segunda-feira, 11 de maio de 2015

COLUNA DO ROCK: SuperStar - perder é o que importa!


Eu abandonei a TV faz tempo. Principalmente com o advento da internet - onde o acesso independe do dia e da hora, e eu não preciso ficar preso àquela grade limitada das emissoras brasileiras - carregada fundamentalmente por novelas, telejornais e shows de auditório. No entanto, é inegável como ela continua sendo o meio de comunicação que mais influencia a opinião popular. Tem gente que só acredita que alguma coisa realmente exista, ou que aconteceu de verdade, quando passa na TV. Oh, fuck Off!

Infelizmente o que algumas pessoas ainda não descobriram, é que tudo não passa de um "Show de Truman", e que a programação nacional é repleta de cretinices. O programa SuperStar então, é um exemplo desse produto falsificado - fraudando diretamente o que seria o seu suposto objetivo. Ali, meus caros, não se revela ninguém. Muito pelo contrário. Quem revela o artista é a cena que ele se insere - ou a rua, falando pejorativamente. Assim como quem revelam os craques do futebol são os campos de várzea, e não os empresários. 

Você quer saber o que está acontecendo de bom? Vá aos festivais independentes, aos shows de bandas que você não conhece, ou leia resenhas e opiniões de especialistas e pessoas envolvidas nas cenas. Ué, mas não tem bandas legais no Superstar? Sim, lógico que tem. Mas é impossível avaliar um trabalho de forma consistente em dois minutos, sem conhecer a origem do artista, a sua proposta, a extensão de suas influências e tudo que serviu de alicerce para ele chegar até ali. Além disso, é um programa de votação popular. Então, se pode tocar cover, esquece tudo isso que eu escrevi sobre consistência e arte. É mais inadmissível ainda que um artista que se leve a sério e/ou que trate o seu trabalho com honestidade venha a se importar com a aprovação e conselhos de gente como Thiaguinho, Sandy e Paulo Ricardo. Uma banda "de verdade" não entra em um programa desses para vencer. Ela entra para ganhar visibilidade - popular, e profissional.

Mas esse texto aqui não é direcionado às bandas. Cada artista que se expresse da forma que achar melhor, e boa sorte! Escrevo especialmente para os que clamam por justiça na decisão dos jurados, ou que pedem mudanças no regulamento. Gente, parem agora! A melhor coisa que pode acontecer com um artista é ele não vencer esse programa. Para início de conversa, a vitória dá ao grupo um contrato com a Som Livre - leram bem? SOM LIVRE! Imaginem as conseqüências nocivas de uma rédea global na arte de um grupo autêntico como a Facção Caipira, por exemplo. Caso tivessem vencido o programa, eles provavelmente seriam remodelados para se encaixar no padrão castrador de empresários, e teriam que ficar reféns de algo que não tem nada a ver com a arte proposta pela banda. Imagine um disco da Facção, banda tradicional de Niterói por misturar rock com elementos caipiras, produzido pela Sandy (uma suposição malvada, seu sei), e que ao invés de gaita, um monte de beatbox (sic.). É sério, isso poderia acontecer. 

Sorte da Facção, e também da Tipo Uísque - que gravou o ótimo Fly High Tonigh Big Wizard esse ano, disco que tem a liberdade como marca registrada. Penso também no pessoal do Suricato - que bateu na trave (ufa!). Eles poderiam estar fazendo trilha de alguma novela das seis com a música mais chata do disco, ao invés de estarem com o nome cravado no line up do Rock in Rio. Aí me lembro também do Fuzzcas, banda dos meus amigos Carol, Lelê e Parracho. O delicioso Feliz Dia de Hoje poderia ter outro sabor - talvez de uma bolacha de água e sal, para servir de modelo para um comercial da Piraquê. 

Ah, e não venham me falar de injustiças, de regulamento e de outras baboseiras. Hello people! Vocês assistiram o primeiro programa dessa edição? O Tianastácia tocou! E você ainda quer discutir justiça?

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