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20 anos de 'Iowa', o álbum mais pesado, sincero e agressivo do Slipknot

Slipknot na época de "Iowa", seu álbum de 2001


É sempre difícil definir o álbum mais relevante de uma banda consagrada. Levamos em consideração um monte de coisas para defender o nosso álbum preferido. Alguns vão se agarrar aos números, outros vão listar a quantidade de músicas que se tornaram um sucesso, e haverá aquele que tentará te apresentar um álbum que represente a fase mais característica e histórica da banda. E é aqui que entra o nosso disco em questão. No caso do
Slipknot que nasceu tentando ser uma das bandas mais agressivas de seu estado, IOWA é indiscutivelmente a representação mais pesada e próxima que eles conseguiriam chegar um dia. 


Antes de tudo é bom explicar a proposta de uma banda como o Slipknot. Quem teve a oportunidade de assistir o grupo ao vivo pelo menos uma vez na vida, sabe o quão impressionante é a capacidade deles em canalizar tão bem uma energia negativa e transformar em sinergia catártica entre milhares de pessoas ao mesmo tempo. No discurso, nada de rodeios diplomáticos. As letras falam sobre perdas, dor, revolta e tensão psicológica. E isso foi o ponto chave para essa máquina furiosa que é Iowa. O título é uma homenagem ao local que a banda nasceu, e de acordo com o grupo, foi fonte de inspiração para muitas letras desse álbum.


Vale um aviso para para aqueles que possuem uma queda ao Slipknot de peso técnico e dosado pelos vocais melódicos de Corey Taylor nos refrões - algo bastante presente nos álbuns posteriores: Com exceção de canções como "Left Behind", por exemplo, podemos dizer que Iowa provavelmente não é um álbum indicado para você. "Mas o primeiro álbum dos caras também é uma pedrada sonora", dirão os mais espertos. Certamente. Mas a principal diferença desse Iowa para o debut dos mascarados é a lapidação sonora. Uma lapidação que alcançou o ápice no excelente Vol.3: The Subliminal Verses - um disco que dividiu a carreira do grupo e definiu sonoramente o que é o som da banda nos dias de hoje.


Em Iowa, a banda optou pela manutenção de Ross Robinson na produção, e contou com uma maior participação do guitarrista Jim Root. Mas o que fez o caldo engrossar foi o estado mental do grupo no período de composição e gravação do trabalho. O Slipknot vivia a tal fase de pós-sucesso mundial e os integrantes começaram a ter problemas sérios de drogas e cansaço mental. Com isso, os problemas de relacionamento ficaram explícitos. A banda chegou a dizer em entrevistas que "passaram a se odiar" na fase de produção do disco e que as músicas falam sobre toda essa pressão vivida após sua longa primeira turnê mundial. 


Esse estado psicológico rendeu músicas furiosas, densas e surpreendentemente agressivas ao ponto de muitos considerarem Iowa como o disco menos comercial de uma banda que é um fenômeno popular. Mesmo assim, o álbum contraria a tese, já que estreou no Top 10 em 9 países e ganhou platina nos EUA, Canadá e Disco de ouro no Reino Unido. 


Não que seja ruim o atual momento da banda. Muito pelo contrário. O Slipknot é atualmente uma das bandas que melhor evoluíram em sua proposta artística e tornaram-se um dos maiores nomes do metal mundial. Mas Iowa fala de uma banda que não tinha a segurança comercial de hoje, não tinha seus próprios festivais e não possuía modelos pré-estabelecidos para canções de sucesso. Ou seja, era outra banda. Não melhor e nem pior que a de hoje. Apenas diferente em sua alma. 


Essencial para qualquer fã de metal, principalmente os mais extremos, já que ele se destaca como o drop mais pesada e experimental de sua discografia, Iowa é o resultado mais honesto da química furiosa e certeira que uniu tantas características e personalidades distintas por muitos anos. Para não dizer que não falamos das músicas, destaque para a faixa título e seus 15 minutos de peso, experimentalismo e tensão sonora. Um verdadeiro clássico! Já para aqueles e aquelas que gostam de agressividade, "New Abortion", "People=Shit" e "Metabolic" são boas pedidas para bater cabeça nesses 20 anos desse petardo sônico.


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