Todo fã de rock tem um disco que mudou sua vida. Para celebrar o Dia Mundial do Rock, o Rock On Board convidou artistas que estarão no Rock in Rio 2026 para responder uma pergunta aparentemente simples: qual disco de rock mudou a sua vida?
As respostas mostram que não existe uma única trilha sonora para quem vive o rock. E que de alguma forma, essas obras criadas ao longo do tempo, ajudaram a moldar caminhos e influenciaram gerações.
Discos que influenciaram uma vida musical
Para Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, que se apresenta no dia 06 de setembro no Rock in Rio, o disco que mudou sua vida foi um dos maiores clássicos da história do rock. Lançado em 1975, A Night at the Opera, do Queen, não apenas o transformou em fã da banda, como acabou influenciando diretamente o nascimento do Barão Vermelho alguns anos depois.
"Acho que o disco que verdadeiramente mudou a minha vida foi o do grupo inglês Queen, de 1975, A Night at the Opera. Fiquei fã por anos e, em 1981, assisti a eles no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Na volta da viagem veio a certeza de formarmos um grupo com cantor. O resto é a história do Barão, que já tem 45 anos."
Esse é um daqueles casos em que um álbum não apenas inspira um músico, mas acaba ajudando a mudar os rumos do rock brasileiro.
Outra figura emblemática do rock nacional que teve sua vida guiada por álbuns históricos foi Dinho Ouro Preto. O vocalista do Capital Inicial lembra que o primeiro disco comprado com seu próprio dinheiro foi uma gravação pirata de Jimi Hendrix tocando Cream, mas aponta o clássico Led Zeppelin IV como um dos grandes responsáveis por sua formação musical.
"O Led Zeppelin IV foi um álbum que mudou a minha vida. E depois tem uns outros discos que foram um divisor de águas. Eu lembro a primeira vez que ouvi Queen. Era o Queen II, que até hoje é o meu disco favorito do Queen".
Mas Dinho não para por aí. Em poucos segundos, sua memória afetiva passeia por Ramones, The Cure, Oasis, Red Hot Chili Peppers e também pelo rock brasileiro.
"O 'Dois' da Legião, 'Cabeça Dinossauro' dos Titãs, 'Selvagem' dos Paralamas... Vou ficar aqui o dia inteiro falando de discos de rock and roll brasileiro.", comenta. O Capital Inicial fará um show com Dado Villa-Lobos no dia 04 de setembro, no Palco Sunset do Rock in Rio.
Se Dinho cita uma vida inteira de descobertas musicais, MC Taya consegue apontar exatamente o momento em que tudo mudou. Para ela, o disco de estreia do Korn, lançado em 1994, foi um verdadeiro choque de realidade.
"KoRn (1994) acho que definitivamente foi o disco de rock que mudou minha vida e me fez fazer o que faço hoje. Escutar o famigerado primeiro disco de nu metal e ver o que os caras fizeram ali misturando metal e groove, letras sobre depressão, abuso, violência e queerness foi realmente algo transformador para mim."
A artista, que é uma expoente da nova geração do rock nacional, também destaca a importância de discos como Usuário, do Planet Hemp, Sevas Tra, do Otep, e Spit, do Kittie, não apenas pela sonoridade, mas pelas mensagens políticas e sociais que carregam. Taya é atração do Palco Supernova no dia 05 de setembro, o dia mais pesado do Rock in Rio 2026.
Outro que não precisou pensar muito para responder foi Fábio Brasil, baterista dos Detonautas. Fábio está na banda desde o início dos anos 2000, quando a banda lançou o primeiro disco de estúdio, Detonautas Roque Clube, que traz sucessos como "Outro Lugar", "Olhos Certos" e "Quando o Sol se For".
"O disco que ditou a direção da minha vida foi Creatures of the Night, do Kiss. Foi o primeiro disco que comprei na vida. Eu tinha 10 anos de idade e passei a ouvir rock e me considerar um roqueiro nato a partir desse disco."
No Rock in Rio deste ano, o Detonautas faz um show especial com a banda Biquini Cavadão, no dia 04 de setembro.
A relação entre juventude, identidade e rock também aparece no relato de Milton Aguiar, vocalista do Bayside Kings. No seu caso, tudo começou através do skate e do impacto visual provocado pelo Suicidal Tendencies.
"Eu era bem pequeno e tinha um vizinho que escutava esse álbum. O visual do Suicidal Tendencies, o lance da bandana, aquele ganguerismo mexicano, tudo aquilo me chamou muita atenção."
O álbum era Lights... Camera... Revolution!, lançado em 1990. Alguns anos depois, porém, outro disco provocaria uma transformação igualmente importante.
"Recebi um CD-R de um amigo que tinha 'A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum', do CPM 22. Foi ali que pela primeira vez eu entendi o que era punk rock em português. São dois álbuns que representam o antes e o depois da minha vida.", revela. O Bayside Kings está no Palco Supernova, dia 06 de setembro no Rock in Rio.
Jimmy London, vocalista do Matanza Ritual, escolheu um dos discos mais populares e influentes da história do heavy metal. Lançado em 1991, o Black Album, do Metallica, levou o peso da banda para o grande público sem abrir mão da intensidade, transformando músicas como "Enter Sandman", "Nothing Else Matters" e "Sad But True" em clássicos do rock. Para Jimmy, o álbum representa um divisor de águas na forma como o metal passou a ser entendido por toda uma geração.
"Não tem como não falar do Black Album do Metallica. Tem emoção, tem sangue, tem suspense, tem terror. Acho que criou o que a gente entende como rock pesado hoje em dia."
Jimmy sobe no palco do Rock in Rio no dia 06 de setembro com o Matanza Ritual. Eles se apresentam no Palco Supernova.
Já Kiko, guitarrista do Roupa Nova, voltou no tempo para lembrar o momento em que percebeu que a música seria muito mais do que um hobby. O responsável por isso foi Abbey Road, dos Beatles.
"Nos meus 15 anos, o baterista da minha banda me deu de presente o Abbey Road. Aí eu pirei. Pirei mesmo. As canções são maravilhosas. Eu falei: 'Pô, vou ter que ser guitarrista mesmo'. Eu amo esse disco."
O Roupa Nova volta ao Rock in Rio após 35 anos de sua única apresentação no festival. Eles tocam no mesmo dia de Elton John, dia 07 de setembro, no Palco Sunset.
Charles Gama, guitarrista e vocalista do Black Pantera, voltou a atenção para um álbum que redefiniu não apenas sua forma de ouvir música, mas também sua percepção sobre o que uma banda brasileira poderia conquistar no cenário mundial. A escolha foi Chaos A.D. (1993), do Sepultura.
"Pergunta difícil. Foram vários. Mas um que definiu o que eu faço hoje em dia foi, com certeza, o Chaos A.D., do Sepultura. Quando chegou para mim foi um boom gigantesco. Pelo som, pela atitude e por saber que os caras eram brasileiros, mineiros igual a gente aqui. Foi uma loucura pensar que era possível. Foi onde eu vi que tudo era possível. A dinâmica do álbum era incrível. Tem diversos hinos naquele disco. 'Refuse/Resist' é a minha favorita e abriu minha caminhada e minha mente para fazer o que eu faço hoje em dia."
O depoimento de Charles mostra como Chaos A.D. extrapolou a condição de clássico do metal para se tornar um símbolo de representatividade. Para um músico mineiro que décadas depois também levaria sua banda aos grandes festivais do mundo, ver o Sepultura romper fronteiras significou entender que o Brasil também podia ocupar o topo do heavy metal internacional. O Black Pantera toca no Rock in Rio no dia 05 de setembro no Palco Sunset, com a banda Nervosa.
Entre Beatles, Led Zeppelin, Metallica, Korn, Kiss, CPM 22 e Suicidal Tendencies, as respostas mostram que não existe um único caminho para chegar ao rock. Cada artista encontrou sua porta de entrada em um álbum diferente. O que todos têm em comum é que aqueles discos continuam ecoando décadas depois — e, de alguma forma, ainda estão presentes nos palcos que ocuparão no Rock in Rio.
E você? Qual disco mudou a sua vida?
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