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Slipknot retorna com 'We Are Not Your Kind', seu melhor álbum nos últimos 15 anos

Slipknot chega ao seu sexto álbum de estúdio, "We Are Not Your Kind"
Por Bruno Eduardo

O Slipknot acaba de chegar ao seu sexto álbum de estúdio - o primeiro após cinco anos. Mais do que um punhado de canções, We Are Not Your Kind é o resultado sonoro de uma fase tortuosa que a banda viveu nos últimos tempos. Esse é o primeiro trabalho após a demissão do percussionista Chris Fehn, que já rende uma batalha judicial desde o início do ano. Além das questões judiciais, a banda viveu outros infernos emocionais durante a fase de composição do disco. Shawn Crahan, um dos integrantes fundadores do grupo, perdeu sua filha de apenas 22 anos de idade e o vocalista Corey Taylor caiu em depressão profunda após o fim de seu casamento. 

Mais do que letras cheias de sentimento, este novo trabalho mostra um poder sonoro que vai além de batidas tribais e riffs massacrantes. Inicialmente, ele poderá ser de difícil digestão para os maggots (como são conhecidos os seguidores fieis do grupo), mas é uma ponta afiada de sinceridade e coerência com toda trajetória desta que é hoje uma das maiores bandas de metal do planeta.

Já faz vinte anos que o Slipknot lançou o seu aclamado álbum de estreia (homônimo). Naquela ocasião, a banda explodiu nas rádios e na MTV carregada pelo hit "Wait And Bleed", que mantinha uma versão de single que se tornaria padrão para o grupo - com refrões melódicos e levada totalmente influenciada pelo groove metal. Este disco e Iowa, que veio em seguida (2001), chegaram no auge da febre nü-metal e continuam intocáveis na memória dos fãs como seus trabalhos fundamentais na carreira. 

A partir daí, o Slipknot tonou-se uma banda de metal em constante evolução. Tanto que após a derrocada do nu-metal nos meados da década passada, o grupo fez ajustes em sua estrutura e soltou o maravilhoso Vol. 3: The Subliminal Verses, que trataria de redefinir de vez um novo patamar para o som da banda. E verdade seja dita: mesmo que All Hope Is Gone (2008) e 5: The Grey Chapter (2014) tenham seus momentos facilmente contestáveis, é fato afirmar que o Slipknot nunca saiu totalmente da curva. A banda nunca fez um álbum decepcionante e com isso as turnês nunca pararam de crescer. E é nessa visão ampliada de seu metal particular, que o Slipknot chega em We Are Not Your Kind. 

Os primeiros singles ("Unsainted", "Solway Firth" e "Birth of the Cruel") forneceram uma sólida sinopse do que os fãs poderiam esperar nesta nova investida da banda. E de cara, saltou aos ouvidos que eles iriam mergulhar fundo em melodias densas. Cheia de corais vocais, "Unsainted" é um hit padrão do Slipknot e já tem cacife para clássico. Ela traz uma impecável interpretação de Corey Taylor, que mostra toda sua habilidade em integrar vocais furiosos e refrões melódicos - seguindo o caminho de canções como "Duality" (sucesso de Vol. 3: The Subliminal Verses), por exemplo.


 
Numa outra entranha sonora de WANYK, estão "Nero Forte" e "Critical Darling", que trazem a maturidade de uma banda que já se reconhece sem dificuldades. Já "Red Flag" e os tambores matadores de "Birth of the Cruel" soam totalmente nostálgicas aos ouvidos de fãs mais antigos. Elas poderiam sim, entrar em qualquer um dos três primeiros discos da banda, pois retratam de forma fiel todas as nuances de fúria e melodia que conquistaram fãs no início dos 00's. "Orphan" também vai por este caminho, mas merece um destaque especial. Além de todo esmero instrumental, evidenciado de forma sublime na produção do álbum, a lapidação da barulheira é guiada divinamente pelas mãos do baterista Jay Weinberg, que faz um trabalho sensacional aqui.

Agora, se tem uma faixa que certamente vai soar estranha para alguns fãs mais tradicionais, essa é  "Spiders". No entanto, essa canção serve como um lembrete de que o Slipknot é tudo menos obsoleto. E por isso mesmo, ela aparece como um dos momentos mais seguros de todo álbum. Dito isso, é sempre bom ressaltar, que apesar de muitos fãs continuarem esperando um retorno sonoro do grupo ao início da década passada, isso provavelmente nunca acontecerá. O Slipknot sabe que não pode mais recuar diante de tudo o que percorreu para chegar até aqui. Afinal, a cada novo disco, a banda sempre demonstrou muito cuidado em continuar soando honesta ao seu tempo. E não ocorreram equívocos nesse caminho.

We Are Not Your Kind também soa mesmo como uma espécie de atestado sonoro do vocalista Corey Taylor. Aqui ele demonstra um turbilhão de sentimentos e aborda temas particulares como inadequação e tentativa de reagir a um mundo que viola sua autoestima. Já no primeiro estrofe do disco, um desabafo: "Estou apenas passando por uma fase difícil / Outro vilão com uma coceira para coçar / Negação é mais escura quando você mora em um buraco / Por que o inferno faz você se sentir tão frio?". Já no outro single do álbum, "Solway Firth", ele fala diretamente às pessoas que ele considera responsáveis por toda sua mentalidade negativa. E tudo isso exposto numa de suas melhores atuações vocais em todos os tempos.

Musicalmente, críticos e fãs até podem questionar o quão relevante seria esse novo álbum do Slipknot nos dias de hoje. No entanto, diante de tudo o que banda passou para concebê-lo, é impossível relegar a importância de We Are Not Your Kind. Pois o caos que alimentou essa banda durante vinte anos ainda continua muito vivo. Só que desta vez, eles conseguiram canalizar isso de uma forma esmerada num dos registros mais pessoais que eles poderiam fazer um dia. Mesmo que você seja um fã das antigas, não se engane pelas melodias: a raiva capturada pelas máscaras ainda pode ser sentida universalmente em seu melhor álbum nos últimos 15 anos.
Cotação: 

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