De lendas internacionais a promessas do metal nacional, analisamos os horários e os conflitos que colocarão o coração dos headbangers à prova nos dias 25 e 26 de abril no Memorial da América Latina em São Paulo.
Com a divulgação da grade de horários para os quatro palcos — Hot, Ice, Sun e Waves —, o festival Bangers Open Air Brasil confirma o que já prevíamos: será uma maratona de resistência técnica e escolhas difíceis. Para o jornalista musical e o colecionador de mídia física, o evento é um prato cheio, mas exige um planejamento cirúrgico.
Sábado, 25 de Abril: Entre o Melódico e o Brutal
O primeiro dia do festival estabelece uma dinâmica inteligente entre os palcos principais (Hot e Ice), permitindo que os grandes nomes sejam vistos quase em sequência. No entanto, o verdadeiro "pulo do gato" está em transitar para os palcos secundários sem perder a essência.
O Início das Hostilidades
O meio-dia de sábado já apresenta o primeiro grande dilema: o Thrash visceral do Korzus (Ice) contra o doom místico do Lucifer (Sun). Para quem valoriza a história do metal nacional, o Korzus é obrigatório, mas a performance de Johanna Sadonis no Sun Stage promete ser um dos momentos mais estéticos do dia. Pois a banda volta ao Brasil com uma nova formação.
A partir das 15h, o bicho pega. Enquanto o Jinjer mostra por que Tatiana Shmayluk é uma das vozes mais técnicas da atualidade no Hot Stage, o Feuerschwanz traz seu folk metal festivo ao Sun Stage.
O Killswitch Engage (16:30) e o In Flames (19:15) são as colunas vertebrais do metal moderno no sábado. A sobreposição do In Flames com o Tankard (Sun) será a dor de cabeça de quem gosta de alternar entre a melodia sueca e o "alcoholic metal" alemão.
O fechamento com Arch Enemy (20:40) no Hot Stage é o clímax óbvio, mas não ignore o Onslaught no Sun Stage quase no mesmo horário. Para os puristas do thrash britânico, o palco Sun será o lugar certo para encerrar a noite com o pescoço doendo de tanto bater cabeça.
Domingo, 26 de Abril: o dia das escolhas impossíveis
Se o sábado permite alguma respiração, o domingo é uma sucessão de confrontos diretos que testarão a fidelidade do público aos seus subgêneros favoritos.
Um dos grandes destaques do domingo no palco Waves é o Trovão (17:10). Enquanto Adrian Smith e Richie Kotzen destilam classe e blues/rock no palco principal, o Trovão carrega a bandeira do heavy metal cantado em português. É o confronto entre o requinte internacional e a urgência da nossa cena. Para quem cobre a trajetória das bandas nacionais, o Trovão é parada obrigatória. Representando o heavy metal tradicional com letras em português, o Trovão é um prato cheio para quem aprecia a sonoridade oitentista. A banda mantém viva a chama do metal clássico brasileiro, unindo velocidade e a estética rústica do gênero.
O domingo reserva um teste de lealdade para os fãs de hard rock. Enquanto o Crazy Lixx (Sun Stage) prova que o sleaze sueco está mais vivo do que nunca com sua energia jovial, o Winger (Ice Stage) entra em cena para lembrar que a técnica refinada e os arranjos complexos ainda são o padrão ouro do gênero. Winger (16:05 – Ice Stage) representa a técnica absoluta dos anos 80/90. Kip Winger e Reb Beach são músicos de elite. O show deles não é apenas nostalgia; é uma aula de composição e execução técnica.
Crazy Lixx (15:20 – Sun Stage): são os herdeiros suecos do estilo. Eles começam 45 minutos antes do Winger, o que significa que, quando o Winger subir ao palco, o Crazy Lixx estará no auge do seu setlist, provavelmente tocando canções como "21 Till I Die" ou "Wild Child". Ver a transição geracional entre o início do set de um e a entrada triunfal do outro será um dos exercícios mais interessantes para os analistas de plantão, criando uma ferida nos fãs de hard rock e sleaze metal.
Às 18:30, o festival se divide: a beleza sinfônica do Within Temptation contra a brutalidade death metal do Krisiun. É um teste de ecletismo. Ver a precisão milimétrica dos irmãos Kolesne no Sun Stage é sempre uma aula de técnica, mas o espetáculo visual de Sharon den Adel no Ice Stage é o que define um festival de grande porte.
O Duelo de Headliners e a "Cereja do Bolo"
O encerramento traz o maior conflito do fim de semana:
Angra (19:45 - Hot Stage): celebrando sua história com um set longo de 2h15. E Dirkschneider (20:15 - Sun Stage): Udo Dirkschneider, vocalista original da banda alemã Accept entra no palco despejando clássicos do para os nostálgicos.
O show acontece exatamente no palco do outro lado do Memorial da América Latina no meio do show do Angra Reunion.
E para quem acha que a noite acaba com os headliners, o Ambush surge como a grande recompensa final no Waves Stage às 21:40. Os suecos, expoentes da New Wave of Traditional Heavy Metal, são a escolha perfeita para quem quer terminar o festival no modo "old school", com guitarras gêmeas e agudos cortantes, aproveitando a saída do show de Dirkschneider e do Angra .
O Bangers Open Air 2026 não é um festival para amadores. A grade reflete uma curadoria que entende tanto o apelo comercial quanto o "underground" de luxo.
Nossa recomendação? Priorize a técnica e a raridade. Bandas como Ambush e Trovão dão o tom de frescor, enquanto lendas como In Flames e Angra entregam a segurança que um headliner exige.
Prepare seu roteiro e hidrate-se.
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