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| Foto: Divulgação |
Em 13 de março de 1966
nascia Chico Science — o homem que,
três décadas depois, ainda parece ter vindo do futuro.
Se
estivesse entre nós, Chico completaria hoje 60 anos. Mas sua trajetória foi
interrompida cedo demais. Em 1997, um trágico acidente de carro tirou a vida de
um artista que, aos 30 anos, estava apenas começando a revelar a dimensão de
sua criatividade.
Ainda
assim, o impacto de sua obra foi suficiente para alterar profundamente o rumo
da música brasileira dos anos 1990.
À
frente da Chico Science & Nação
Zumbi, Chico ajudou a construir algo que não cabia em rótulos simples. O
movimento Manguebeat surgiu como uma
explosão criativa que misturava maracatu, funk, hip hop, rock e música
eletrônica, conectando tradição e modernidade de uma maneira até então inédita.
A
metáfora central do movimento era poderosa: uma antena parabólica fincada no
mangue, captando sons e ideias do mundo inteiro.
Não por acaso, discos como Da Lama ao Caos e Afrociberdelia se tornaram marcos da música brasileira contemporânea. Mais do que apresentar uma nova sonoridade, esses trabalhos propunham uma nova forma de pensar cultura: profundamente conectada às raízes locais, mas aberta ao diálogo com o planeta.
Antes
mesmo do Manguebeat ganhar projeção nacional, Chico já transitava por
diferentes universos culturais. Nos anos 1980, foi também um entusiasta da
cultura hip-hop que começava a se espalhar pelo Brasil, frequentando rodas de
break e absorvendo referências que mais tarde ajudariam a moldar a estética
híbrida de sua música.
Hoje
parece inevitável reconhecer a importância de sua obra. Mas no início, o
impacto foi muito mais cultural do que comercial. O reconhecimento amplo veio
gradualmente, consolidando-se após o lançamento de Afrociberdelia e ampliando-se ainda mais após sua morte precoce.
Com
o passar do tempo, a dimensão histórica do que Chico Science ajudou a criar se
tornou cada vez mais evidente. O Manguebeat não foi apenas um movimento
musical, mas também uma afirmação cultural que reposicionou Recife no mapa
criativo do país.
Para
quem deseja compreender melhor essa trajetória, duas leituras são especialmente
recomendadas: Da Lama ao Caos: Chico
Science & Nação Zumbi, da jornalista Lorena Calábria, e Criança
de Domingo: uma biografia musical de Chico Science, do pesquisador e
jornalista José Teles. Ambas ajudam a
compreender não apenas a trajetória do artista, mas também o contexto cultural
que deu origem a uma das revoluções mais interessantes da música brasileira
recente.
Sessenta
anos depois do nascimento de Chico Science, a sensação permanece curiosa:
enquanto boa parte da música contemporânea parece olhar para trás em busca de
referências, Chico já apontava para frente. Talvez por isso sua obra continue
soando menos como memória — e mais como futuro.
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