sábado, 21 de fevereiro de 2015

DISCOS: SCORPIONS (RETURN TO FOREVER)

SCORPIONS

Return To Forever

EMI & Rhino

Por Lucas Scaliza






Return To Forever é o novo disco dos alemães do Scorpions, que vem para comemorar os 50 anos da banda. Ativa desde 1965, entra para um grupo seleto de boas bandas que nunca deixaram os estúdios, os palcos e a cena rock’n’roll, como o Rolling Stones e o AC/DC.

50 anos de estrada é um tempo longo demais para querer mudar justamente agora. Por isso Return To Forever é um disco bom. Não vai assustar o fã mais antigo – que talvez esteja esperando o mesmo tipo de música que o Scorpions nos acostumou a entregar – e também não vai impressionar novas gerações. Mas pode agradar a todo mundo.

É hard rock com pegada oitentista em todos os sentidos: letras, dedilhados, solos, power chords, fortes fraseados de bateria e um baixo que acompanha tudo isso. “Rock My Car” é praticamente um hino que, se tivesse sido lançado entre os álbuns Animal Magnetism (1980) e Crazy World (1990) certamente teria entrado para os clássicos do grupo. “House of Cards” é outro daqueles momentos que o Scorpions sempre soube proporcionar: bonitos dedilhados de violão e a voz de Klaus Meine dominando a composição com delicadeza. Mais elétrica e igualmente boa é “Eyes Of the Storm”. Há momentos mais pop também, como as simpáticas “Rollin’ Home” e “The World We Used To Know”.

Como já era de se esperar, a banda não está atrás de criação. Return To Forever não é cenário para ritmos diferentes, estruturas mais criativas ou novos recursos. No máximo, colocam um ou outro efeito eletrônico de estúdio em pequenos trechos. Matthias Jabs e Rudolf Schenker fazem muito bem seus papéis de guitarristas, mas se apoiam mais uma vez nas mesmas técnicas e maneirismos roqueiros que estão por aí há bons 40 anos. “Rock’n’roll Band” é um resumo disso e, dada a temática da canção, deve ser proposital que tantos chavões do rock estejam nessa música. Mas que fique claro: Schenker, Jabs, o baixista Pawel Maciwoda e o baterista James Kottak executam tudo com a competência que já era esperada. E sim, Klaus Meine continua sendo dono de um dos timbres de voz mais característicos e legais que o hard rock apresentou ao mundo.

O disco tem 17 faixas e mais de uma hora de som. Cerca de oito dessas músicas são ideias antigas do grupo que se acumularam na bagagem e nunca antes encontraram espaço nos vinis e nos CDs que lançaram. Essas faixas “semi-prontas” foram requentadas e agora entram para o catálogo oficial do Scorpions. As nove restantes são composições novas, com ideias da banda que surgiram ao longo do processo de gravação e também contribuição dos produtores suecos Mikael Nord Andersson e Martin Hansen.

Com tudo no lugar certo e sem almejar transgressões, Return To Forever tem potencial para agradar a novos e antigos ouvintes. Assim como Rock Or Burst, o mais recente do AC/DC, este disco se infiltra no presente e te traz a nostalgia de lançamentos do passado que moldaram gerações de ouvintes de rock e música pop. É difícil não ter alguma simpatia.

O Scorpions, com seus 50 anos, já fez algumas turnês clamando que seria “a última”, mas nunca pararam de verdade. E aí vem mais uma que promete ser repleta de clássicos. São tantos que as canções de Return To Forever podem acabar soterradas e colocadas em segundo plano. Vale dizer também o lançamento vem turbinado pelo filme Forever In A Day, que documenta a última turnê do grupo, Final Sting. Será uma celebração e tanto.

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