Você sabia que Bryan Adams, que chega ao Brasil nesta semana, foi bastante comparado ao Def Leppard em um determinado momento da carreira? Embora ambos tenham emergido no fim dos anos 70 e dominado as rádios americanas com hinos de arena nos anos 80, a associação sempre gerou incômodo entre os fãs do Leppard, que viam a comparação como uma leitura simplista — e até pejorativa — da identidade da banda.
No entanto, essa comparação ganhou força especialmente no início dos anos 90, quando a produção polida e o direcionamento das composições de ambos apontavam para hinos de arena com forte apelo radiofônico. O próprio Joe Elliott, vocalista do Def Leppard, reconheceu a semelhança em entrevistas — chegando a brincar que Bryan Adams “poderia facilmente ser um membro do Def Leppard”.
Efeito Robert “Mutt” Lange
A associação entre Bryan Adams e o Def Leppard tinha um ingrediente decisivo: o produtor Robert John Lange, o lendário Robert “Mutt” Lange. Foi ele quem ajudou a esculpir o som refinado, melódico e monumental do Leppard em álbuns seminais como High ’n’ Dry (1981), Pyromania (1983) e Hysteria (1987), definindo o padrão de produção do hard rock de arena nos anos 80.
No início dos anos 90, Lange levou essa mesma obsessão por camadas vocais, guitarras cristalinas e refrões milimetricamente construídos para o trabalho com Bryan Adams em Waking Up the Neighbours (1991). O resultado foi um salto ainda mais grandioso na sonoridade do canadense — culminando no fenômeno global “(Everything I Do) I Do It for You”, um dos maiores hits da década.
A semelhança: refrão grande e apelo global
Separando o joio do trigo
Bryan Adams construiu sua carreira sobre refrões diretos, guitarras limpas e canções pensadas para serem cantadas em coro, do início ao fim. Já o Def Leppard, especialmente na era Hysteria, trilhou caminho semelhante em termos de ambição radiofônica — porém com uma produção milimetricamente polida, camadas vocais quase cirúrgicas e uma engenharia sonora digna de laboratório. Ambos entenderam cedo que o rock dos anos 80 precisava ser melódico, acessível e grande o suficiente para estádios. A diferença sempre esteve na atitude e na identidade.
O Def Leppard nasceu dentro da New Wave of British Heavy Metal. Mesmo quando abraçou o pop e dominou as FMs, manteve a herança do peso, das guitarras dobradas e de uma estética que dialogava com o glam metal. Bryan Adams nunca foi metal. Nunca foi glam. E jamais foi excessivo. Seu caminho apontou para o heartland rock — mais próximo de Bruce Springsteen do que de Mötley Crüe — sustentado por narrativa direta, romantismo sem rodeios, trilhas de cinema e baladas que atravessaram gerações.
Enquanto o Def Leppard soava como uma máquina de hits arquitetados em estúdio, Adams sempre pareceu um contador de histórias com guitarra na mão — menos pirotecnia, mais essência.
Compará-los pode até fazer sentido histórico. Musicalmente, porém, são universos diferentes que apenas dividiram a mesma década e o mesmo produtor num determinado período de suas carreiras.
Shows no Brasil
Bryan Adams desembarca no Brasil para quatro apresentações da Roll With The Punches Tour, com produção da Mercury Concerts. A agenda inclui 6 de março (sexta-feira) no Qualistage; 7 de março (sábado) na Vibra São Paulo; 9 de março (segunda-feira) no Live Curitiba; e 11 de março (quarta-feira) no Auditório Araújo Vianna. Os ingressos estão disponíveis pelo site oficial da Eventim: www.eventim.com.br/bryanadams.
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