sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Overdrive Saravá traz diversidade e Ego Kill Talent faz show impecável no Rio Novo Rock

Foto: Nem Queiroz
Ego Kill Talent fez um dos melhores shows do Rio Novo Rock
Por Bruno Eduardo

A apresentação da Ego Kill Talent nesta primeira edição do Rio Novo Rock de 2017 já pode entrar na lista de melhores shows que o evento recebeu em sua recente história. A banda paulista é formada por integrantes já bem conhecidos na cena roqueira. Além do líder da banda gaúcha Reação em Cadeia, Jonathan Correa, integram o grupo Jean Dolabella (ex-Sepultura), Theo Van Der Loo e Raphael Miranda (ambos ex-Sayowa) e Niper Boaventura (PullDown). Embora alguns tentem colocar a banda nas prateleira do stoner e do metal, sonoramente, eles fazem um rock alternativo com os dois pés nos anos noventa. O show dos caras impressiona pela força sonora e é matador do início ao fim. Travestido de Eddie Vedder (1991 era'), com blusa xadrez e trejeitos característicos do líder do Pearl Jam, Jonathan é de poucas palavras mas cativa pelo ótimo vocal e presença de palco. Isso pode ser notado nas excelentes "Sublimated" e "Same Old Story", onde a voz dele ganha força ao vivo. Diferente das gravações de estúdio, o som da EKT é mais orgânico, e as guitarras falam de forma mais aberta, evidenciando a força da banda em grandes arenas (como foi conferido por este crítico no festival Lollapalooza Brasil, no ano passado, e mais recentemente no Maximus Festival). Do disco novo, que deve sair nos próximos dias, chama a atenção pancadas como "We All", que martela os ouvidos sensíveis, e "Still Here", com seu riff de guitarra viciante. A banda mantém alguns revezamentos de instrumentos durante a apresentação, mas nada capaz de quebrar o ritmo do show, que mantém a energia sempre alta. Uma prova da funcionalidade da banda é a reação do público, que curte o show do início ao fim. Em tempos de massacre ao rock nas mídias sociais por conta de listas de programações de rádio dominadas por músicas de gosto duvidoso, um show como esses do Ego Kill Talent é como um banho de sal grosso no mau olhado. Rock On!

Foto: Nem Queiroz
Overdrive Saravá conquistou público com seu rock cheio de referências
Lançando o seu disco de estreia, a Overdrive Saravá apresentou ao público uma compilação artística própria, baseada principalmente numa sonoridade que rebusca diversas culturas regionais e discursos que abordam questões sociais. A proposta já surpreende no formato inicial, com os sete integrantes fazendo um rito de abertura, transformando o palco numa espécie de terreiro sagrado para a entrada de "Atabaque e D'Jembes", música que já tem vídeo clipe rolando nos youtube da vida. Mesmo contendo várias investidas sonoras, ao vivo a música da Overdrive se baseia fundamentalmente no rock com guitarras distorcidas e pegada pesada do baterista Renan Carriço, como pôde ser visto na levada acelerada da ótima "Guerreiro do Cerrado". O compromisso com a arte livre, tão defendida pelo grupo nos discursos entre música e outra, fica estampado na figura do vocalista Gregory Combat, que assume bem o papel - seja declamando versos ao esmo ("João do Amor Divino"); interpretando uma desconstruída versão de "Construção"; ou emocionando-se ao falar sobre as dificuldades que os artistas passam para conseguir ter uma oportunidade de tocar numa casa como o Imperator. O discurso da Overdrive Saravá vai além da simples defesa da liberdade de expressão. Também tem veia política forte (inclusive mostrando um cartaz contra o governo em exercício) e preocupação social, com destaque para a excelente "Ressucita Pataxó", que faz homenagem ao índio Galdino, assassinado enquanto dormia num ponto de ônibus. Do ponto de vista artístico, pode-se dizer que o show do grupo é um verdadeiro self-service de influências e informações, mas que desenha o rock de forma pedagógica sem perder sua essência.

Foto: Nem Queiroz
A DJ Suirá agitou o público com um set de clássicos do rock

0 comentários:

Postar um comentário