sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Destaque no Lollapalooza, Far From Alaska fala com exclusividade ao Rock On Board

Foto: Jomar Dantas

Por Bruno Eduardo

O Far From Alaska vem se consolidando como uma das melhores bandas de rock nacional da atualidade. Em seu primeiro disco full length, ModeHuman, o grupo supera todas as expectativas em um trabalho que costura várias influências de forma sublime. Guitarradas, passagens atmosféricas e elementos eletrônicos. Não à toa, o álbum está presente em quase todas as listas de melhores do ano [confira AQUI a lista Rock On Board]. Além disso, eles também foram a banda nacional de maior destaque no Lollapalooza Brasil. O Rock On Board conversou por telefone com a simpática Cris Botarelli, ex-baterista do grupo, e que hoje cuida dos sintetizadores.  


Cris, o disco ModeHuman é presença certa na maioria das listas de melhores do ano. Como vocês avaliam a boa repercussão do álbum após quase um ano de turnê.


Rolou uma expectativa muito grande entre o lançamento do nosso EP e a gravação do disco, ainda mais depois que a gente ganhou aquele concurso para o festival Planeta Terra. Quando o disco saiu foi uma felicidade geral, porque ele ficou exatamente do jeito que queríamos. E a crítica recebeu bem, o que foi ótimo também. O mais importante é que as pessoas passaram a falar muito do disco aleatoriamente, o que acabou dando um feedback para gente bem massa! E com essa repercussão vieram os convites para shows e festivais. A gente deu uma rodada boa esse ano. Tocamos no Sul, em São Paulo, no interior de São Paulo, Rio, ou seja, são várias surpresas boas que nós estamos tendo esse ano.


Muita gente classifica o som de vocês como stoner rock. Mas há alguns elementos bem inovadores, como por exemplo, a forma que utilizam os sintetizadores. Quando vocês entenderam que essa mistura de ambiências era o caminho a ser seguido, e que poderia realmente da certo?


Na verdade não existe caminho. Nós somos bem anárquicos na hora de compor. Também não acho que a gente seja uma banda de stoner. Tem alguma coisa, mas não muito. Acho sim, que a gente tem até mais de grunge, só que quase ninguém diz. O certo é que cada um tem uma perspectiva diferente sobre o nosso som e nós cinco temos percepções aleatórias sobre o que fazemos. Por isso, posso dizer que funcionamos de forma bem individual na hora de colocar elementos particulares. Isso é funcionar como banda! Pois se trocar algum integrante, certamente muita coisa vai mudar, já que cada um tem a sua parte nesse trabalho. Somos livres na hora de criar, mas mantemos uma coerência para soar como Far From Alaska.


O disco de vocês é distribuído pela Deck, que tem a Polysom como propriedade. Já conversaram com o Rafael [Ramos] sobre a possibilidade de lançar ele em vinil? Vocês têm essa intenção? 


Pois é. Um dos obstáculos iniciais quando pensamos nessa hipótese foi o tamanho do álbum. Ele é um disco bem longo, e para passar vinil teríamos de cortar, adaptar e outras coisas mais. Só que é um desejo nosso sim! Ainda mais porque estamos perto do Rafa, e acompanhamos essa evolução da Polysom com o formato; e com o aumento da procura por vitrolas no mercado. Desde o começo a gente sempre quis lançar um disco nosso em Vinil.


Vocês gravaram o clipe Dino Vs.Dino nas Dunas do Rosado. Como foi essa experiência? De quem foi a ideia?


A ideia de gravar foi do Cléver Cardoso (diretor do clipe). Engraçado é que ele achou o lugar pelo google maps. Nós nem sabíamos da existência desse local, até ele nos apresentar. A experiência de gravação foi horrível. Embora seja um lugar fantástico, lá não tem nada - só areia. Passamos fome e sede durante um dia inteiro. Chegou uma hora que tivemos de nos concentrar apenas em ficarmos vivos até o fim do dia (risos). Tanto que até hoje eu tenho areia nas minhas coisas. De vez em quando eu assisto o clipe só para ter certeza de que sim, valeu a pena! Foi algo muito sofrido mas recompensador.


Vocês tocaram no FIFA Fan Fest, que na maior parte do Brasil era repleto de atrações, digamos... "mais populares". Como foi isso? 


Foi massa! Primeiro porque foi no dia que o Brasil eliminou o Chile nos penaltis, então o público estava em êxtase, o que criou um clima muito bom. Aqui em Natal há um fenômeno muito engraçado, que é diferente do resto do país. As pessoas daqui consomem as coisas locais. Elas valorizam muito as bandas locais. Tanto que na maioria dos festivais, as bandas de Natal são as headliners. Então o FIFA Fan Fest não foi algo muito fora de contexto, já que a maioria dos shows foram de bandas daqui, e de rock. Enfim, todo mundo da nossa turma de rock tocou, e todos os shows lotados. Na maior parte do Brasil, as pessoas reclamam que são sempre os mesmos shows, a mesma turma, mas aqui em Natal rola. Há realmente essa valorização da cena.


O Far From Alaska é uma das atrações do Lollapalooza Brasil 2015. Você concorda que o festival é um dos poucos no Brasil que ainda abre espaço para as bandas de rock que se destacam na cena?


Sim. Talvez por ser um festival gringo, é da natureza do Lollapalooza ter bandas que se destacaram em sua cena local - onde ele é realizado. Na verdade, isso acontece em todos os festivais da Europa. No Brasil é que encontramos essa grande separação. Isso é algo que eu nunca entendi, já que aqui tem artistas que não devem em nada para muitas atrações internacionais. O melhor é que o público valoriza isso. Espero que isso seja cada vez mais comum, já que estamos num momento muito bom para a música nacional. Cada vez mais temos artistas indo para fora, tocando em festivais na Europa e os gringos adoram. Só aqui que há esse abismo, essa separação. É o famoso complexo de vira-lata, onde parece que nós não merecemos estar no mesmo palco que os gringos. Espero que isso acabe!

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