| Nina Maia - Reprodução Lollapalooza |
Balu Brigada: O "Groove" Neozelandês que Conquistou Interlagos
Para um público que nunca ouviu Capital Cities, New Radicals, Los Hermanos ou Arctic Monkeys, o Balu Brigada surge como a última Coca-Cola disponível na geladeira: refrescante, doce, efervescente e prazerosa. É um alívio imediato.
Houve gritos — muitos gritos. No palco, a estética era única: camiseta azul da seleção brasileira, boné rosa da Colômbia e óculos escuros que nunca saíam do rosto. Formado em Auckland em 2016, o duo de indie rock é liderado pelos irmãos multi-instrumentistas Henry e Pierre Beasley. A química fraternal trouxe uma mistura de guitarras que remete instantaneamente a um "momento Muse", mas com a leveza do pop alternativo que marca seus EPs I Should Be Home (2022) e Find a Way (2023), além do recém-lançado álbum de estreia, Portal (2025).
No momento do cover de Hall & Oates, a apropriação foi tamanha que não se reconhecia um único pedaço da canção original — uma reinvenção impressionante. Mas o que marcou o show foi o baile e a vibração positiva. Mesmo tocando cedo no palco Flying Fish, o sucesso foi absoluto: leques batendo no compasso e letras na ponta da língua.
Nina Maia: Entre o Cinema e o Indie Experimental
Nina Maia aposta em uma sonoridade "indie cabeça", misturando instrumentistas clássicos a uma banda de pop rock. Com uma bagagem densa, Nina já colaborou em trilhas sonoras de seis longas-metragens nacionais como cantora e compositora. Sua jornada solo, iniciada em 2021 com o single "De Dentro" — co-produzido por ela em parceria com Lúcio Maia (Nação Zumbi) —, floresceu no palco do Lolla.
Imagine uma Adriana Calcanhotto ou Marisa Monte mergulhada em uma onda Fiona Apple ou Björk. Debaixo de um sol de dar insolação, entre cantos e coreografias, ela triunfou com seu figurino preto, apresentando seu repertório para fãs de Lorde e Addison Rae que já montavam acampamento. Segunda artista a pisar no palco Samsung nesta tarde de domingo com "clima de praia", Nina cantou para uma plateia de shorts e sungas, celebrando o fato de que a chuva prometida nunca deu as caras neste fim de semana.
O Papangu encerrou sua apresentação no anfiteatro natural, no topo da colina, como verdadeiros deuses emergentes. Originária de João Pessoa (PB) e formada em 2012, a banda é uma das maiores promessas do rock progressivo e metal nacional, famosa por fundir o "peso" com jazz, MPB e elementos da cultura nordestina.
O grupo — composto por Marco Mayer, Hector Ruslan, Raí Accioly, Pedro Francisco, Rodolfo Salgueiro e Vitor Alves — despejou notas complexas que atravessam desde o aclamado Holoceno (2021) até o épico Lampião Rei (2024), disco que consolidou o estilo "cangaço novo" com influências de Hermeto Pascoal. Recentemente, lançaram o single "Calado (de Olho)", antecipando o projeto Celestial.
Muitas pessoas vestiam as camisetas da banda, que já foi comparada a gigantes como Sepultura e Angra. No topo da colina, o nome "Papangu" — que remete ao personagem mascarado do carnaval de Bezerros — ganhou um novo significado: o de uma força imparável do rock brasileiro contemporâneo.
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