o show. E até mesmo se ele iria acontecer. No entanto, não bastaram mais do que duas músicas para se perceber que Stewart aparentava estar mais saudável do que muitos jovens da plateia.
Com um show extremamente rico musicalmente, uma banda de apoio afiadíssima e backing vocals multi-instrumentistas como coprotagonistas no palco, Stewart promoveu uma viagem no tempo musical.
Cantou sucessos próprios, fez releituras de clássicos da música que vem fazendo parte do seu repertório na atual turnê One Last Time e, acima de tudo, criou um ambiente de uma festa no Parque Tejo marcada pela nostalgia que foi abraçada de corpo e alma pelo público do festival. Público este que que neste sábado claramente tinha uma média de idade mais alta do que nos dois dias anteriores de Rock in Rio Lisboa.
Stewart iniciou o show com “Infatuation”, canção do álbum Campuflage (1984). Logo nesta primeira canção, o cantor já mostrava qual seria a assinatura do seu concerto. Uma apresentação cheia de ritmo, dançante, com um toque de rock sessentista e um protagonismo frequente dos seus bons músicos de apoio. A banda que vem acompanhando Stewart na turnê é formada por Jim Creagan (guitarra), Emerson Swinford (guitarra), Conrad Korsch (baixo), David Palmer (bateria), J´Anna Jacoby (violino, bandolim e guitarra) e Katja Rieckermann e Jimmy Roberts (saxofone).
Na sequência vieram três covers: “Having a party”, de Sam Cooke, “It’s a heartache”, de Bonnie Tyler, e “It takes two”, de Kim Weston. Foi um momento em que Stewart fez uma pausa também para falar de outra de suas paixões, o futebol: Boa noite, meus amigos. Portugal vai ganhar a Copa do Mundo? – perguntou antes de ouvir um sonoro sim da plateia.
| Foto Gonçalo Silva |
O show de Stewart, aliás, começou mais cedo porque o Rock in Rio Lisboa transmitiria nos telões a partida entre Portugal e Colômbia pelo Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México.
O cantor estava à vontade no palco e com uma forma vocal invejável. “Forever Young” veio na sequência como um um recado do seu estado de espírito soltinho. Na sequência, o show ganhou um tom mais calmo com “First Cut Is The Deepest”, mas logo ele ganharia um novo ritmo acelerado com “Hot Legs”.
Neste ponto já se notava o protagonismo das três backing vocals de Stewart. Joanne Bacon, Becca Kotte e Holly Brewer desempenham um papel central no concerto do cantor. Além de tocarem vários instrumentos ao longo do show, especialmente violino, elas frequentemente vão para a frente do palco para fazerem coreografias ao lado do cantor ou sozinhas, fazer interações diretas com o público e até cantarem sozinhas canções para que Stewart possa trocar de figurino e, claro, descansar um pouco durante a apresentação. É o que acontece quando elas cantam “Jolene”, de Dolly Parton, e “Proud Mary”, clássica canção de Creedance Clearwater Revival. O trio faz um espetáculo à parte que só enriquece a apresentação de Stewart.
| Foto David Oliveira |
Além de cantar sucessos como “Maggie May”, que começou num ritmo lento, para depois explodir numa grande celebração de classic rock, e “Young Turks”, Stewart também dedicou uma canção ao povo ucraniano, sofrendo com a guerra com a Rússia desde 2022, e cantou “People Get Ready”, música sobre o movimento de direitos civis americanos.
O final do show foi reservado para uma sequência de sucessos: “Baby Jane”, “Do Ya Think I´m Sexy”, “Sailing” e “Love Train”, que fechou a apresentação de Stewart com chave de ouro. Quem esteve presente no Parque Tejo poderá dizer que viu uma verdadeira lenda que entregou tudo o que se espera dele no palco.
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