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| Foto: Divulgação |
Depois
de mostrar diferentes facetas de “Celestial” nos três primeiros singles, o Papangu chega agora a “Celeste”, quarta amostra de seu terceiro
álbum de estúdio.
Segundo
a própria banda, a composição nasce do encontro entre a “música celestial” de Christian Vander e a “música universal”
de Hermeto Pascoal, explorando
encantamento e memória através de constantes movimentos de tensão e
relaxamento.
Ao
ouvir “Celeste”, a sensação é de estar diante de uma música feita para ser
sentida, mais do que analisada. É uma faixa curta, totalmente instrumental, que
bebe na fonte do jazz, mas sem se prender às convenções do gênero. O que se
ouve é exatamente o que a banda promete em seu release: a força quase
ritualística de Vander encontra toda a magia – e por que não, a loucura
criativa – de Hermeto Pascoal.
O
resultado é uma composição contemplativa, na qual cada instrumento encontra seu
espaço e conduz o ouvinte por uma experiência que parece flutuar entre o
progressivo, o jazz, a música brasileira e o experimentalismo, sem jamais
perder a identidade que o Papangu vem construindo ao longo de sua carreira.
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| Arte da Capa: Juliana Lapa |
Essa atmosfera também se reflete na belíssima arte da capa, assinada pela artista pernambucana Juliana Lapa. A pintura transmite uma intensa sensação de movimento: uma enorme massa branca atravessa a paisagem como se fosse nuvem, vento, fumaça ou até uma entidade espiritual, envolvendo personagens que parecem dançar, brincar ou reagir a uma força invisível.
É
uma imagem que, assim como a música, não entrega respostas prontas. Ela sugere
encantamento, memória e transformação, dialogando de maneira quase perfeita com
o conceito apresentado pela banda. Os tons terrosos contrastam com o branco
luminoso da figura central, criando uma cena ao mesmo tempo onírica e
profundamente brasileira.
Curiosamente,
descobri a autoria dessas capas depois de enviar à banda a resenha do single anterior. Perguntei quem era a
artista responsável pelas pinturas e fui apresentado ao trabalho de Juliana
Lapa. Eles também me contaram que suas obras estão atualmente em exposição na
Galeria Claraboia, em São Paulo, na mostra “Olga não me deu nada como herança”,
sua primeira individual na capital paulista. A exposição permanece em cartaz
até 8 de agosto e reúne trabalhos que exploram memória, paisagem,
espiritualidade e narrativas visuais marcadas por grande intensidade poética.
Não
por acaso, suas pinturas parecem pertencer ao mesmo universo imaginário que o
Papangu vem criando em “Celestial”. Música e imagem caminham lado a lado,
reforçando uma proposta artística que privilegia a experiência, a contemplação
e a liberdade criativa.
Mais
do que um simples single, “Celeste”
funciona como um convite: fechar os olhos, esquecer os rótulos e simplesmente
sentir a música.
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Papangu


