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O Winger, que está confirmado para se apresentar no domingo, 26 de abril de 2026, no Bangers Open Air em São Paulo, é uma banda de hard rock e glam metal que surgiu em 1987. No entanto, o seu trabalho possui uma complexidade e versatilidade que muitas vezes são subestimadas. A banda é formada por músicos altamente técnicos. O vocalista e baixista Kip Winger é um músico erudito (estudou balé clássico e composição), foi músico da banda do Alice Cooper. O guitarrista Reb Beach e o baterista Rod Morgenstein (ex-Dixie Dregs, conhecido por seu trabalho de fusion/progressivo) são instrumentistas de altíssimo nível.
Embora seja rotulada como hair metal, a banda incorpora elementos de progressive metal e AOR (Adult-Oriented Rock) em seus álbuns, especialmente nos lançamentos Pull (1993) e nos trabalhos mais recentes, como Seven (2023).
Alguns fãs comparam o Winger de 2025, em termos de musicalidade técnica, a uma versão "hardrRocker" do Dream Theater.
O último álbum de estúdio da banda Winger, Seven, foi lançado em 5 de maio de 2023. O sétimo álbum demonstra que a banda, com Kip Winger, Reb Beach, Rod Morgenstein, John Roth e o retorno de Paul Taylor, continua a evoluir, mantendo o peso do classic rock incorporando elementos progressivos. Mais Winger, impossível - sempre tentando novidades. "Proud Desperado", foi o single da retomada e divulgação. A faixa de abertura do último álbum é pesada e com o hard rock técnico do Winger. Uma letra bastante alarmista dos tempos conflitantes atuais, feita para levantar os punhos e gritar nos shows , liberando a raiva interna.
Voltando aos primórdios, os dois primeiros álbuns da banda, Winger (1988) e In The Heart Of The Young (1990), contêm canções hard rock pesadas como "Madalaine", "Hungry", "Seventeen", "Easy Come Easy Go", "Baptized By Fire", "Loosen Up" e "Time to Surrender", que são muito diferentes das baladas com as que ficaram muito mais famosos (algo parecido ao que ocorreu com Extreme, outra banda de exímios musicistas subestimados).
Portanto, para quem for ao Bangers Open Air 2026, a expectativa é ver uma banda com uma performance técnica sólida, que vai muito além das musiquinhas lentas! Para os que nunca ouviram falar da banda, o Kip Winger já foi indicado ao Grammy, mas não pela banda que leva seu sobrenome. Kip recebeu a indicação por seu trabalho como Compositor de Música Clássica Contemporânea. Um ótimo exemplo da versatilidade musical dele, indo muito além do hard rock.
Kip Winger (cujo nome completo é Charles Frederick Winger) dedicou-se ao estudo da música clássica e composição após o Winger ter se desfeito pela primeira vez em 1994. Ele foi para a universidade e estudou com compositores renomados e escreveu a peça "Conversations with Nijinsky" em homenagem ao lendário bailarino e coreógrafo russo Vaslav Nijinsky.
O álbum, lançado como C.F. Kip Winger: Conversations with Nijinsky, é uma compilação de suas obras orquestrais. Essa indicação surpreendeu muita gente na época e serviu como uma validação artística para ele, provando que sua paixão e competência musical iam muito além da imagem de sex symbol do hair metal que o popularizou nos anos 80.
Kip Winger começou sua carreira na banda de Alice Cooper, não como vocalista principal, mas como baixista e músico de apoio. O músico tocou baixo nos álbuns de Alice Cooper, Constrictor (1986) e Raise Your Fist And Yell (1987) e das respectivas turnês que acompanharam esses álbuns. Segundo Kip Winger, ele decidiu sair da banda de Alice Cooper porque não queria ser visto apenas como um músico de apoio e tinha como objetivo principal escrever e tocar sua própria música.
A relação entre ambos sempre foi muito positiva. Foi o próprio Alice Cooper que encorajou Kip a seguir em frente e fundar sua própria banda e sugeriu que usasse o nome "Winger",seguindo o padrão de usar o sobrenome do líder, como no caso do Van Halen.
Mesmo após a saída de Kip para formar o Winger, ele continuou colaborando com Alice Cooper, participando do álbum Trash (1989) e, mais tarde, de Welcome 2 My Nightmare (2011). Cooper chegou a descrever Kip Winger como "Um dos mais talentosos com quem trabalhei." A fase com Alice Cooper serviu como um excelente ponto de partida e escola para Kip Winger antes de ele lançar sua própria banda de sucesso.
O guitarrista, Reb Beach, também tem títulos no celeiro dos grandes do hard rock mundial. Reb Beach se juntou ao Whitesnake em 2003, quando o vocalista David Coverdale retomou a banda para turnês. Ele foi o guitarrista que mais tempo permaneceu no Whitesnake, atuando ao lado de outros músicos como Doug Aldrich e Joel Hoekstra. Reb Beach participou de vários álbuns de estúdio e ao vivo do Whitesnake como Good To Be Bad (2008), Forevermore (2011), The Purple Album (2015), e Flesh & Blood (2019). O músico conseguiu manter simultaneamente a sua posição de destaque no Winger e o papel de guitarrista principal no Whitesnake.
O baterista do Winger, Rod Morgenstein, possui um impressionante currículo no rock e metal progressivo que o conecta diretamente ao círculo do Dream Theater. Além de sua base no Fusion com o Dixie Dregs, Morgenstein formou o power duo instrumental Rudess/Morgenstein Project (RMP) com o tecladista do Dream Theater, Jordan Rudess, demonstrando sua química lendária em performances de rock progressivo instrumental apenas com bateria e teclados. Sua afinidade com o gênero se estende ao trio The Jelly Jam, onde toca ao lado do guitarrista Ty Tabor (King's X) e do baixista do Dream Theater, John Myung, um núcleo que, anteriormente, também integrou a banda progressiva Platypus, contando ainda com o ex-tecladista do Dream Theater, Derek Sherinian.
Mesmo com tanto trabalho árduo dos integrantes no hard rock global, sim, sabemos que as baladas do Winger são o que catapultaram a banda para o mainstream e, no Brasil, as consolidaram como um nome romântico, graças às trilhas sonoras de novela. O Winger, apesar da complexidade técnica de suas músicas mais pesadas, sempre demonstrou uma excelente habilidade melódica em suas power ballads.
O Grande Hit , "Miles Away"é, inegavelmente, a balada mais famosa do Winger e seu maior sucesso de paradas de sucesso mundial (pelo menos não é com violões e tem um solo de guitarra). No Brasil foi tema da novela "Felicidade" (Rede Globo, 1991/1992), o que a eternizou como uma das grandes músicas românticas internacionais das trilhas de novelas brasileiras daquela década. Uma balada melancólica sobre distância emocional e saudade, capturando a dor de seguir em frente após uma perda. O solo de Reb Beach nessa música é frequentemente citado como um de seus mais emocionantes.
Uma menos famosa que começa suavemente no piano e constrói para um refrão poderoso com guitarras distorcidas e uma seção rítmica forte é "Headed For A Heartbreak". A letra fala sobre a dor iminente de um relacionamento que está fadado ao fracasso, com o narrador sabendo que seu coração será partido, mas incapaz de parar. Para quem quer mais baladas ouça "Ever Wonder" do álbum Better Days Comin (2014) ou "Without The Night" do álbum de estreia de 1988.
Winger é um sobrevivente orgulhoso que entrega sua paixão pelo rock a cada álbum. Kip é um artista completo que sabe enriquecer a obra do Winger buscando sonoridades diferenciadas com a ajuda dos excelentes músicos que fazem parte da banda. Sobreviventes ao meme da camiseta com o nome Winger, do personagem "Stuart", ridicularizado pelo Beavis e Butthead da MTV e ao videoclipe de "Nothing Else Matters" (1992), do Metallica, onde o baterista Lars Ulrich é visto em uma cena atirando dardos em um pôster de Kip Winger pendurado em um alvo na parede.
Embora a ascensão do grunge e a mudança de gosto musical tenham sido a principal causa do declínio de todas as bandas de hair metal dos anos 80, o bullying cultural de Beavis and Butt-Head e o deboche público do Metallica aceleraram dramaticamente a queda da popularidade do Winger, transformando-os em um bode expiatório da era do metal que estava morrendo. Winger não é somente farofa, nem baladas, não é cliché, nem saudosista. A banda completa mostra ao vivo que nunca foram somente uma cara bonita ou o sabor do momento.
O exímio talento musical da banda é algo inegável que o público da atualidade, que estará presente no Bangers Open Air, reconhece e valoriza. Claro que vamos ligar as lanternas dos celulares em "Miles Away" se ficam num horário noturno ou faremos coreografias mexendo os braços de um lado para o outro se tocarem de dia. Mas Winger definitivamente é uma das grandes atrações do Bangers Open Air.
