terça-feira, 9 de maio de 2017

Noite dedicada ao punk em SP tem GBH em grande forma e público menor que o esperado

Foto: 3D11Photo / ZP
O punk invadiu a região da Barra Funda neste fim de semana
Por Ricardo Cachorrão Flávio

Uma semana antes, a região da Barra Funda estava coalhada de skinheads, com alguns punks infiltrados, para assistir ao show do Cockney Rejects. Neste domingo, a região era toda dos punks, numa grande noite de celebração, com a lenda britânica GBH para encerrar a festa.

Infelizmente, os produtores de shows parecem não se conversar, ou se o fazem, querem apenas um engolir ao outro! É muito bom saber que o Brasil faz parte da rota internacional de shows e espetáculos, mas, cabe a quem produz isso ter o mínimo de bom senso de conhecer o público alvo dos artistas com quem negociam, e não marcarem shows seguidos de artistas do mesmo estilo, cujo público NÃO TEM DINHEIRO, pois o resultado será casas vazias, com público reclamando do preço dos ingressos.

Para ver o show do GBH, com abertura dos norte-americanos do Total Chaos, e mais três bandas brasileiras significativas do estilo, pagar R$ 90,00 é muito mais do que justo! Quem trouxe a banda teve que arcar com custos de passagens aéreas da Europa e dos EUA, hospedagem, transporte, alimentação, aluguel do espaço, além do óbvio cachê, e, se não tiveram bons públicos em outras praças, o show de São Paulo provavelmente deu prejuízo. Uma casa com capacidade para 1000 pessoas recebeu aproximadamente 300 nesta noite. Essa foi a parte triste.

Para piorar um pouco o início da festa, foi dia de final do Campeonato Paulista de futebol e é certo que boa parte do público esperou o fim da partida para sair de casa. O horário é de matinê e pouco após às 17:00, os meninos do KOB 82, Tato, Presunto, Raul e Limão, subiram ao palco para público pequeno, formado basicamente por fieis e animados amigos e deram conta do recado. A banda está amadurecendo e mostrando um trabalho consistente e cada vez com mais admiradores.

Sem muita demora, a segunda banda da noite é o veterano ARMAGEDOM, que conta apenas com o guitarrista Javier da formação original, de 1982, e que vem acompanhado do vocalista Renato, do baixista Claudinei e do Pedro, também do Agrotóxico, na bateria. A banda está afiada e faz um grande show, fazendo um balanço de sua longa carreira.

Reformulado, após a morte do baixista original Zorro, em julho do ano passado, que também fez parte da seminal banda M-19, os INVASORES DE CÉREBROS, liderados pelo bom e velho Ariel, fazem o bom show de sempre, com muito protesto e realidade, nua e crua, cuspindo verdades contra tudo e todos, e mostrando que uma banda brasileira é capaz de agitar e cativar o público tanto quanto os gringos. Além do repertório da banda, Ariel ainda dedica duas músicas ao velho parceiro Douglas Viscaino, guitarrista fundador dos Restos de Nada, falecido poucos anos atrás.

Os intervalos entre as bandas são curtos, e chega a vez dos norte-americanos do TOTAL CHAOS, pela primeira vez no Brasil, subir ao palco e literalmente detonar tudo! Na estrada desde 1989, Rob Chaos, vocais, Shawn Smash, guitarra, Miguel Conflict, bateria, este um dos que mais falou com o público, em espanhol, e o baixista Chema Zurita, usando uma camiseta dos paulistanos do Agrotóxico, tocaram e animaram do início ao fim. Com som que lembra muito os escoceses do The Exploited, a banda deu muito bem o seu recado, e certamente ganhou adeptos entre os que ainda não os conhecia.

Pouco mais de 10 minutos antes do horário programado, Collin Abrahall, voz, Jock Blyth, guitarra – usando uma camiseta dos Ratos de Porão, com quem o GBH tocou no sábado, no Recife, Ross Lomas, baixo e Scott Preece, bateria, sobem ao palco e fazem exatamente o que todos esperam, desfilam 39 anos de excelentes serviços prestados ao punk rock mundial!

Sem novidades em relação ao repertório dos shows da banda por aqui em 2011 e 2013, inclusive com as músicas tocadas na mesma sequência, a banda mostra competência, carisma e não deixa pedra sobre pedra! O público insano invade o palco durante toda a apresentação, divide o microfone com o Collin, e abusa dos moshes! Tudo bem recebido pela banda!

Da abertura, com “Unique”, faixa do último álbum lançado por eles, “Perfume and Piss”, de 2010, passando por clássicos como “Alcohol”, “No Survivors”, “Sick Boy” ou “City Baby Attacked by Rats”, o GBH faz o que todo mundo já sabe como será, e, ainda assim, deixa todo mundo de boca aberta! O encerramento foi com “Hey Keef”. Uma pena o público pequeno, quem não foi, perdeu uma noite das melhores!

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