segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Em seu nono disco de estúdio, Foo Fighters aposta em convidados especiais e garante bom resultado

Agora sexteto, Foo Fighters chega ao nono disco de estúdio, 'Concrete And Gold'
FOO FIGHTERS
"Concrete And Gold"
RCA; 2017
Por Ricardo Alfredo Flávio


Três anos após o projeto 'Sonic Highways' - que incluiu CD e seriado na HBO, repleto de convidados especiais - e uma ameaça de término da banda, eis que David Grohl e seus asseclas jogam um novo álbum no mercado, o nono de estúdio. Depois de mais de 20 anos de banda, com uma formação estabilizada após um histórico repleto de trocas, turnês por todo o mundo, milhões de discos vendidos, o que fazer para manter o pique e continuar na estrada? Parece que David Grohl decidiu se divertir: em seu caso, compor e gravar, com a participação de um monte de amigos!

O projeto inicial era gravar o álbum ao vivo diante de 20.000 pessoas no anfiteatro do Hollywood Bowl. Mas Grohl mudou de ideia ao saber que PJ Harvey já havia feito o mesmo recentemente. Então, ele trancou a turma dentro de um estúdio e Los Angeles e mudou de produtor. Sai Butch Vig, que tanto fez pelo grunge e entra Greg Kurstin, produtor pop responsável pelo trabalho de artistas como Kate Perry e Adele. Com a ideia de se construir algo como “Motörhead tocando Sgt. Peppers” ou “Slayer gravando Pet Sounds”, nasceu “Concrete and Gold”.

Um dos destaques deste disco são as participações especiais, e aqui temos muitas, a saber: o ídolo pop Justin Timberlake fazendo os backing vocals na boa faixa “Make It Right”; Shawn Stockman, vocalista do Boyz II Men, na faixa título “Concrete and Gold”; Inara George, cantora da banda The Bird and the Bee (banda que também tem o produtor Greg Kurstin) - desfilando seu talento na faixa “Dirty Water”; a cantora Alison Mosshart, do The Kills, que aparece em duas faixas (“La Dee Da” e no single “The Sky Is a Neighborhood”); e o saxofonista Dave Koz, que também aparece em “La Dee Da”. E para fechar com chave de ouro a lista de convidados ilustres, o velho Paul McCartney toca bateria na faixa “Sunday Rain”.


Sobre o álbum, em linhas gerais, e é redundante dizer isso, mas, a melhor definição é que se trata de um disco do Foo Fighters! Pop rock bem feito, que se reconhece com poucos acordes. Como nos oito álbuns anteriores, não existe uma faixa de destaque, todo ele é linear e se deixa ouvir por inteiro.

Abrindo com a faixa-vinheta “T-Shirt”, que começa lenta tem um ápice enérgico e amansa novamente e dá o tom do disco, barulho bem feito, bem misturado com climas que lembram psicodelia dos anos 60. A faixa seguinte, “Run”, vem emendada na primeira, parecendo uma coisa única, aí já entendi o que Grohl quis dizer sobre “Slayer fazendo Pet Sounds”. Make It Right” é a faixa cujo os fãs radicais já torceram o nariz antes mesmo de ouvir, pela participação do ídolo pop Justin Timberlake. Grande bobagem! A canção é ótima! Guitarras lembrando ZZ Top talvez, com um certo suingue hard, candidata a hit.

The Sky is a Neighborhood”, que já havia sido mostrada antes do lançamento do álbum segue a cartilha Foo Fighters, no mesmo esquema Ramones / AC/DC / Motörhead, são vários discos lançados, todos bons, todos com a mesma cara. Em “Dirty Water” temos a faixa mais calminha do disco até aqui, bom para descansar os ouvidos, pelo menos até metade da canção, quando a coisa toma corpo. Happy Ever After (Zero Hour)”, é aquela música para o set acústico que a banda costuma fazer no meio do show, para baixar a adrenalina e acalmar o público, uma bela balada. “Sunday Rain” é um excelente rock, e com Sir Paul McCartney no lugar do excelente baterista Taylor Hawkins, dispensa maiores apresentações.

Resumindo: 'Concrete and Gold' é um grande trabalho de Dave Grohl, Taylor Hawkins, Nate Mendel, Chris Shiflett, Pat Smear e Rami Jaffee, tecladista que acompanha a banda há anos e, pela primeira vez é dado oficialmente como membro do, agora sexteto, Foo Fighters! Agora é esperar pela turnê mundial, que chega ao Brasil em fevereiro, onde a banda se apresenta juntamente com Queens of the Stone Age. Ou seja: É aguardar e ver para crer!

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