Gentle Savage é hard rock para todos os gostos

 

Gentle Savage lança seu álbum de estreia, 'Midnight Waylay'

Gentle Savage

Midnight Waylay
⭐⭐⭐⭐⭐ 5/5

Por  Rosangela Comunale 


Do frio nórdico, a banda finlandesa Gentle Savage nada carrega.


Pelo contrário, em seu álbum de estreia intitulado Midnight Waylay, a sensação do ouvinte vai além dos termômetros e é mesmo de arrepiar com letras e sonoridades que vão desde ares sombrios àqueles mais leves. Num verdadeiro rollercoaster musical, o trabalho é digno de ser ouvido por qualquer hard rocker que procura novidades.


Boa parte do disco foi feito no contexto pandêmico.  Criado em 2013, o grupo tomou impulso com o advento do Covid 19. Fez live streams e entrou de vez no business da Música mesmo com todo o impacto sofrido com a pandemia. Corajosos, não?


Formado por Tornado Bearstone (vocal), Jay B (bateria), Vance Bead (baixo), Tim O’Shore (guitarra) e Theo van Boom (teclado), o grupo faz questão de manter a identidade e mantém elementos culturais. Em “Karelian Magic”, por exemplo, a inspiração vem da ideia de uma magia de amor da região da Carélia, localidade pouco habitada na região da Finlândia. Mas a música mesmo em nada se parece com uma love song. É assertiva e com um vocal backing feminino marcante, elemento este que anda um pouco adormecido em bandas de hard rock atuais.


Em "Honey Bunny", os caras mostram a carteirinha do hard rock raiz com um refrão fácil, um teclado divertido e clássicos solos de guitarra. Na canção “After All”, talvez, a banda entrega a inspiração musical que a fez surgir com a valorização dos instrumentos que transforma a música em um diálogo vocal com eles. Marca registrada deixada pela influência de Bearstone que admite ser fã total do Deep Purple.


Mas, inspirações à parte, não tem como ouvir a voz de Tornado e não lembrar do Black Sabbath. Tanto vocalmente como em algumas letras. Vai uma prova aí: Sobre a faixa "PERSONAL HADES", o vocalista Tornado Bearstone explica que “é uma história sobre sofrimento mental e espiritual. Sem ajuda à vista, o narrador caminha pelas terras de Hades e clama por um resgate. Hades é usado como uma metáfora para a paisagem mental que existe dentro da cabeça de uma pessoa quando ela está enfrentando um profundo desespero.” Tire você suas conclusões ouvindo.


“Into the Abyss”com “Every now and then I need a place to rest my bones, blow my blues away” (De vez em quando preciso de um lugar para descansar meus ossos e afugentar minha tristeza”), é outra que também faz parte do lado dark do disco.


Em "Run, Run, Poor Boy", o som ganha uma pegada compassada e um refrão que não sai da cabeça: “Run, run, poor boy, run for your life”. E, mais uma vez, com guitarra e teclados que não podem soar mais setentistas porque não dá mesmo. Super seventies.


E o que é a quebrada de Living it up na intro? Algo inusitado nesta montanha russa de vivências musicais que o grupo provoca em Midnight Waylay (Cilada da Meia-Noite). Falando neste título do álbum, realmente, não poderia ser outro porque, de fato, ao ouvir uma primeira faixa não se pode obter uma impressão lógica do que está por vir.

Rosangela Comunale

Amante das artes, principalmente, da Música. Formada em Piano Clássico e cursando Canto. Militante da causa animal.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
SOM-NA-CAIXA-2