sexta-feira, 22 de setembro de 2017

The Who realiza sonho de fãs brasileiros na primeira noite do São Paulo Trip

The Who fecha a primeira noite do São Paulo Trip
Por Ricardo Alfredo Flávio

Quinta-feira quente em São Paulo, e expectativa incontrolável para a primeira apresentação do THE WHO na América Latina, na versão paulistana e reduzida do Rock in Rio / 2017, o São Paulo Trip, onde, por incrível que possa parecer, apesar de lotado, o dia com The Who, a mais importante das bandas do festival, foi o que menos vendeu ingressos, atrás das datas com Bon Jovi, Aerosmith e Guns’N’Roses como headliners.

Com os bares lotados em volta do estádio e os ambulantes faturando alto com cerveja e refrigerantes, ouve-se o som do lado de fora, e é a ALTER BRIDGE que já está no palco. Entrando para conferir, não se vê qualquer coisa que impressione, apenas uma banda que até apresenta competência técnica, mas que não tem absolutamente nada a dizer, banda para meninas e meninos que gostam de um rostinho bonito e um monte de clichês. Em minha opinião, deveria estar escalada na mesma noite do Bon Jovi, mas segundo conversas de bastidores, o próprio Jon Bon Jovi que barrou a escalação.

Para a alegria do público mais velho que é maioria no local, o show de abertura acaba rápido e após breve intervalo, o THE CULT sobe ao palco. O vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy comandam o show, com seu hard rock poderoso e coeso. Astbury reclama um pouco de que não parece estar em São Paulo, pois o público não o acompanha em todos os chamados de coro, mas parte disso é culpa da própria banda, que poderia ter preparado um set com mais cara de “festival”, hits em seu repertório não faltam para isso. De todo modo, foi um excelente show de rock’n’roll, onde se ouviram “Wild Flower”, “Rain”, “Lil’Devil”, “Sweet Soul Sister”, “She Sells Sanctuary”, “Fire Woman” e “Love Removal Machine”, entremeadas em outras faixas não tão conhecidas.

No telão atrás do palco começam aparecer imagens relacionadas ao grande nome da noite, alguns textos falando sobre Daltrey, Townsend, Entwistle e Moon, pedidos para não fumarem pois Roger é alérgico, propaganda da Champanhe recém lançada pelo vocalista e o que todos esperam, em bom português: “ MANTENHA CALMA AÍ VEM O THE WHO”! Luzes apagadas, banda no palco e “I Can’t Explain” começa a celebração e faz o público ir ao delírio!

Como vinham prometendo em entrevistas antes do show, a banda cumpriu e trouxe ao Brasil um espetáculo para nenhum fã esquecer, para compensar a longa ausência e trouxe um repertório digno de mega evento, com músicas que fazem parte da história do rock. A sequência da noite veio com “The Seeker” e em “Who Are You”, tudo veio abaixo!

Daltrey ainda canta muito bem, do alto de seus 73 anos, e Townsend é quem mais interage com a plateia e fala de sua felicidade pela primeira visita ao Brasil, e os sucessos vem um atrás do outro: “The Kids Are Allright”, “I Can See for Miles” e “My Generation” são cantadas em uníssono por todos os presentes e “Bargain” dá uma acalmada na galera.

Uns segundos para um fôlego e “Behind Blues Eyes” é a próxima canção, que emociona tanto quanto a sequência com “Join Together” e “You Better You Bet”. Ao decorrer do show, nota-se bem que por toda sua longevidade, o The Who passou por inúmeras mudanças em sua sonoridade, do rock mais básico e cru, às viagens lisérgicas / progressivas / psicodélicas, todas essas fases, cobertas de muita qualidade.

Pete Townsend empunha um violão e anuncia que tocará três canções da ópera-rock 'Quadrophenia', e vem “I’m One”, “The Rock” e “Love, Reign O’er Me”.

Eminence Front”, do pouco falado álbum 'It’s Hard', de 1982, é a próxima música, que antecede outro momento ópera rock, com a execução seguida de “Amazing Journey”, “Sparks”, “Pinball Wizard” e “See Me, Fell Me”, todas de 'Tommy', álbum de 1969.

Todos sabem que a apresentação está chegando ao seu final, e para tanto, sacam duas canções do aclamado disco 'Who’s Next', de 1971, as lindas “Baba O’Riley”, que os fãs mais novos conhecem como música tema do seriado de TV CSI, e a fantástica viagem de “Won’t Get Fooled Again”, que vem encerrando os shows da banda por todo o mundo.

A grande surpresa é que após a despedida, a banda volta ao palco para um esperado ‘bis’, que não costumam fazem em nenhum lugar do mundo, e tocam a clássica “5:15”, também da ópera rock “Quadrophenia”. E, se a surpresa foi grande com um ‘bis’, quem diria que voltariam novamente e ouvimos “Substitute”, single de 1966, e que a banda não costuma tocar. Povo em êxtase, banda feliz e bem humorada, com semblante cansado, após a última música, Townsend pega o microfone e diz sorrindo “GO HOME! GO HOME!”, como quem dizendo, “tchau, não aguento mais, vão para suas casas”!

Foi uma noite histórica! 53 anos após sua criação, o The Who fez a festa no Brasil, e, deve ser a última vez! Quem viu, viu!

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