Lollapalooza Brasil 2026: crônica de um domingo de sol

Nina Maia - Reprodução Lollapalooza

​Balu Brigada: O "Groove" Neozelandês que Conquistou Interlagos

​Para um público que nunca ouviu Capital Cities, New Radicals, Los Hermanos ou Arctic Monkeys, o Balu Brigada surge como a última Coca-Cola disponível na geladeira: refrescante, doce, efervescente e prazerosa. É um alívio imediato.

​Houve gritos — muitos gritos. No palco, a estética era única: camiseta azul da seleção brasileira, boné rosa da Colômbia e óculos escuros que nunca saíam do rosto. Formado em Auckland em 2016, o duo de indie rock é liderado pelos irmãos multi-instrumentistas Henry e Pierre Beasley. A química fraternal trouxe uma mistura de guitarras que remete instantaneamente a um "momento Muse", mas com a leveza do pop alternativo que marca seus EPs I Should Be Home (2022) e Find a Way (2023), além do recém-lançado álbum de estreia, Portal (2025).


​No momento do cover de Hall & Oates, a apropriação foi tamanha que não se reconhecia um único pedaço da canção original — uma reinvenção impressionante. Mas o que marcou o show foi o baile e a vibração positiva. Mesmo tocando cedo no palco Flying Fish, o sucesso foi absoluto: leques batendo no compasso e letras na ponta da língua.

Nina Maia - Reprodução Lollapalooza

Nina Maia: Entre o Cinema e o Indie Experimental

Nina Maia aposta em uma sonoridade "indie cabeça", misturando instrumentistas clássicos a uma banda de pop rock. Com uma bagagem densa, Nina já colaborou em trilhas sonoras de seis longas-metragens nacionais como cantora e compositora. Sua jornada solo, iniciada em 2021 com o single "De Dentro" — co-produzido por ela em parceria com Lúcio Maia (Nação Zumbi) —, floresceu no palco do Lolla.

​Imagine uma Adriana Calcanhotto ou Marisa Monte mergulhada em uma onda Fiona Apple ou Björk. Debaixo de um sol de dar insolação, entre cantos e coreografias, ela triunfou com seu figurino preto, apresentando seu repertório para fãs de Lorde e Addison Rae que já montavam acampamento. Segunda artista a pisar no palco Samsung nesta tarde de domingo com "clima de praia", Nina cantou para uma plateia de shorts e sungas, celebrando o fato de que a chuva prometida nunca deu as caras neste fim de semana.

Papangu - Reprodução Lollapalooza

​Papangu: Os Deuses do "Rock Troncho" na Colina

​O Papangu encerrou sua apresentação no anfiteatro natural, no topo da colina, como verdadeiros deuses emergentes. Originária de João Pessoa (PB) e formada em 2012, a banda é uma das maiores promessas do rock progressivo e metal nacional, famosa por fundir o "peso" com jazz, MPB e elementos da cultura nordestina.

​O grupo — composto por Marco Mayer, Hector Ruslan, Raí Accioly, Pedro Francisco, Rodolfo Salgueiro e Vitor Alves — despejou notas complexas que atravessam desde o aclamado Holoceno (2021) até o épico Lampião Rei (2024), disco que consolidou o estilo "cangaço novo" com influências de Hermeto Pascoal. Recentemente, lançaram o single "Calado (de Olho)", antecipando o projeto Celestial.


​Muitas pessoas vestiam as camisetas da banda, que já foi comparada a gigantes como Sepultura e Angra. No topo da colina, o nome "Papangu" — que remete ao personagem mascarado do carnaval de Bezerros — ganhou um novo significado: o de uma força imparável do rock brasileiro contemporâneo.

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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