O mundo do metal extremo está em luto oficial. Conrad "Cronos" Lant, o lendário cantor, baixista e motor criativo da icônica banda inglesa Venom, faleceu aos 63 anos. A notícia, que pegou a comunidade global do rock de surpresa, marca o fim da trajetória terrena de uma das figuras mais influentes, ousadas e provocativas da história da música pesada.
A causa de sua morte não foi revelada.
Em um comunicado oficial emocionado divulgado nas redes sociais, a banda prestou sua última homenagem ao líder com uma frase que resume perfeitamente sua trajetória:
"O Venom nunca seguiu as regras. Criou seu próprio caminho."
Na mesma publicação, Nathan, filho do músico, deixou uma mensagem direta e sentida às hordas de fãs ao redor do mundo:
“Quero agradecer a todas as Legiões por todo o apoio que vocês deram ao meu pai ao longo dos anos. Sei que ele realmente apreciava todos vocês. Ele entregou sua alma, e sua música vai continuar viva. A lenda de Cronos nunca morrerá.”
A Invenção do Caos: O Nascimento de um Gênero
Nascido em Londres em 1963 e criado em Newcastle, Conrad Lant não apenas integrou o Venom — ele definiu a essência do que a banda se tornaria. Unindo a velocidade frenética do Motörhead, o peso soturno do Black Sabbath e a atitude visceral do punk rock britânico, Cronos e seus parceiros criaram algo inteiramente novo no início dos anos 1980.
Com o lançamento do estrondoso álbum de estreia Welcome to Hell (1981) e, fundamentalmente, do histórico Black Metal (1982), Cronos batizou e moldou todo um subgênero. Seu vocal rasgado, estridente e demoníaco, combinado ao som de baixo distorcido até o limite — que ele apelidou de "Bulldozer" —, estabeleceu o padrão estético e sonoro para tudo o que viria a ser chamado de metal extremo.
Antes do Venom, o apelo obscuro no rock era sutil e metafórico, mas Cronos virou essa mesa ao introduzir pentagramas gigantescos, capas provocativas, couro, rebites e uma postura abertamente confrontadora que se tornou a espinha dorsal do metal extremo. Essa estética e sonoridade serviram de molde para gigantes do thrash metal como Metallica, Slayer e Megadeth, além de fundamentar a primeira e a segunda onda do black e death metal mundial, influenciando diretamente nomes como Bathory, Celtic Frost e Mayhem.
Podendo ser associado diretamente a bandas tão diferentes como Dimmu Borgir, Children of Bodom, Deicide e Behemoth.
Cronos não foi apenas um frontman; foi um arquiteto cultural do underground. Em uma época em que o heavy metal buscava polidez e espaço nas rádios, ele escolheu a sujeira, a velocidade, o choque e a independência absoluta.
À frente do Venom por mais de quatro décadas, Cronos guiou a banda por diversas fases, superando cisões internas e mantendo o nome do grupo vivo nos maiores festivais do planeta. Sob seu comando, o Venom lançou 16 álbuns de estúdio — incluindo o mais recente Into Oblivion (2026), gravado ao lado dos fiéis companheiros Rage e Dante, provando que sua chama criativa e fúria sonora continuavam intactas até o fim.
A primeira e histórica passagem do Venom pelo Brasil ocorreu em dezembro de 1986, com a turnê batizada de Brazilian Assault Tour 1986.
A vinda serviu para promover o quarto álbum de estúdio do grupo, intitulado Possessed, passando por Belo Horizonte (no ginásio do Mineirinho, com a abertura histórica do então iniciante Sepultura, que havia recém-lançado Morbid Visions), Brasília (Ginásio Presidente Médici), Rio de Janeiro (no Maracanãzinho, com episódios marcantes e participações/abertura da cena local como o Dorsal Atlântica), e São Paulo (Ginásio do Corinthians). Realmente os tempos eram outros, vide o tamanho dos locais dos shows.
A turnê na época gerou curiosidade e até polêmicas entre os fãs mais puristas da época porque o guitarrista original Mantas não participou dessa vinda ao Brasil, fazendo com que a banda se apresentasse com dois guitarristas substitutos.
Como bem pontuou seu filho Nathan, a carne pode ter cedido, mas a música e a persona gigantesca de Conrad "Cronos" Lant permanecerão ecoando em cada riff veloz, cada vocal rasgado e cada palco underground pelo mundo.

