Van Halen lota as lojas com edições avulsas de álbuns ao vivo e colecionadores vão à loucura

Reprodução Facebook

​Resgate de apresentações históricas em New Haven (1986), Dallas (1991) e Wembley (1995) ganham prensagens independentes em vinil, CD e plataformas digitais, consolidando a era Sammy Hagar no acervo oficial da banda. ​Os fãs e colecionadores de mídias físicas do Van Halen têm motivos de sobra para comemorar, é o resgate de uma era de ouro

A iniciativa de lançar comercialmente, de forma avulsa (stand-alone), os discos ao vivo originalmente restritos aos luxuosos e caros box sets Expanded Edition dos álbuns 5150 (1986), For Unlawful Carnal Knowledge (1991) e Balance (1995) transformam as lojas de discos num verdadeiro ponto de peregrinação.

​A chegada às prateleiras das edições avulsas em vinis coloridos, edições em CD digipack e tiragens limitadas para datas como o Record Store Day preenchem uma lacuna histórica. São registros brutos, sem maquiagens exageradas, que capturam a eletricidade pura do Van Halen no auge de sua forma técnica e comercial.

​A decisão de disponibilizar estes três shows fora dos caixotes de luxo originais criaram uma verdadeira corrida entre os colecionadores de discos. Como as plataformas de streaming mantiveram os áudios atrelados às faixas bônus dos discos originais (exigindo que o ouvinte navegue até as edições Expanded de 5150, For Unlawful Carnal Knowledge ou Balance), a experiência de ter o show como um álbum independe tornou-se exclusiva do formato físico.

​Sem prensagens nacionais brasileiras, as edições importadas em CD digipack e, principalmente, as raras variantes de vinil colorido prensadas para o mercado global transformaram-se em itens altamente disputados. Muitas variações já estão esgotadas e o mercado de revendedores e feiras de vinil começam a aumentar seu valor .

A chegada de New Haven 1986, Dallas 1991 e Wembley 1995 às prateleiras faz justiça à história da banda, garantindo que o legado ao vivo da era "Van Hagar" ocupe, finalmente, o lugar de destaque que sempre mereceu nas coleções de rock do mundo inteiro.

Renascimento em Connecticut: a euforia da chegada do Sammy Hagar em New Haven (1986)


​Em agosto de 1986, o Van Halen vivia o ápice da incerteza e da afirmação. Com a saída turbulenta de David Lee Roth, o grupo precisava provar que a entrada de Sammy Hagar não apenas manteria a banda viva, mas a levaria a novos patamares. O palco do Veterans Memorial Coliseum, em New Haven, Connecticut, foi o cenário dessa virada de chave histórica.

​Eternizado visualmente no clássico VHS Live Without a Net, o áudio daquela noite ganha agora vida própria nos tocadores de vinil e tocadores de CD. O repertório é uma celebração direta do frescor do álbum 5150, com execuções vibrantes de "Summer Nights", "Best of Both Worlds" e "Good Enough". 

O clima festivo no palco ainda abriu espaço para o sucesso solo de Hagar, "I Can't Drive 55", uma versão descontraída de "Wild Thing" (The Troggs) e um encerramento feroz com o clássico "Rock and Roll", do Led Zeppelin.

​A promessa paga em praça pública: dia de festa em Dallas (1991)


​Se New Haven representa o alívio do recomeço, o show em Dallas, no dia 4 de dezembro de 1991, é o retrato da raça e da espontaneidade. A apresentação gratuita no Westend Marketplace atraiu cerca de 80 mil pessoas e colocou fim a um drama de três anos. 

Em 1988, durante um show no Cotton Bowl, da turnê Monsters of Rock , Sammy Hagar perdeu a voz na primeira música e prometeu ao público que o Van Halen voltaria à cidade para tocar de graça. ​A promessa, feita sem aviso prévio aos irmãos Van Halen, gerou forte irritação nos bastidores devido à logística complexa e aos custos milionários. 

Porém, em 1991, a palavra foi mantida. Com um setlist curto, visceral e sem solos individuais longos, o grupo apresentou  11 faixas focadas no peso de For Unlawful Carnal KnowledgeA gravação destaca momentos de puro prazer para os colecionadores e fãs como "Poundcake", "Judgement Day" e o cover de "A Apolitical Blues" (do Little Feat), oferecendo o contraste perfeito ao polido álbum duplo Live: Right Here, Right Now (1993).

​A pseudo conquista de Wembley e a saída de cena (1995)


​Encerrando a trilogia com chave de ouro, Live at Wembley 1995 registra a passagem do Van Halen pelo lendário estádio londrino em 24 de junho de 1995, uma das três noites no local. Atuando como convidados especiais na gigantesca  These Days Tour do Bon Jovi, o quarteto enfrentou multidões europeias promovendo o denso álbum Balance.

​O registro de 8 faixas pinçadas daquela noite traz a afiação de uma banda em seu ápice instrumental, poucos meses antes da traumática separação de Hagar em 1996. Faixas pesadas do repertório recente como "The Seventh Seal" e "Feelin’" dividem espaço com clássicos da era Roth adaptados pela voz de Sammy — como "Ain't Talkin' 'Bout Love" e "Jump" assim como a versão apropriada para "You Really Got Me" — e claro que fazem parte do curto show um solo monumental de guitarra de Eddie Van Halen e o emotivo final com a dramática  "Right Now".

Van Halen ao vivo para sentar e analisar, comparar versões, produções e vitalidade. A liberação destes arquivos inéditos em áudio para múltiplas audições viram um verdadeiro presente para os fãs. No Brasil a banda somente esteve em 1983. Após a morte do inovador e influente guitarrista Eddie Van Halen, finalmente podemos passar horas ouvindo toda a sua técnica e destreza ao vivo com estes três capítulos da história do Van Halen que estavam parados numa prateleira de um galpão.

Muita expectativa existe pela edição remasterizada do álbum de 1988, OU812Até o momento não há indícios ou declarações oficiais dessa possibilidade, mas com o sucesso dos outros três box sets, parece inevitável. 

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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