terça-feira, 3 de novembro de 2015

Los Hermanos se despede mais uma vez dos fãs com show pontual

Foto: Adriana Vieira

Por Bruno Eduardo

Rodrigo Amarante, que hoje corre o mundo em carreira solo, é talvez o maior exemplo da metamorfose sofrida pelo Los Hermanos em sua comemorada carreira. A barba, que era ruiva, hoje está grisalha. Já a voz, parece nitidamente desgastada - e desacostumada com essa onda de apresentações maiores e concorridas. Atualmente, para quem não sabe, ele apresenta um formato de voz e violão em concertos mais intimistas e de menor exigência punch. Seu novo disco, Cavalo, é para um público muito mais seleto do que se imagina. 

Hoje, Amarante é indie, cult e hippie - quase um Pajé, como o mesmo afirmou em uma entrevista. Pensando bem, é algo muito diferente daquele integrante, que usava chapéu de palhaço e se limitava a dividir vocais com Marcelo Camelo em clipes como "Anna Julia". 

Porém, o cultuado Bloco Do Eu Sozinho deu ao suposto segundo vocalista, o status dividido de principal compositor, que acabou evidenciando o ápice criativo da banda em Ventura (onde quase metade das músicas são de sua autoria). Já no trabalho mais irregular do grupo (o derradeiro 4), os melhores momentos são em canções suas - tanto que no show desta noite, último da turnê de reunião, no Rio de Janeiro, das seis escolhidas do citado trabalho, quatro são dele. Entre elas, o rock vivaz de "Condicional" e "O Vento".

Foto: Adriana Vieira

Seria Rodrigo Amarante o tal "Vencedor", apresentado por Marcelo Camelo, na faixa que abre o show? Não dá para saber, mas é bastante aceitável que ninguém dê a mínima que sua voz surja em frangalhos no primeiro verso da ótima "Retrato Pra Iaiá" e perdure por toda a apresentação, ou que ele esqueça versos fundamentais de hinos hermânicos como em "Do sétimo Andar" ou "O Velho e Moço". O que vale é o resultado final, que no caso deste show, possa ter ficado resumido na imagem de "Quem Sabe" - cantada no meio da galera - ou numa puxada de "Chove Chuva", carregada nos trejeitos vocais de Jorge Ben Jor. 

Dos quatro shows apresentados na Marina da Glória, este foi o único castigado integralmente pela chuva, e que talvez por isso, numa forma de compensar os encharcados fãs, contou com três boas novidades. A primeira foi "Onze Dias", do disco de estreia - uma das poucas deste trabalho a contar com o vocal principal de Rodrigo Amarante. "Cara Estranho", que estranhamente não vinha sendo tocada pelo grupo, também ganhou oportunidade e foi bastante comemorada. Mas a grande surpresa foi a inclusão de "Casa Pré-Fabricada", que relembrou aos fãs, uma das principais influências da banda no início da carreira: o Weezer.

Foto: Adriana Vieira

Como não poderia ser diferente, o álbum Ventura foi a base de todos os shows desta turnê. Só nesta noite, a banda tocou doze das quinze músicas do disco - com destaque para "Um Par", "Deixa o Verão", e o coral crescente de "Conversa de Botas Batidas". No entanto, os melhores momentos do show vieram nas lembranças do primeiro disco. As sequências "Tenha Dó" / "Descoberta", e "Anna Julia" / "Quem Sabe" / "Pierrot" foram capazes de fazer o público esquecer a forte e insistente chuva, que era mais sentida em músicas lentas e melancólicas como "A Outra", "Pois É" e "Primeiro Andar". O grupo se mostrou muito mais bem ensaiado do que nas outras reuniões, e arriscou algumas jogadas legais, principalmente pelas mãos de Barba, que ousou um pouco dos outros integrantes com viradas inesperadas. 

No final, eles fizeram questão de agradecer todos os envolvidos na turnê, e se despediram emocionados dos fãs - pela quarta vez em oito anos. Mesmo sem estar em atividade, os Los Hermanos continuam mostrando relevância com shows sempre concorridos, desbancando bandas gringas e outras nacionais mais consagradas. Isso tudo por conta de seus fãs e de um legado artístico construído entre 1999 e 2005. Pode parecer exagero aos haters, mas a obra dos caras é ainda fundamental para os dias de hoje.  

2 comentários:

  1. Teira como postar a setlist desse ultimo show deles?

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  2. O vencedor / Retrato pra Iaiá / Além do que se vê / Todo carnaval tem seu fim / O vento / cadê teu suín-? / Do sétimo andar / Samba a Dois / Condicional / Azedume / Pois é / Morena / Um par / Chove Chuva (Jorge Ben Jor) / O velho e o moço / A outra / Paquetá / Sentimental / Primeiro andar / Tenha dó / Descoberta / Deixa o verão / De onde vem a calma / Conversa de botas batidas / Último romance / A flor / Adeus você / Onze dias / Casa pré-fabricada / Cara estranho / Anna Júlia / Quem sabe / Pierrot

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