domingo, 7 de setembro de 2014

Saiba como foi a primeira edição do OVERLOAD MUSIC FEST!

Foto: Alessandra Tolc


Por Bruno Eduardo e Luiz Gustavo


O Teatro Rival Petrobrás recebeu um bom público para a primeira edição do Overload Music Fest. Dividido em dois dias, o evento trouxe ao Rio apenas as bandas gringas - em São Paulo, o festival teve a adição da ótima banda brasileira, Labirinto (que não veio ao Rio por logística da casa). 

Quando penso em Overload, busco rápido na memória dois shows históricos: Flogging Molly (2012) e The Winery Dogs (2013) - ambos no mesmo Teatro Rival. Quem acompanha os eventos da produtora, sabe que uma de suas principais características é ter em seu cast artistas interessantes. Talvez por isso, não me surpreendi ao ver bandas como Alcest e God is An Astronaut no line up - já que elas seguem o modelo dos artistas que se encaixam na proposta "overload de ser". 

Foto: Alessandra Tolc

Uma fila gigantesca rodou o quarteirão da Cinelânida na quinta-feira (primeiro dia do festival). Para a surpresa desse repórter, uma maioria esmagadora estava lá apenas para assistir o grupo francês, Alcest. Quase que um projeto solo do músico Neige, o quarteto parece mesmo descolado de suas raízes death metal. O vocal gutural quase não tem mais lugar na cartilha de Neige, que em alguns momentos lembra até os falsetes baixos de Chino Moreno (Deftones) - exemplo disso é a introspectiva "Opale", que abre a noite. A banda caminha por uma evolutiva linha de post rock, e músicas como "Percées de lumière", e "Autre Temps" - do ótimo disco Les Voyages de L'Âme (lançado em 2012) - causaram uma espécie de hipnose na garotada que se apertava para assistir o grupo de perto. No fim da apresentação, uma nova fila se formou ao lado do palco para que todos pudessem falar com os integrantes - não dando a mínima importância a quem se apresentaria logo após.

Foto: Alessandra Tolc

Não tão disputados pelo público juvenil, os integrantes do God Is An Astronaut subiram ao palco com a curiosa responsabilidade de banda principal. A história do grupo justifica tal posto, já que eles são uma das coisas mais legais que o post rock possa ter dado ao mundo. Mesmo sem os elementos cinematográficos que marcam as apresentações da banda na Europa, o som continua na unha. O repertório do show é baseado em seu disco mais recente, "Origins", com destaque para a ótima "Spiral Code" e sua levada cheia de ambiências "Smithianas". Contrastando com os seus colegas de palco, Jamie Dean injetou energia na performance. Eufórico, e sempre procurando manter conexão direta com os fãs (inclusive tocando no meio da galera), Jamie apresentou uma hiperatividade digna de um Dave Grohl (Foo Fighters). O grupo ainda mostrou em primeira mão, uma música nova: "Dark Passanger" que segundo Jamie Dean - em conversa com o Rock On Board no fim da apresentação - estará presente no próximo disco da banda. 

Foto: Bruno Eduardo

O segundo dia do Overload Music Fest trouxe um público mais headbanger. Afinal, a primeira atração da noite era o Swallow The SunOs finlandeses estão na estrada desde o ano 2000, e são representantes de uma cultuada geração de bandas, em qual se incluem nomes como Amorphis e Insomnium. Ao som da excelente "Falling World", notamos que o grupo finca sua proposta num metal não veloz, priveligiando passagens ambientes. Mesmo assim, a galera bateu cabeça em músicas menos carregadas, como "Out of This Gloomy Light". O show do Swallow The Sun é de andamento moderado, com alguns momentos de flerte com o progressivo/psicodélico. Por exemplo, a música "Labyrinth of London (Horror pt. IV)" é uma vistosa trilha de quase dez minutos, onde a banda demonstra qualidade nas inserções melódicas. A maioria das músicas foram do melhor disco da carreira The Morning Never Came, lançado há mais de uma década (2001) - incluindo a derradeira do show, "Swallow (Horror Pt. I)".

Foto: Bruno Eduardo

O fato do Fates Warning ter sido um dos pioneiros do metal progressivo não mexeu muito com o interesse do publico carioca. Por estar na ativa desde 1982 e ter influenciado nomes como Dream Theater, o grupo era considerado o nome de maior expressão do evento, sendo assim, também era esperado um maior número de fãs do gênero no local - que acabou não acontecendo. Mas o grupo não se fez de rogado. Com um repertório bem definido, eles souberam mesclar bem todas as fases da carreira. "One", do excelente Disconnected foi a primeira a fazer o público cantar forte. O hard de "Firefly" e a passagem melódica de "Another Perfect Day" foram outros pontos altos da apresentação. Único remanescente da formação originial, o guitarrista Jim Matheos continua se destacando musicalmente - como por exemplo, na à la Rush, "A Pleasant Shade of Gray, Part XI". A banda precisa apenas repensar na escolha do bis - curiosamente, o único momento morno do show.

Que venha a próxima edição do Overload Music Fest!

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