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Sepultura rechaça "viuvadas" com metal incontestável e evolutivo de 'Quadra'

Sepultura retorna com mais um novo petardo: "Quadra"
Por  Bruno Eduardo 

Desde a saída de Max Cavalera, há mais de vinte anos, o Sepultura sofre com "viuvadas" de todos os lados (o último capítulo aconteceu recentemente envolvendo Glória Cavalera por meio de suas redes sociais). Mas, para a alegria dos fãs e de quem não sobrevive de pautas polêmicas, a banda sempre trata de dissipar tais episódios com trabalho. Podem acusá-los de tudo, menos de não seguirem em frente. Seja unindo tambores franceses ou mudando a concepção de seu metal (como aconteceu no ótimo Machine Messiah), o único compromisso do grupo é ter algo a oferecer aos seus seguidores.

O Sepultura é um grande exemplo de banda que prefere evoluir ao preencher lacunas. Basta olhar atentamente a biografia do grupo. A saída de Max não causou uma caça ao cover. Ela abriu espaço à procura de um novo modelo (Derrick Green), que viria se tornar um dos maiores frontmen de metal de todos os tempos. De forma ainda mais evidente, temos Eloy Casagrande, que coloca a banda num patamar muito mais elevado - tamanha a diferença técnica para seu antecessor. Mas nada disso funcionaria se o grupo não andasse de mãos dadas ao seu comprometimento artístico e uma incrível capacidade de auto-conhecimento. 

Para chegar em Quadra, décimo quinto trabalho de estúdio do grupo, Andreas Kisser debruçou seu tempo na literatura. E influenciado pelo livro "Quadrivium", decidiu trazer a temática para o novo conjunto de canções da banda. O conceito do álbum foi igualmente planejado. De acordo com Andreas, o grupo pensou no trabalho como um álbum de vinil duplo, com quatro lados. E assim, organizou as faixas pelos estilos de cada lado do LP (o lado mais thrash, o lado mais groove, o mais instrumental e o mais melódico). No entanto, nenhuma teoria consegue sobrepor a arte ali feita. E é exatamente nesse plano (sonoro) que o trabalho ganha destaque.

A abertura do álbum é um assombro. "Isolation" sintetiza perfeitamente o que de melhor existe na fórmula do thrash metal. Velocidade, riffs cuspidos, raiva e como de costume, espaço para inclusões modernosas. O passo seguinte ("Means To An End") sugere a evolução do gênero - algo que o Pantera talvez pensasse em fazer um dia, se Diamond Darrell aqui estivesse e quisesse experimentar novas ondas. Já "Last Time" é pura pancadaria - sem explicação e teorias. A percussão, marca registrada no som do Sepultura, aparece de forma escancarada em "Capital Enslavement" e na 'quase' acústica "Guardians Of Earth", que traz corais de igreja e uma interpretação irretocável de Derrick Green. Essa canção é certamente um marco desse "novo Sepultura", que evolui seu som num metal quase sinfônico.

A parte instrumental é outro show à parte. A epopeia sonora "The Pentagram" justifica - e escancara - as declarações de Andreas Kisser, de que este é um álbum de difícil execução ao vivo. O guitarrista mostra uma de suas melhores desenvolturas de todos os tempos nessa faixa. Um Sepultura furiosamente virtuoso nasce aqui. Já o metal progressivo ganha moldes em "Autem", com destaque para a bateria particular de Eloy e a forma vocal de Derrick, que mais uma vez, alterna timbres de forma surpreendente.

Talvez a melhor coisa deste Quadra, é a sua capacidade de não andar em linha reta. O disco aguça a curiosidade sobre o próximo passo. Cada canção dá ao ouvinte a oportunidade de viver uma nova experiência. O contraste sonoro entre "Quadra" (uma levadinha acústica) e "Agony Of Defeat" - um metal alternativo cheio de corais e strings melódicos - constatam isso da melhor maneira possível. No final, ainda há espaço para o vozeirão de Emmily Barreto do Far From Alaska, na canção mais melódica do álbum, "Fear; Pain; Chaos; Suffering". 

Esmagando impiedosamente todas as 'viuvadas', Quadra, reforça a proposta do Sepultura de respeito ao passado, dando aos fãs o melhor disco que eles poderiam fazer nos dias de hoje. E conseguiram mais uma vez. Imbatível sobre todos os aspectos.
Cotação: 

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