segunda-feira, 9 de junho de 2014

Obra-prima do thrash metal, Kill ‘Em All apresentou ao mundo um Metallica supersônico

Foto: Metallica (Kill 'Em All)
Debut do Metallica é considerado a obra-prima do thrash metal

Por Bruno Eduardo

Iniciando uma trilogia que fincaria de vez o nome do grupo no mainstream, Kill 'Em All é Metallica supersônico - guiados por riffs sensacionais, solos ultra-rápidos e hormônios em erupção.

Para a grande maioria dos fãs atuais, é realmente difícil olhar para Metallica nos dias de hoje, e pensar que estamos diante daquela mesma banda, que foi considerada um dia, como pioneira de um estilo que percorreu de forma tênue entre o hard e o punk dos anos oitenta: o thrash. A recente biografia de um grupo - envolvido em brigas internas, ou interessado em personificar uma contestada luta contra a pirataria - incapacita qualquer tentativa de reminiscência sonora. Mesmo discordando dos fãs mais radicais, não se pode negar: o Metallica tinha se tornado uma espécie de emblema do excesso rockstar.

“Excesso” pode ser a melhor palavra para definir o caminho tortuoso do grupo em toda sua história de bastidores. Os tais problemas internos que acabaram resultando na criação de Kill 'Em All, ainda ocorrem nos dias de hoje, trinta anos após. Na época, a banda decidiu cortar na própria carne, e demitiu o guitarrista Dave Mustaine – impedindo que a sua personalidade autodestrutiva, acabasse com grupo antes mesmo de lançar o seu debut. Em uma desesperada tentativa de ficar na banda, Mustaine ainda solicitou aos integrantes uma internação no AA, que não foi aceita por James. Para o lugar de Dave Mustaine, que formaria o Megadeth em seguida, o Metallica recrutou o guitarrista da banda Exodus, Kirk Hammett.

Toda essa calamidade psicológica que o grupo sofreu em 1983, fez de Kill 'Em All, um disco libertador. Com pitadas de punk – facilmente sentida no trash quebrado de “Hit The Lights” -, o álbum trazia uma sonoridade próxima ao que o Iron Maiden chegou a sugerir em 1980. De uma crueza sangrenta, veloz e incisiva, o Metallica desenhava ao mundo um novo estilo de rock pesado: estava consolidado o Thrash Metal.

Embora os tradicionalistas discordem, o disco de estreia do Metallica é uma perfeita e genial combinação de dois estilos tão contraditórios (punk e metal), que o aperfeiçoamento da fórmula tinha lá suas restrições. Tanto é que o grupo optou por técnica à rapidez nos discos posteriores – culminando anos depois no alongado script de And Justice For All. Em 1983, James ainda não precisava de aulas de canto, e junto com Kirk Hammett – e Dave Mustaine -, fizeram a maior coleção de riffs marcantes que um dia poderiam (“Seek And Destroy”, “Metal Militia”, “The Four Horsemen”). Nos créditos do álbum, há registro de quatro músicas para Dave Mustaine – embora, ele afirme que tenha proibido o Metallica de utilizar suas músicas e que os solos são dele, e não de Kirk. Porém, tudo não passa de suposições, que enriquecem ainda mais a fábula. 

Para muitos fãs, o grupo não soube envelhecer. Eu discordo. Seria impossível para a banda manter o mesmo ritmo, quando o mundo era capitaneado por empresários, que batiam nas portas das gravadoras com malas e malas de promissórias e cifras. A MTV, que tomou o mercado americano de assalto, foi devidamente apropriada pela banda na década de noventa. Alguns dizem que o som do Metallica foi abalado pelo simples fato de eles entrarem no jogo. Na verdade, defendo a teoria de que eles estavam garantindo seguridade financeira para sobreviver à sua pior fase criativa. E sim, tornaram-se modelos de si próprios. O lançamento do ótimo Death Magnetic (2008) animou alguns, mas comprovou também, que isso é o mais próximo que o Metallica chegará um dia do thrash metal. E como um raio dentro de uma garrafa, Kill 'Em All é igualmente inconcebível.

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