O público brasileiro de hard rock pode se preparar: o Crazy Lixx está voltando ao país para uma apresentação aguardada no Bangers Open Air, e o vocalista Danny Rexon garante que o show promete surpresas.
Em entrevista ao Rock On Board, o líder da banda sueca falou sobre o carinho pelo público brasileiro, o processo criativo do novo álbum Thrill of the Bite, a missão de manter o hard rock vivo em 2026 e até revelou memórias inusitadas de suas passagens pelo Brasil.
Segundo Rexon, tocar no festival representa um momento especial para a banda: “Nós já estivemos no Brasil antes, mas sempre fizemos shows em clubes. Então vai ser diferente. Estamos realmente ansiosos. É uma grande chance de alcançar um público mais amplo”, afirma.
Quem acompanha a banda sabe que o Brasil sempre foi um território importante para o Crazy Lixx. Rexon afirma que os números de streaming e a interação nas redes mostram o quanto o país se tornou uma base sólida para o grupo: “Vejo nos números de streaming e visualizações no YouTube que o Brasil é uma área em que estamos tentando focar. Sabemos que temos um bom público aí.”
Mas não são apenas os números que impressionam o músico — a energia dos fãs brasileiros é algo que ele destaca repetidamente: “Os fãs brasileiros são muito gratos e muito engajados nos shows. Em alguns lugares da Europa o público fica quieto e apenas ouvindo. No Brasil é diferente: muita gente quer conversar, tirar fotos e interagir com a banda.”
O que esperar do show no Bangers Open Air
O Crazy Lixx prepara um set especial para a apresentação no festival. A banda está ensaiando novas músicas que também farão parte de outro grande evento da agenda, o Monsters of Rock Cruise.
Isso significa que até mesmo fãs que já viram a banda ao vivo podem esperar novidades: “Estamos ensaiando material novo e vamos levar algumas dessas músicas também para o Bangers. Então mesmo quem já nos viu antes pode esperar algumas surpresas.”
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“Thrill of the Bite”: evolução sem abandonar as raízes
Lançado recentemente, Thrill of the Bite representa o oitavo álbum do Crazy Lixx e marca uma evolução natural da banda — principalmente no processo de produção.
Rexon explica que cada vez mais o grupo trabalha internamente no estúdio: “Desde alguns álbuns atrás eu sou o principal produtor, e esse foi o primeiro que também mixei do começo ao fim. Foi uma evolução natural do que já vínhamos fazendo.”
Apesar disso, a banda evita mudanças radicais. “Quando você está no oitavo álbum, é perigoso mudar demais. As pessoas esperam um certo som. Eu mesmo não gosto quando bandas se afastam muito do que fizeram antes.”
Entre as músicas que têm funcionado melhor ao vivo estão: “Little Miss Dangerous”, “Who Said Rock’n’Roll Is Dead” e “Hunt for Danger”
A missão de provar que o rock não morreu
A faixa “Who Said Rock’n’Roll Is Dead” se tornou uma espécie de manifesto da banda.
A frase faz referência a declarações famosas como as de Gene Simmons, que já afirmou que o rock estaria “morto”.
Rexon discorda — ao menos parcialmente: “Ouvimos há anos pessoas dizendo que o rock morreu. Eu entendo de um ponto de vista, porque talvez não goste da direção que o gênero tomou nos últimos 10 ou 20 anos. Mas isso não significa que ele acabou.”
Para o vocalista, o segredo está em combinar o espírito clássico com produção moderna. “Eu queria soar exatamente como nos anos 80, mas isso não funciona hoje. Se você lançasse algo com aquela produção antiga, muita gente acharia que é uma demo. Então é preciso equilibrar o som clássico com a produção atual.”
Além de vocalista e compositor, Rexon também se tornou um dos produtores mais requisitados do hard rock melódico — especialmente por seu trabalho com Chez Kane.
Curiosamente, os dois universos acabam se alimentando criativamente. “O projeto da Chez Kane começou porque eu tinha muitas músicas que não se encaixavam no Crazy Lixx. Então foi uma forma de usar ideias criativas que não funcionariam na banda.”
Filmes, estética oitentista e inspirações
O Crazy Lixx também é conhecido por seus videoclipes inspirados na estética dos filmes de ação e terror dos anos 80.
Entre as referências citadas por Rexon estão produções como Mad Max 2: The Road Warrior — cuja estética pós-apocalíptica, segundo ele, influenciou até o visual de bandas clássicas como Mötley Crüe.
Já quando o assunto é filme favorito, ele cita um clássico cult: “Eu sempre acabo dizendo que é Tremors. Talvez não seja meu favorito absoluto, mas é um que sempre posso assistir de novo.”
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Memórias (e ressaca) no Brasil
Entre as lembranças mais curiosas de suas visitas ao país, Rexon conta uma história que envolve hospitalidade brasileira… e um pequeno apagão de memória. “Depois de um show em São Paulo, continuaram trazendo bebidas para a gente. Eu era mais jovem e continuei bebendo… até que tive um pequeno blackout”, brinca.
Apesar disso, ele também destaca outra memória marcante: a culinária. “Comemos em um restaurante com a melhor carne que provavelmente já comi na vida.”
A mensagem final para os fãs brasileiros
Para quem vai ver o Crazy Lixx no Bangers Open Air, Rexon deixa um convite direto: “Se você ainda não conhece a banda, essa é uma ótima chance de nos ver ao vivo em um grande festival. E para quem já viu antes, teremos algumas surpresas no set.”
Se depender da energia do público brasileiro — que Rexon considera uma das mais intensas do mundo — o retorno da banda promete ser um dos momentos marcantes do festival.
