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Guitarrista do RDP fala da importância de Marcatti, que tem história contada em livro


Por Bruno Eduardo

Famoso no mundo do rock pela parceria com a banda Ratos de Porão, o quadrinista Marcatti tem a sua trajetória revelada no livro Tinta, suor e suco gástrico, do autor Pedro de Luna. A obra faz parte da série Recordatório, uma coleção lançada pela editora Marsupial, que pretende ajudar a preservar a memória dos quadrinhos brasileiros. A biografia conta a história desse artista, que é considerado um ícone do quadrinho underground - e famoso por abordar temas escatológicos. O autor - que também é quadrinista - garante que o livro deixa uma mensagem relevante sobre a arte independente. "Me identifico muito com a ideologia do Marcatti, de fazer sua arte sem depender de terceiros. Acho que essa essência dele como artista é que faz a diferença".    

Com o Ratos de Porão 


A parceria com o RDP começou no disco Brasil, considerado o clássico maior da banda. No entanto, Jão, guitarrista do grupo, afirmou que eles já eram fãs do artista antes mesmo de trabalharem juntos. "Nós já conhecíamos o trabalho do Marcatti antes mesmo dele trabalhar com o Ratos de Porão. A gente pirava nos quadrinhos dele" - dando como exemplo, a saga de Gervásio, um de seus personagens mais populares, que mantinha um caso de amor com a própria hemorroida. Para Jão, a grande virtude de Marcatti é que ele não se resume apenas em um segmento. "Marcatti é um artista completo. Ele não se limita em fazer arte de uma maneira apenas. Ele é muito consistente em tudo que faz", elogia.

O valor do quadrinista na história do grupo está refletido no dia a dia dos fãs. O símbolo da banda, criado por ele nos anos oitenta, pode ser visto estampado no fundo de palco nos shows da banda ou em rótulos de cerveja. Segundo o guitarrista, Marcatti conseguiu captar tudo o que banda queria na capa de "Brasil", e citou também a importância de ter um artista responsável por esse tipo de trabalho no rock nacional. Para ele, haviam poucos profissionais dedicados ao gênero. "A capa de Brasil foi um marco para o rock nacional. Geralmente as bandas não conseguiam fazer capas legais porque não tinham um artista disponível na cena. Além disso, a qualidade do Marcatti é indiscutível. Ele conseguiu traduzir perfeitamente o que nós queríamos, tanto em Brasil, quanto em Anarkopobia, que tem uma capa foda também!". 

Ratos de Porão em quadrinhos


Além das capas de discos, Marcatti também levou o Ratos de Porão para as bancas de jornais ao criar uma série de gibis do grupo. No entanto, a aventura durou apenas duas edições - o que para Jão, não foi uma grande surpresa, já que as tiragens eram grandes demais para uma banda como o Ratos. "Foi muito louco ver todos nós desenhados como ratos, em histórias que ele inventava da gente na estrada. Uma das coisas mais legais desses gibis, é que até o pessoal que trabalhava com a banda na estrada tinham seus personagens próprios. Pena que não teve continuidade", relembra com orgulho. Após alguns anos distante da banda, Marcatti voltou a contribuir com algumas coletâneas. Ele fez também as capas dos discos Só Crássicos (2000) e No Money No English (2012). Sobre a relação com o quadrinista, Jão afirma que se fosse por ele, Marcatti estaria até hoje fazendo as capas do grupo. 

O lançamento de Marcatti - Tinta, suor e suco gástrico, acontece nesta quarta-feira, 20/5, às 18h, na Livraria Cultura Cine Vitória (RJ) - com a presença do autor Pedro de Luna. A livraria fica na Rua Senador Dantas, 45, Cinelândia. Entrada franca.

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