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O Retorno do Anticristo Superstar (1996–2026)
Três décadas após o lançamento de sua obra mais divisiva e ambiciosa, Marilyn Manson se prepara para fechar um ciclo que começou em 1996. O artista confirmou que celebrará os 30 anos de Antichrist Superstar com duas noites históricas no icônico Wiltern Theatre, em Los Angeles.
No dia 9 de março de 2026, foi confirmado que Manson fará sua primeira aparição em Los Angeles desde 2018. As datas escolhidas não poderiam ser mais emblemáticas: 31 de outubro (Halloween) e 1 de novembro. Gravado nos estúdios de Trent Reznor (líder do Nine Inch Nails) em Nova Orleans, Antichrist Superstar não foi apenas um álbum de rock industrial; foi uma operação de guerra cultural. Manson, sob a tutela de Reznor, equilibrou com maestria a linha entre o rock alternativo e o heavy metal, inundando as faixas com sintetizadores densos e uma atmosfera de horror gótico.
O visual, fundamentado na estética bondage e no choque visual extremo, serviu como a estrutura perfeita para chocar um mundo que ainda não estava pronto para o que Manson tinha a dizer. Com a marcha quase militar de "The Beautiful People" em alta rotação na MTV, ele se tornou o símbolo definitivo de rebeldia, projetado para o valor máximo de choque contra a sociedade norte-americana.
Ao contrário do que os críticos da época pregavam, o álbum não era uma celebração ao satanismo, mas uma crítica feroz à moralidade americana, explorando o fascismo, a cultura de celebridades e a desconstrução da fé. Como o próprio Manson afirmou, a intenção era mostrar que a execução de uma moral hipócrita é, em si, o verdadeiro "Anticristo".
Quase como um roteiro de filme de horror, o álbum foi pensado nos mínimos detalhes ao ponto de muitos acharem que Manson era realmente um demônio a ser combatido pela moral e os bons costumes. Virou o inimigo número um da igreja, do estado e da família. No Brasil, a polêmica gerou ingressos esgotados no Olimpía quando o Marilyn Manson trouxe a turnê do álbum, a Dead To the World Tour, no dia 8 de setembro de 1997.
A Filosofia dos Três Ciclos dentro do setlist:
O álbum é estruturado como uma trajetória de degradação e ascensão, dividida em três partes distintas que espelham a evolução de uma persona dentro de uma sociedade falha:
O Hierofante: o início da jornada, marcado pela submissão e pela observação das irregularidades do sistema.
A Inauguração do Verme: a transformação dolorosa, onde a autoconsciência começa a emergir da lama da rejeição.
A Ascensão do Desintegrador: o clímax onde o "Superstar" (uma analogia ao Übermensch de Nietzsche) se torna o espelho da corrupção mental que a sociedade tanto repudia, mas secretamente exalta.
No fim das contas, a mensagem subjacente permanece atual: uma sociedade de livre pensamento é uma perspectiva muito mais aterrorizante para o sistema do que um artista com maquiagem zombie-chic. O Anticristo Superstar não reivindica ser um deus; ele apenas aponta para aqueles que tentam controlar você.
O Wiltern Theatre, com sua arquitetura Art Déco deslumbrante na esquina da Wilshire Boulevard com a Western Avenue, será o palco para uma curadoria especial em dois atos. Além de revisitar a narrativa assustadora do álbum de 1996, o show passará por sucessos essenciais de toda a sua infame trajetória, incluindo a nova fase One Assassination Under God.
A agenda de 2026 de Marilyn Manson será marcada por três fases distintas.
A Turnê de Primavera (One Assassination Under God) inicia em 23 de abril no Yaamava' Theater (CA), passando por cidades como Nashville e festivais como o Sick New World.
No verão, Manson une forças a Rob Zombie na turnê Freaks on Parade, com 21 datas pela América do Norte acompanhados pelas bandas The Hu e Orgy. O ápice do ano ocorre nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, com o Especial de 30 Anos do Antichrist Superstar em duas noites exclusivas de Halloween no lendário The Wiltern, em Los Angeles.
Uma noite aterrorizante com um dos performers mais cancelados e polêmicos da música dos últimos 33 anos. Com certeza do lado de fora multidões tentarão salvar as almas dos participantes do ritual obsceno e satânico do sádico e perverso cantor. Nada mais Estados Unidos do que Marilyn Manson odiado cantando para seu rebanho num teatro clássico de Los Angeles. Como sempre, cada milímetro pensado para criar comoção.
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