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Em 2001, o Incubus conseguiu reunir uma década de rock alternativo com "Morning View"

Incubus na época de "Morning View", seu quarto disco de estúdio
Por Bruno Eduardo

O Incubus é uma daquelas bandas descoladas que surgiram nos anos noventa e que cativaram o mundo através de misturas sonoras digeríveis. No caso deles, erroneamente rotulados como nu-metal, traziam um mix de música alternativa, rock e funk. Seu álbum de 1997, o ótimo S.C.I.E.N.C.E, soava como uma combinação lapidada de bandas como Primus e Red Hot Chili Peppers, com os vocais à la Mike Patton do talentoso Brandon Boyd - um dos cantores mais perfeccionistas do rock. Make Yourself, lançado dois anos depois, é ligeiramente mais mainstream e começou a incluir a banda no primeiro time dos grandes festivais. Mas foi em 2001 que o grupo conseguiu reunir toda essência da proposta, com o lançamento de Morning View.

O quarto disco de estúdio da banda foi marcante para o início dos anos 00 porque trazia uma variedade de sons tão acessíveis, que acabava por representar muitas das bandas da época, atingindo todas as tribos de forma saudável. Você não encontrava essa mesma acessibilidade em bandas como System Of A Down e Deftones (só para citar algumas contemporâneas), que pegavam mais o nicho do metal. Músicas como "Nice to Know You", que abre Morning View, é um grande exemplo dessa ambientação sonora expansiva. Ela bate na sua cabeça com um riff de guitarra poderoso, que poderia estar numa canção do SOAD, e te leva a cantar no refrão cheio de violões, daqueles assobiáveis, facilmente encontrados num álbum do Red Hot Chili Peppers. Esse era o recado do Incubus no início da década.

Morning View é um trabalho catalisador e soa facilmente acessível para os fãs de rock, alternativo, pop, metal e até mesmo os gêneros mais experimentais. Por exemplo, se você não gosta de hard rock, tudo bem, porque eles flertam com referências do pop contemporâneo em "Are You In", canção à la Maroon 5, e a particular, "Echo", fornecendo ambientações mais suaves. 

Não tão destacado quanto no álbum posterior (A Crow Left Of The Murder), o trabalho de guitarra de Mike Einziger é de tirar o chapéu. Neste álbum ele desenvolve uma quantidade de técnicas e melodias que tornam mais sólidas a junção de ritmos, como em "Just A Phase" (repleta de violões e sons orquestrais) e o hit "Wish You Were Here". Já "Blood on the Ground" e "11 am", possuem ligeiramente o mesmo tipo de progressividade encontrado em bandas como Porcupine Tree, mas com qualidades muito mais fáceis de ouvir.

Talvez a melhor parte do álbum seja o vocal de Brandon Boyd. Boyd, conhecido pelas ricas melodias em Make Yourself, oferece outra performance forte com vocais deliberados e evocativos em todas as músicas de Morning ViewEnquanto cantores como Chino Moreno (Deftones) deixam sua marca através da paixão crua e da emoção feroz, o tipo de canto mais reservado e controlado de Boyd complementa a banda. Isso não significa que ele não tenha emoção: em "México" sua voz encapsula aspectos de dor, arrependimento e dormência. "Warning" é outra que anda por esse caminho.

Produzido por Scott Litt, Morning View é o resumo muito bem sucedido do que você poderia encontrar no rock que fazia a cabeça dos jovens no final dos anos noventa e meados dos anos 00. De todas as bandas contemporâneas, ninguém conseguir explicar isso tão bem e de forma tão atraente quanto o Incubus em Morning View. Nem eles mesmos alcançaram tal feito outra vez.

Quer saber mais sobre a história deste disco, assista abaixo o "Discopedia" com Morning View [e não se esqueça de se inscrever no canal e deixar a sua curtida].

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